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Fio da Barba

O ditado: Errar é humano. Porque é humano errar?

Estou estupefato por algo que me aconteceu e estou a buscar em meu interior os elementos necessários para digerir tudo, mas por enquanto somente estou a observar-me. Como a mente se agita criando frases arrasadoras e as emoções evocam o meu lado guerreiro ou briguento!

Acertei uma condição com um cliente que no futuro, no caso hoje simplesmente negou tudo e ainda colocou coisas que eu não disse, de forma descarada.

Diria que é uma boa pessoa, sempre demonstrou isso e até diria que ela não faz de propósito. Incrível como o ser humano é. Claro que você deve estar aí pensando o porque de não ter isso por escrito, não é? Não importa no momento. Onde está o fio da barba?

Como o ser humano é instintivo, imediatista e de pouca memória. Ele acha um argumento que justifica negar o que firmou no passado e passa a acreditar que no argumento, justificando-o pelo não cumprimento. Justifica a si mesmo crendo que não prometera algo inconcebível (no dia de hoje, com a cabeça e pensamento, ou condição que ele tem hoje). Ele está misturando o passado com o presente, incrível habilidade!

Exemplo:

Cliente diz:

"Eu não tenho dinheiro para pagar o seu serviço que são R$1000,00. Te dou R$100,00 e o restante daqui uns 3 meses. Para recompensá-lo, eu te pagarei o seu serviço sem o desconto que me concedera, ou seja, lhe pagarei R$1.200,00, você aceita?"

Eu respondo:

"Como você está dizendo que não tem como me pagar de jeito nenhum, eu aceito."

Bem, 5 meses após ele diz:

"Bem que você ficou contentinho com os R$100,00! Imagina que eu posso hoje tirar do faturamento um dinheiro para pagar algo de tanto tempo atrás? O que foi já foi. Na época eu não tinha e você aceitou os R$100,00. Não vou e não posso te pagar mais nada."

O que se passa na mente de uma pessoa destas?

Sem dizer que ao longo deste período elogiou-me por todos os ventos.

Isso que é viver o presente momento! A verdade sempre é aquela que está no momento em sua "cabeça". Não tem nenhum elo do que ela disse no passado com o presente. Na mesma conversa a pessoa muda de assunto no meio de uma frase que ela pensou, mas não terminou de verbalizar. A velocidade é tão grande que não chega a reter na memória nem o que ela acabara de dizer. Portanto ela somente retem aquilo que lhe convém. Ela não busca recordar o que disse e sim deduzir o que disse. Como a situação do momento é diferente da situação do passado, a dedução do que ela deve ter dito (porque ela não se recorda) é óbvio que é diferente da decisão do passado.

Se ouso dizer (ousei) que ela tem duas palavras e não é confiável, ainda pensa que eu quero passá-la para trás.

Fico ainda numa posição desconfortável duas vezes: primeiro por não receber o que tenho direito e depois pela pessoa achar que eu quero lesá-la.

Por isso a importância de um contrato bem elaborado, bem lido, entendido e assinado. De preferência com firma reconhecida, pois será que ela vai recordar que assinou? Será que ainda vai acusá-lo de falsificador de assinatura?

Diria:
"Essa assinatura é minha, mas não fui eu que assinei!"

Parece que eu já ouvi isso antes! Não é Maluf?
Saulo Lalli
Enviado por Saulo Lalli em 06/12/2007
Código do texto: T767293

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Sobre o autor
Saulo Lalli
Campinas - São Paulo - Brasil, 56 anos
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Saulo Lalli