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Análise

            Ha! Ha! Ha! Ha!

            Não, não estou rindo de você, estou rindo de mim mesma. Sabe por quê? Somente hoje eu entendo um ditado popular que tanto ouvi por aí: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

            Sabe o que furou? Não, seu malicioso, não foi o que você pensou. Furou minha vida financeira, minha família, meu casamento, enfim, tudo.

            Olha como tudo isso começou. De tanto a mídia dizer que eu não estava dentro dos padrões de beleza, eu passei a vomitar o que comia para caber naquelas roupas expostas nos manequins das vitrines dos shoppings.

            Por falar em shopping, passei a acreditar que comprando isso ou aquilo, sentir-me-ia um pouco mais feliz. Brotava uma necessidade de ter o celular mais moderno, mesmo que não utilizasse tantos recursos que ele trazia. Estourei meu cartão de crédito.

            Passadas tantas crises por conta de contas que não conseguia pagar, resolvi que seria uma mulher séria. Precisava de um marido, de um casamento.

            Ah, como foi bom o casamento. Até que surgiram os problemas... a lua-de-mel. Ele queria Cancun e eu queria Miami, meu sonho de consumo. Decidimos por Porto Seguro, cabia no orçamento.

            E ela apareceu de novo, a mídia. Dizendo que, para um casamento dar certo, não se podia discutir a relação. Estava em todos os programas da tarde, em todas as revistas; tinha até receita de como evitar tal discussão. O marido não gosta, afirmavam as especialistas. (Engraçado que muitas delas nunca haviam se casado). Então, nossos diálogos não passavam de perguntas prontas e respostas evasivas. Era necessário evitar contendas. De tanto evitar o diálogo, cada um foi para seu canto.

          Hoje, meu analista me recomenda mais pé no chão, menos programas que são nocivos a minha auto-estima. Concordo com ele.


José Augusto G. de Almeida
José Augusto
Enviado por José Augusto em 29/11/2007
Reeditado em 18/06/2008
Código do texto: T758335
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Sobre o autor
José Augusto
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
38 textos (1151 leituras)
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