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Uma Árvore Simplesmente

No  contexto de uma floresta uma árvore simplesmente não significaria nada de encantador, porque a junção das espécies e a mistura de cores esverdeadas transformariam o cenário num gigante colossal a tal ponto de isentar as circunstâncias elementares que compõem as particularidades e todos os detalhes haveriam de se nulificar para poderem somar-se e assim  incorporarem o gigantismo da mata virgem.

Mas, uma árvore simplesmente, glorificada pela sua singeleza e por sua  inabalável particularidade, plantada numa praça isolada, coroada por suas folhas abundantes e receptora de todos os encantos da mãe natureza, como acolhimento aos pássaros que por ali sobrevoam; como as ocorrências dos ciclos naturais de sua evolução, fazendo emergir os botões, as flores, os frutos e sua sombra natural, torna-se um encanto vivo e passa a fazer parte do local como se fosse um manto sagrado e sua ternura fica enraizada na mente das pessoas cuja sensação se amplifica em nossos corações, tornando-se uma silhueta na lembrança quando estamos longe e uma realidade linda e palpável quando estamos perto.

O seu tronco imenso, demonstrando a sua resistência e a sua grandiosidade no tempo, com sua orla cascuda e áspera lembra a pele de um ser forte e potente, capaz de preservar-se imponente e altiva ante ao mais drásticos avanços climáticos, como se quisesse mostrar à todos nós que também temos de ser fortes e resistir à todo e qualquer obstáculo, para podermos preservar a nossa espécie e defender todos os outros seres que dependem de nosso tronco como amparo para sua subsistência.

Os galhos fortes, que se distanciam do tronco buscando alcançar o topo, progredindo e se multiplicando a partir do tronco pai, enveredando no sentido vertical como se quisesse mostrar para nós que temos de andar com a face erguida, sempre em direção ao céu, dando azo aos nossos dons de criação, amparando os pequenos galhos que se agarram em nossa base e formam um contexto único de existência, simbolizando uma família.

As folhas que se espalham  indiscriminadamente, como se fossem os meios de proteção natural que o homem cria em sua volta, para poder sobreviver ante as intempéries; folhas estas que por vezes são atacadas por pragas e outras vezes são obrigadas a se desgarrar como forma natural de fecundar o solo, mas que se recriam na mesma proporção em que se dissipam acabam voltando para embelezar a silhueta esbelta e viçosa daquela formosa árvore. Trata-se da natureza imitando a vida humana, pois são os filhos que renascem quando adultos e reconhecem o valor dos pais e retornam para dar-lhes abrigo quando envelhecem.

Ainda não falei de suas raízes. Estas sim devem ser objeto de reverência e de respeito perante toda a sua estrutura, pois nem sequer necessitam estar expostas para mostrar sua força e sua brandura. Ficam escondidas sobre a terra e ali caminham incessantemente, fazendo incursões épicas à procura de caminho entre as rochas para dar garantia para seus filhos que lá em cima exibem sua força. Assim também são os homens de boa vontade, aqueles que não precisam aparecer para fazer o bem. Esses homens sabem da importância de sua presença abaixo do tronco de uma família e se escondem na base para dar suporte à todos que dele dependam para dar seqüência à vida e ao crescimento.

Não há dúvida de que natureza foi criada à margem e à semelhança  do homem, por isso sempre que temos um tempinho e se formos visualizá-la com maior capacidade de observação veremos que cada ser vivo reflete nossa energia e nossa capacidade de crescimento. Por isso, jamais podemos agredi-la, porque estaríamos cortando parte de nossa própria pele.
 
Machadinho
Enviado por Machadinho em 29/11/2007
Reeditado em 29/11/2007
Código do texto: T757699
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Sobre o autor
Machadinho
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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