Para: Jô Soares.

Beijo do gordo, Jô! Não... Beijo no Gordo!

Eu sempre gostei dessa frase, Jô, acredita? Não lembro quando foi a primeira vez que eu a ouvi, perdão, fico te devendo essa. Mas, a primeira vez que me lembro dela foi quando falaram no programa do Pânico — ainda na RedeTV. Eu deveria ter meus 11 ou 12 anos, não era muito versado em Talk Shows. Contudo, quando eu ouvi aquela frase do seu sósia, imediatamente mudei a TV para a Globo para te encontrar e, uma pena, seu show já estava mais perto do fim do que imaginávamos. Agora é Tarde, The Noite, Conversa com Bial... Você, Jô, pavimentou o caminho para todos esses outros programas, mas nenhum deles supriu a falta que sua voz (já) rouca faz. É um dos maiores vazios na programação da televisão brasileira — e como tivemos sorte em te ter por tanto tempo...

Jô, você fez parte da minha adolescência. Um grande amigo meu leu teu livro "As Esganadas". Eu não lembro o teor do livro, é bem verdade, mas eu lerei — baixei o PDF, desculpa não poder comprar o livro físico agora; eu lembro, Jô, das risadas que tive com o meu amigo me falando sobre o livro. As manhãs que enfrentamos às 06h15, 06h30 da manhã, no frio e no calor, de segundo à sábado (!). Você estava lá. Hoje, Jô, é madrugada do dia 06 de Agosto, dia 05 já passou. Você nos deixou no dia 05 de Agosto, Jô. Dia da fundação da minha cidade natal, João Pessoa; terra do seu avô, homônimo, Paraibano importantíssimo para o futebol local, ao menos foi o que li.

E, veja só, Jô, nem comemoração teve. Na festa, faltou você. Já estamos com saudade.

Agora, me contento em ver tua entrevista com o Boechat, vocês devem ter se reencontrado pelos Campos Elíseos. Caso exista algo após toda essa lama em que dizemos viver, espero que tenham guardado bons lugares para vocês. Claro, eu nunca serei digno de sequer imaginar em estar ao lado de vocês depois que minha pequena vida se extinguir, mas posso imaginar.

Jô, quando volta? Queria ter te chamado de Vô, Jô, mas neto você nunca teve. Talvez tio, mas, parece meio cafona. Sr. Jô me soa muito formal (e piegas); então, vou continuar com Jô... Ou Gordo, quem sabe? Você me diz. Mas, quando volta? Pois, sem melancolia, você gostava mesmo era de humor, então, vamos encerrar esse texto com alto astral. Vamos falar sobre o dia 05 de Agosto, o dia em que você se foi. Eu fui para a Comunidade Bom Jesus, aqui em Cruz das Armas. A festa de lá começou bastante simples, mas tinha cachorro-quente e "refri", é o que importa. Te levaria lá, mas são 62 degraus para descer e depois subir, é ruim até para mim com 24 anos. Passei meu dia com Vitória, minha namorada, e com o Said. Hoje, não estudei, Jô, mas espero estudar amanhã (06). Said está melhor de saúde o que é ótimo; e ah, Said é meu filho-felino, tá? Ele tem uns 06 meses de idade, só você vendo.

É, Jô, só você...

Nos deixou, mas nos deixou com um grande legado; livros, entrevistas, muitas risadas, lições e tanto carisma. Não nos deixou órfãos, Jô; você nos deixou felizes. Obrigado e saudades.

Do seu mais novo amigo que você nunca conheceu nem conhecerá, mas eu te conheci e é o que importa. O Brasil todo te conheceu.

Com muito carinho e um grande beijo para ti, Gordo. Fica com Deus sempre.

Um abraço,

Yan.

Yan Augusto
Enviado por Yan Augusto em 06/08/2022
Reeditado em 06/08/2022
Código do texto: T7576076
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