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Caro Papai-Noel

     Sinto dizer-lhe da minha total indiferença quanto a sua imagem comercial. Fiscalizo meu rosto no espelho e percebo a franqueza. Decerto haverá o aspecto de todos aqueles que possuem nesse mundo o desejo de pelo menos um presente bacana durante todo um ano de secura. Papai-noel alegre engambela a grande maioria com sua festa colorida. Carregando a grande paz do saco que contém sempre nova perspectiva. Você é na verdade um cartão de crédito das esperanças que habitam outras razões longe da fantasia, da mitologia e do encantamento postiço.
   É com profundo encantamento e respeito que desencanto para libertar-me e liberto-me ainda do dia da descoberta real. Inconsolável daquele dia vinte e cinco de dezembro à mesa que não mais nos confundimos com o tom de celebridade que qualquer imagem oferece. Lembro-me com raiva quando disseram a verdade. Talvez cedo demais para desmentir a brincadeira. Descobri que tudo não passava de alegoria e que a origem daqueles presentes se consumava no salário do velho que não era você.  Custando-lhe horas de paciência e abnegação para servir as tradições da mesa. Velho amado e saudoso diante de você que não passa de um avelhantado importado. E lhe mandarei de presente ao contrário de receber algum um brinde o  livro: A Velhice de Simone de Beavoir.  Como vingança para que leia durante a sua requintada ceia de eufemismo e consumo.
   Mas não pense que odeio natal nem acredito em papai do céu.  Pelo contrário. Gosto das expansões e dos risos. Gosto das comidas e gosto das cintilações, do adorável pinheirinho agreste no canto iluminado da sala ao lado da televisão, anunciando a retrospectiva do ano.  Deixo-me levar pela incapacidade de mudar o mundo pela nota 10 de realismo mágico. Esse mesmo mundo de fome e miséria onde se canta monossilabicamente o seu hô-hô-hô de fetiche. Fique sabendo que uma senhora de sessenta anos pediu ao senhor que está na Lapônia um pouco de comida.  A televisão mostrou e o correio talvez lhe alcance uma porção de comida para passar a data.  Faço notar sem criatividade que nem só de crianças vive o Papai-Noel. Vive também de Sacis e outras quejandas fábulas. As quitandas fábulas que aumentam lucros, aumentam, aumentam, aumentam.   Aumentando até diminuir a chance de distribuição de renda.  Por isso Papai-noel neste natal faz sentido o  pedido: solicito-lhe distribuição de renda. Um pacote completo de distribuição de renda como fonte básica para cada cidadão de acordo com o cálculo das riquezas nacionais independente de vínculo empregatício.  O computador conta fácil a distribuição o que será tão elementar quanto alimentar a imaginação de cada cidadão que já vem com controle social pelas normas como você. Dinheiro digno,  grátis, mas não fácil, como tantas promessas  para todos num paraíso ecológico onde se plantando tudo dá.   E mais, velhinho, parece que você demitiu duendes este ano do seu grande lar mágico. Peço-lhe de volta o emprego para eles e com todos os direitos sociais adquiridos ao largo de árduas conquistas.
      Sendo assim desejo-lhe os votos de  Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
         
Tércio Ricardo Kneip
Enviado por Tércio Ricardo Kneip em 27/11/2007
Reeditado em 29/10/2010
Código do texto: T754677
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tércio Ricardo Kneip
Santa Vitória do Palmar - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
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