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            Um dia você descobre que não há nada melhor que chegar em casa, meter-se numa roupa bem surrada de estimação e esticar as pernas pra zapear a tv e parar em algum besteirol daqueles que só um hd zero bala pode agüentar. Você, surpreendemente, não se espanta com isso, muito embora todo mundo se pergunte e,  claro, pergunte a você também, porque cargas d'água você responde sempre igual na sexta-feira sobre o que fará no final de semana: "Não sei ainda...talvez dormir umas inúmeras horas, ler, mexer nas plantas ...sei lá,oras!" enquanto todo mundo já está contando com você pro barzinho ou pra ir dançar. Mas você quase sempre não está muito interessada.
           Um dia você chega em casa e descobre que há montanhas de telefonemas não atendidos porque não queria ser indelicada e recusar pela décima vez o mesmo convite da mesma pessoa e outras tantas mensagens no seu celular que você, delicadamente, se dignou a responder com uma nota rápida: "a gente se fala" e ponto. Ponto mesmo, porque você também já sabe que "a gente se fala" é o seu código para "até nunca mais".
           Um dia você chega no seu aniversário trocando uma festa entupida de convidados porre que você mal conhece por uma reunião e um porre íntimo com gente de quem você realmente gosta. E se diverte como se estivesse completando 8 anos de idade. Porque, na verdade, está.
           Um dia você descobre que recusa elogios porque simplesmente não lhe fazem a menor falta e não adicionam nada ao que você sabe que é e até porque, você mesma acha tudo aquilo um exagero e uma falta de que fazer. Elogios não pagam dívidas, não vão fazer você cair de amores por quem enviou e muito menos vão fazer de você algo que já não o seja.
             Nesse dia você descobre que sente amor, sente tesão, está mais viva do que nunca, mas não se arrepende do que já deixou ir, não morre por sentir a ausência de alguém e fica muito em paz sem ninguém por perto.

             Nesse dia você dá uma de preocupada e começa a pensar se virou uma eremita...Não. Você não está "eremitando". Você chegou exatamente no  ponto da estrada que pensava nunca alcançar: desapego. Chegou e nem percebeu.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 23/11/2007
Código do texto: T749665

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 55 anos
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Débora Denadai

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