Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

14 BIS - 1980

O VÔO DO 14 BIS (*)

Nelson Marzullo Tangerini

                   O multitecladista, violonista, vocalista e bandolinista Flávio Venturini já havia tocado n´O Terço, ao lado de Sérgio Magrão (baixo, vocal, backing vocal e violão ovation). Vermelho (teclado, piano, vocal e baixo) já havia tocado com Beto Guedes e participado, inclusive, de seus primeiros LPs lançados pela Odeon, ao lado de Hely Rodrigues (Bateria, vocal e percussão) e do próprio Flávio. Kimura (gaita – e que gaita!) e Cláudio Venturini (vocal, baixo, violão e guitarra) são “ilustres” desconhecdos para o público brasileiro.
                   Para entender o grupo mineiro 14 Bis é preciso conhecer o segredo que existe em Minas Gerais e sua lindíssima capital Belo Horizonte, cidade de “mil e uma” ladeiras, muito queijo, muita música e (o principal) muita menina bonita: “Quem te conhece não esquece jamais, ó Minas Gerais!”
                   Vermelho se lembra dos bons tempos do rock: “- Naquele tempo, a gente se reunia para ouvir e tocar Beatles. Hoje, as pessoas só desenvolvem o som”. Todo sentimento foi colocado em Perdido em Abbey Road. Primeira faixa do disco, e composta por Vermelho e Venturini. Vermelho estava na rua, em meio a buzinas, apitos, multidão e todo aquele rush característico de cidade grande, quando ouviu, no meio de tudo, uma canção dos Beatles, vinda de uma loja de discos. “Foi uma sensação de distância muito grande daquela época dos Beatles. Nossos amigos dispersos pelo mundo, a gente não tem tem mais tempo de se encontrar, para cantarmos juntos as canções de que a gente gostava”.
                   Sobre o estilo da banda, Flávio prefere não comentar: “- Para dar uma idéia, somos 3 mineiros, um carioca (Sérgio Magrão) e um baiano (Vermelho).
                   Nos shows que os mineiros apresentam em suas temporadas em Belo Horizonte, Rio e São Paulo, o público pôde ter uma noção (ou referência) sobre esse trabalho belíssimo, que já foi entregue pela EMI Recording – Odeon a todas as lojas do Brasil.
                   O Lp de estréia da banda é produzido por Milton Nascimento, que assina embaixo. Milton, inclusive, compôs Canção da América, em parceria com Fernando Brant, especialmente para a banda, e isto, desde já, dá um certo “status” ao trabalho e qualifica o disco.
                    Como podemos ver, Minas Gerais não é só a terra de Cruzeiro x Atlético, como muitos preferem dizer por aí, Affonso Arinos, Carlos Drummond de Andrade, Pelé e Santos Dumont e tantos outros que trouxeram glórias para os orgulhosos mineiros. Minas Gerais, hoje, pode, também, orgulhar-se de um dirigível chamado 14 Bis, um sonho que se tornou realidade, um som tão genuíno quanto o Rio São Francisco.
                    Algumas músicas como Espanhola (de Venturini e Gutemberg Guarabira), já gravada por Sá & Guarabira, Cabala (Venturini), já gravada pel´O Terço, e Nascente (Venturini e Murilo Antunes), gravada por Beto Guedes, em seu primeiro Lp, e regravada por Milton Nascimento no Lp Clube da Esquina No 2, com Venturini, não foram incluídas no disco, mas o grupo reapresentou-as ao público, presenteando-o com um “flash back” dos bons momentos dos músicos, cantores e poetas do Clube da Esquina.
                    É um trabalho bonito, que não caberia num Lp simples. Há uma grande probabilidade de os mineiros gravarem Nascente, Espanhola e Belo Horror (de Vermelho), no próximo disco, o que reafirmará a “beleza pura” da canção mineira.
                    A EMI – Odeon caprichou em todas as faixas. Graças à gravadora, o instrumental e o trabalho vocal foram melhor ampliados. Se O terço já era considerado como melhor grupo vocal, o 14 Bis nem se fala.
                    O disco está repleto de folclore, rock, música andina e valsa (Sonho de Valsa), e isso é muito bom, pois reflete melhor esse Brasil, que é filtro musical do mundo.
                   

(*) Nelson Marzullo Tangerini e Nelson Maia Schocair assistiram aos primeiros shows do grupo 14 Bis. Estiveram com a banda e tocaram e cantaram uma canção da dupla (Schocair & Tangerini) para Hely, o baterista. Esta crônica publicada no jornal O Inimigo do Rei, p.6 - Ano 3 – no 9 – Edição bimestral – janeiro e fevereiro / 1980, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Nelson Marzullo Tangerini, 52 anos, é escritor, jornalista, poeta, compositor, fotógrafo e professor de Língua Portuguesa e Literatura. É membro do Clube dos Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini.

n.tangerini@uol.com.br, tangerini@oi.com.br, nmtangerini@yahoo.com.br
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 09/03/2008
Código do texto: T893232
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24125 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/19 17:43)
Nelson Marzullo Tangerini