E A PANDEMIA SEGUE MUDANDO A VIDA

A pandemia segue e desta vez, a Covid me pegou. Estou bem, nem sintomas tenho, não fosse o teste positivo, juraria que tive três dias de resfriado. Em casa e na quarentena, reflito sobre o quanto a vida segue mudando por conta disso.

 

O teletrabalho foi uma mudança positiva, mas aparentemente não teve a capacidade de mudar a mentalidade de muitas lideranças. No meu local de trabalho, apesar de ter entregue absolutamente tudo que deveria neste regime de trabalho, parece que a instituição não confia nos servidores que tem. A área médica estabeleceu que quem tem teste positivo não pode trabalhar nem remotamente. Deve ser medo de serem processados se alguém afastado piorar por causa do trabalho. O resultado é que tive de me afastar compulsoriamente, mesmo querendo trabalhar, tendo recursos para isso e meu trabalho sendo necessário. Ruim para meus chefes e para o colega que teve de me substituir, todos estão com muito mais atividades, porque além de mim, três outros numa equipe de 20 estão afastados e vários aguardam o resultado de testes. Uma pena que as instituições acreditem que são as normas que sustentam o relacionamento com funcionários, e não a confiança entre as pessoas que compõem a organização. Fiquei desapontado, bola pra frente, nem sempre se concorda com as decisões dos líderes.

 

Gosto de trabalhar e fiquei meio perdido com subitamente não poder. Não posso usar o tempo livre para fazer muitas das coisas de que gosto, porque não posso sair para ir à academia, caminhar, viajar, ir ao cinema ou ver outras pessoas, nunca faria voluntariamente algo que pudesse transmitir a doença a outras pessoas. Mesmo em casa, tenho de ficar isolado num cômodo diferente e uso duas máscaras toda vez que vou ficar no mesmo recinto que alguém, luvas para tocar em talheres de uso comum e mantenho a maior distância que puder da minha família. 

 

A melhor opção tem sido ficar muito tempo no micro, lendo, escrevendo meus textos, cuidando das contas e vendo tarefas que eu possa fazer remotamente. Consigo ocupar muito tempo com isso, ainda assim, estou meio ocioso. Com isso, estou tentando aprender a ajudar mais nas atividades domésticas. Ontem, tive várias primeiras vezes nada sexies passei minhas roupas, fritei ovo, esquentei comida. Aprendi que é preciso muita prática para fazer  bem tarefas domésticas, tudo que fiz ficou com bondade próximo do razoável e bem longe do ótimo. Quem sabe e até o fim da licença farei uma refeição diferente de miojo, macarrão ou hamburger toda preparada por mim. É absolutamente banal, porém, creio que temos de aprender com adversidades, não aceitar que limitem exageradamente a vida.

 

Eu já tinha sentido que o trabalho doméstico é o menos reconhecido que existe, interminável e quase sempre desagradável, tais sentimentos foram reforçados, por mais que seja essencial e absolutamente indispensável. Não creio que um dia possa gostar de lavar louça, cozinhar, lavar e passar roupa ou limpar casa. Posso e devo aprender a fazer isso se necessário, hoje sou eu, amanhã pode ser minha esposa que pode ficar por algum motivo impedida de fazer essas coisas para nós e eu terei de ajudar. Aprender o como é difícil fazer tudo isso deve me ensinar também a ter mais empatia pelo esforço que ela faz, ainda que não seja o suficiente, evoluí um pouquinho nisso.

 

Ficar fechado em um espaço e no meu mundinho nunca foi difícil para mim. A cabeça fica divagando e eu fico bem feliz. Só que se eu deixar, o trabalho fica todo para os outros, o que é injusto e pouco útil, então tenho de mudar de atitude e procurar ajudar.

 

Tive sorte, graças à três doses de vacina e à essa variante ser menos forte, meu caso é leve, estou em casa, o período está sendo simples e não sou tanto transtorno ou ameaça a ninguém mais próximo. Ainda assim, vem sendo uma experiência muito estranha e diferente tentar se isolar na própria casa. Com tudo que se vive se aprende algo, por enquanto, está suave passar por isso, ainda assim, mal posso esperar para passar a quarentena. Parece que vai chegar 2023 antes de chegar o dia em que termina o isolamento.

 

Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 14/01/2022
Reeditado em 15/01/2022
Código do texto: T7429525
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