NESTOR TANGERINI E O CAFÉ PARIS

NESTOR TANGERINI E O CAFÉ PARIS

Nelson Marzullo Tangerini

“Nestor Tangerini e o Café Paris” foi um livro no qual o meu objetivo era trabalhar em conjunto com meu pai.

Era como se ele me perguntasse:

“- Você gostaria de escrever um livro de parceria comigo?”

Aceitei sua proposta de trabalho, enquanto ele tirava umas férias em Piracicaba. E ele teria, me dito, então:

“- Tenho aqui uns sonetos, algumas crônicas e anotações naquele antigo caderno Bandeirantes. Você vai colocando seus textos nos intervalos e o resgate do “Movimento” está feito. O livro é nosso”.

Publiquei-o em 2010, pela Editora Nitpress, de Niterói, RJ, na esperança de resgatar a história literária da antiga capital do Estado do Rio de Janeiro.

Esperava notas e resenhas em jornais fluminenses (ingenuidade minha!), mas isto não aconteceu.

No ano seguinte, 2011, publiquei “Na Taba de Arariboia”, de Nestor Tangerini, pela mesma editora, a Nitpress, mantendo sempre a esperança de conseguir um comentário da imprensa. E, novamente, isso não aconteceu.

Fiz um livro de acordo com o que Nestor Tangerini queria: fazer uma homenagem a Piracicaba, sua terra natal, e a Niterói, seu berço espiritual. Porque Tangerini morou em Niterói, na década de 1920, quando fez parte da famosa Roda do Café Paris, convivendo assim, com aquela talentosa plêiade niteroiense, ainda fora dos cânones da “literatura oficial”.

Todos os textos da Taba, sonetos e crônicas, foram publicados em antigos jornais fluminenses da referida época. E termino o livro publicando poemas e sonetos dos “parisienses” – assim eles eram chamados -, e de outros poetas fluminenses, escritos em homenagem a Nestor Tangerini

Recebi, porém, por e-mail, em 2011, um belo texto - bem espontâneo - de minha prima Tânia Kehl, também profissional de Comunicação, como eu:

“Na Taba de Ararbóia

Belíssimo retrato da Niterói do início do século passado, através das crônicas e sonetos escritos pelo teatrólogo, compositor, trovador, sonetista e professor de língua portuguesa Nestor Tangerini.

As crônicas “Da Pontinha” são uma “viagem”, é como se eu tivesse estado no bonde, na casa do comendador, na pensão familiar.

Emocionante e merecidas as homenagens feitas ao escritor pelos seus amigos da Roda Literária do Café Paris: Lili Leitão, Luiz de Gonzaga e Renê Descartes de Medeiros.

É um livro que me deu a certeza de que já tivemos tempos mais felizes, onde a amizade, a alegria e a cultura eram mais consistentes.

Primo Nelson, obrigada por me trazer este presente. Obrigada pelas horas agradáveis que passei com seu pai, Nestor Tangerini, e seus ilustres amigos.

Bjs, Tânia”.

Filha de Olívia, prima de minha mãe, e do Dr. Olavo, Tânia, que se apaixonou pela história do lendário Café Paris, é neta de Eustachia Soares Ribeiro, que, por sua vez, é irmã de Antônia Soares Marzullo, minha querida avó materna.

Sua e-mail-resenha, muito expressivo, é mais elevado que este estranho e seletivo silêncio da imprensa brasileira.

Em nome daqueles rapazes que escreveram a história da resistência parnasiana, também chamada de segunda geração do Parnasianismo, em pleno boom do Modernismo de 1922, agradeço sua manifestação de apreço.

A Roda do Café Paris também está fazendo 100 anos, meus amigos.

Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 30/07/2021
Reeditado em 30/07/2021
Código do texto: T7310693
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