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Elas não Peidam, nem ficam Peladas

Na lista de milhares de piores coisas que existe a se ter que passar no mundo, uma delas é entrevista de emprego. E assim como milhares de seres humanos passam por isso, Silvânio, personagem este por qual não vou atribuir muitos detalhes e intensa literatura, porque nele o que realmente nos interessa são pequenos pontos no jeito de ser para concluir o fato.
Silvânio trabalhava, até o dia em que seu patrão o viu fazendo uma festinha com garotas e bebidas no local de trabalho, portanto ele e mais alguns foram demitidos por justíssima causa. Aff, que burro este Silvânio (eu tenho a péssima mania de criar personagens idiotas). Silvânio, mesmo idiota, era esperto no seguinte quesito: trabalhara até hoje em lugares com pessoas legais, que sabiam rir, se divertir, falar boas palhaçadas e tornar o ambiente, em geral estressante e bem atarefado, num lugar prazeroso. Onde falavam palavrões, se xingavam numa gostosa brincadeira, e riam dos que atendiam.
Mas estes dias acabaram-se devido a falta de cautela dos que os constituíam. Ele tinha de procurar emprego em outro lugar, foi em uma grande multinacional, na parte administrativa onde faria uma entrevista para determinada vaga no cargo que ocupara em anteriores empresas.
O ambiente era escuro, haviam três mulheres, uma de vinte, outra de 30 e poucos, e outra de seus cinqüenta e tantos. Logicamente, nenhuma delas mostrou cédula de identidade, era só uma questão de olhares pra ver. Todas tinham uma enorme cara de cú, a mais jovem era linda, mas perante seu mau humor sua beleza era semelhante a de um cutuvelo., porém olhando-a mais uma vez, notou que era uma colega do outro trabalho, Joanita, estava agora muito diferente, estava igual as outras, ficou contente de ver a amiga, sorriu e a cumprimentou vocalmente... Ela olhou e nem respondeu, não se expressou de qualquer forma. Entendeu e ficou bem chateado. Atendiam mal, estavam  tão atarefadas que mau olharam para Silvânio. Não havia música na sala, apenas uma jarra de vidro com café preto, e nenhuma conversa. Olhares sérios e nenhum mural com flores de papel e mensagens de amizade bem estar e reflexão. Tudo absoltamente tudo estava marcado, nas gavetas o que era o quê, vários relógios, centenas de canetas BIC, ofícios numerados e por toda parte uma logomarca horrorosa.
Cinco minutos se passaram, e a velha o atendeu nem dizendo bom dia, mas bufando e conferindo o relógio.
 - Pois não. É a entrevista?
 - Sim senhora.
 - Ok, eu sou a psicóloga, podemos começar?
Nossa! Ela era a psicóloga, se o nível era hierárquico, imagine como deveria ser o proprietário.
Começaram as perguntas, ela lia num papel, tudo era muito decorado e sem expressão ou vontade. Ele as respondeu naturalmente.
Aquela sala era extremamente pesada. O clima dava uma preguiça, stress, sono, mescla de coisas que não se pode ter no trabalho.
As outras duas faziam contas, digitavam nos teclados barulhentos com tal força que era milagre ainda estarem inteiros. Seus óculos brilhavam as lentes de gordura, era possível avistar marcas de dedos a quilômetros. Além de tudo eram porcas.
Uma delas olhou para o relógio, já era meio-dia, fez uma alarme onde ficaram muito mais agitadas, guardando papéis, limpando coisas, ignorando mais do que nunca a presença de Silvânio.
 - Senhor, me desculpe, nós temos que almoçar. São vinte minutos. Depois que voltarmos continuamos a entrevista .
Ele saiu sem entender, sem entender não, na verdade perplexo, e elas saíram em seguida apagando as luzes e trancando as portas. Sendo assim, iria ele também almoçar, foi num restaurante á quilo ali perto, e após servir sua montanha no prato, sentar-se e pedir sua coca-cola zero, viu no outro lado da rua em um restaurante mais fino, as irmãs cajazeiras, o trio metralha almoçando. Comiam com pressa, pequenas porções, tinham vergonha de tudo, pediam uma água mineral de 500ml para as três. Alguns homens mexiam com elas, e nada faziam além de retorcer a cara e ficarem vermelhas de vergonha.
Voltaram, Silvânio foi logo atrás dela, no caminho não falaram nada, andavam depressa nos saltos de camurça. Abriram a porta, acenderam as luzes, desengavetaram papéis, sentaram-se e tudo voltou. Silvânio entrou, e antes que sentasse a “psicóloga” exclamou: - Que roupas são estas para se fazer uma entrevista? (ele estava de calça jeans, e tênis azul combinando com sua camisa gola pólo).
 - Desculpe senhora, o que tem de errado?
As outras olharam, ficaram boquiabertas olhando-o dos pés a cabeça, emitindo sons guturais de desapreço.
 - Isso não são trajes para uma entrevista de emprego, se retire daqui imediatamente.
Era realmente lamentável não haver mais ninguém no corredor, não poder fazer um show de escândalo para grande público. Ele sabia que não se encaixaria naquele emprego, quer dizer, naquela escravidão. Mesmo assim resolveu insistir: - Mas senhora, eu estava aqui já antes de vocês irem almoçar, e vestido deste jeito!
A velha quase desmaiou – Oh! – Isto foi um grito! – Então devo estar cega, louca! Como Deus, como pude permitir isso naqueles minutos atrás? – Ele era muito teatral.
Joanita se meteu na conversa: - E este seu jeito de andar, acha que está aonde? Seu esquisito!
A vez da meia idade: - E este seu corte de cabelo, e estes trejeitos! Nunca serviria para trabalhar aqui!
Ele então aos berros passou a relatar tudo o que faziam no seu antigo trabalho onde fora demitido.
Elas instantaneamente ficaram estafantes, tontas e cansadas, era cada absurdo.
 -  Joanita! Você é a maior vagabunda, não saia do motel com o chefe e xingava todo mundo onde trabalhávamos.  – Joanita desmaiou. As outras nem se mexeram, era absurdo extremo.
Ele continuou: - E vocês velhas? Já viram isso – ele estava suando, abaixou as calças e mostrou todas as partes.  – fizeram elas menção de também cair em desmaio, rápido ele pegou a jarra de café e jogou nelas, voltaram á tona, meladas! Gritavam histéricas, enbtão apareceram mais funcionários. O show tinha de acabar e Silvânio barraqueiro como era tratou de terminá-lo.
 - lá no meu trabalho nós ficávamos nus! – E tirou o restante da roupa. Avançou nas senhoras e também lhes deixou peladas. Fez tremenda força e conseguiu próspero arroto podre e peido audível na china.
Uma chuva de “ohhhhh” e burburinhos. Elas não sabiam onde enfiar a cara.
Seguranças chegaram, mas Silvânio com as calças na mão, já estava bem longe.
E foi assim que esse personagem idiota acabou com aquelas muquiranas ao menos por um dia. Além de não ter conseguido um emprego, ficado nu em público (o que era um grande sonho), além de ensinar como não se deve agir em certas ocasiões.
Nossa, como Silvânio é educado e gentil não é mesmo? Nos ensinou esta porção de coisas... mas nem por isso deixa de ser um personagem idiota!





Douglas Tedesco – 12/2007
Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 07/12/2007
Reeditado em 07/12/2007
Código do texto: T768307
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco