Medo de quê?

Medo de quê?

Jajá de Guaraciaba

Certamente não existe sentimento maior do que o medo. Nem o amor é mais forte do que ele, pois, embora eu não creia na bíblia ela nos diz, salvo equívoco, que o apóstolo Pedro amava Jesus Cristo no entanto O negou três vezes por medo. O medo transforma o indivíduo num homicida ou suicida. Quando alguém mata tomada por este sentimento absurdo não sente na hora a desgraça que está praticando, somente após passar aquele momento de pavor é que se percebe o infortúnio que foi levado a efeito. Quando uma pessoa se encontra com muito medo nem sente dor, pois, quando isto acontece a mente, por encontrar-se totalmente preenchida, fica incapacitada de assimilar qualquer outro estímulo. Há indivíduos que se vangloriam dizendo que não temem a morte. São mentirosos! Aqueles que afirmam isto é por que nunca depararam com a perversa foice do cessar da vida em torno do pescoço. Não há qualquer preparação psicanalítica que dê condições verdadeiras de desapego ao medo de morrer, nem aquela que diz: ... “não devemos temer a morte, porque quando ela chega nós já não estamos presente. ” (Machado de Assis)

Certos fantasmas nos rodeiam e nos perseguem e nos atormentam. Esses espectros são os vícios. Perniciosos e dissimulados nos consomem diariamente sem piedade. Se tivermos que temer algo que temamos o vício, pois o viciado seja de que natureza for não pratica o mal apenas contra si, mas principalmente contra os próprios familiares. Não é somente o uso de drogas ilícitas que devemos temer; existem costumes que nos levam à perdição: a jogatina, a satiríase, a devassidão e outras deformidades. Mede-se o valor do homem pela quantidade de hábitos nocivos ou beneméritos que pratica. Por outro lado, o medo natural é bom porque aumenta a nossa longevidade; alerta-nos sobre os inúmeros perigos que nos cercam no dia a dia fazendo com que desde a infância tenhamos os devidos cuidados com a maior dádiva que o nosso Criador nos concedeu: a vida.