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A menininha e a menina

Estávamos sentados, eu e a menininha, olhando televisão. Coisa rara, pois ando cada vez mais absorto pela imprensa e pela Internet. Um comercial da tradicional promoção Liquida Porto Alegre aparece.
Lembro de um tempo recente e digo pra ela:
- Canta aquela musiquinha do "Liqüida".
- Ãh?
- A musiquinha aquela do "Liqüida". Lembra né?
- Ah, lembro que eu cantava, mas não lembro mais como era.
Eu lembro perfeitamente. Há três anos, cantava subindo cada vez mais a voz e o tom, pronunciando o "u": "liqüida, liqüida..."
Aquela menininha não existe mais. Agora existe uma menina, em evolução, que deleta coisas sem importância emocional, perdidas junto com o outro ser que se foi.
Sou o guardião da menininha que já não existe, mas que vive em minha memória emocional, recheada de momentos alheios a menina. Por incrível que possa parecer!
Gozada essa vida, né.



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Acessem texto de Mariza Brasil:
http://www.recantodasletras.com.br/oracoes/741050
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 21/11/2007
Reeditado em 22/11/2007
Código do texto: T746430
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
João Adolfo Guerreiro
Charqueadas - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
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