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EU SOU CHATA.OK?  ENTÃO NÃO AMOLE...


Olha só: confio mais num olhar direto, que não se desvia quase derrubando as meninas dos olhos num tombo descomunal para o chão ou pior, volando para o alto como se a pobre fosse passarinho dos olhos  do que num discurso de passarinho mavioso sobre minhas inúmeras qualidades.  Tá. Eu concordo. É fora de moda e mais antigo que rótulo de Maisena, se bem que  maisena continua dando um bom mingau para as horas de necessidade.

                Prestenção: cismo – e quando digo cismo, quero dizer, encasqueto, fico pra lá de sorumbática e meditabunda – com gente que silencia sobre o importante, essencial  e desata a falar sobre o que já é sabido, público, publicado e notório e  praticamente confirmado em cartório ,  em  outras palavras, completamente desnecessário pra evitar que se perceba o que está escondendo (até de si próprio) no vão do silêncio.  Cismo. E fico danada. Esquisita, é? E alguém aí me ouviu dizer que sou padrão, socialmente enquadradinha, que ando direitinho na linha? Se ouviu, anda ouvindo outra pessoa. Esta aqui não.

                Ó, também fico muito mais contente com uma verdade que não me agrada do que uma mentira piedosa ou algo do gênero, como eufemismos e diminutivos supostamente carinhosos. Emputeço com  pessoinhas que gostam do discurso “Ah! Você é linda, inteligente, adorável, uma criatura especial mas...” ...Mas? Deixa que eu completo: “...mas eu prefiro uma burrinha, sonsinha ou preferencialmente que só fale banalidades e nunca me diga uma verdade que posso não gostar.” Fácil de deduzir, mas um saco de engulir. Do mesmo jeito, mas do outro lado, me dá no saco (artefato do qual a criatura aqui é desprovida, claro) quando a gente é clara sobre os sentimentos, se toca que uma coisa nem tem como andar , diz isso com letras garrafais e o outro lado se posta de vítima e a gente, claro, é a enorme algoz. Odeio, detesto e passo.

                Sou chata? É bem possível, tenho grandes chances, levo jeito. Sou incômoda? Com toda certeza, já que a maioria das pessoas que conheço detesta lavar suas roupas sujas, adora falar das banalidades em detrimento do essencial. Posso ser um saco, admito. But sorry, folks. Não tô na vida pra agradar a ninguém. E além disso, minha alma agradece enormemente não ter que conviver com a hipocrisia. Se não for possível...bom, a gente sempre pode devolver o veneno, neahmmm?

               

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 29/02/2008
Código do texto: T881380

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai