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RAUL SEIXAS

RAUL  SEIXAS

Nelson Marzullo Tangerini

                    Ele era “baiano de Quenguenhem, onze horas de mula e doze de trem”. E dizia, com orgulho, que era o único baiano que não era filho de João Gilberto.  Dizia-se esquizofrênico. Chegou a anunciar, certa vez, que se candidataria a Presidente da República.
                    Quando compôs Ouro de Tolo, uns imbecis o chamaram de profeta do Apocalipse. Mas eles só vão entender o que Raul Seixas falou no esperado dia do eclipse.
                    Conheci Raul no Teatro Ipanema, na estréia do show Bandido, de Ney Matogrosso, que cantava Metamorfose Ambulante, música que entraria no disco Pecado, de Ney.
                    Pedi, então, um autógrafo a Raul. Sempre fui fã dele. Tenho seus discos. Acreditava na loucura em que vivia. Ele sempre nos dizia as verdades por trás da loucura e do humor.
                    Por fim, ele autografou o programa do show Bandido. Nunca consegui decifrar a dedicatória, o que Raul escreveu. Só consegui entender o autógrafo: “Raul Seixas”.
                    Para os xenófobos, ele mostrou que o baião é rock´n´roll. Para os analistas, ele mostrou que o diabo é o pai do rock, que “enquanto Freud explica, o diabo dá os toques”.
                    Talvez alguém tenha levado Raul a sério: “Sociedade alternativa é um sapato em cada pé; é o direito de ser ateu ou de ter fé”.
                    Muitas músicas de Raul serão lembradas, tocadas, regravadas. Tinha muito talento. Compôs Ouro de Tolo, Gita, Maluco Beleza, O dia em que a Terra parou, Trem das sete, entre muitas outras.
                    Para o momento em que vivemos, é bom lembrar dista: “Sonho que se sonha só / é só um sonho que se sonha só, / mas sonho que se sonha junto é realidade”
                    Raul teve sua época áurea. Ultimamente, vinha sendo boicotado pela mediocridade que toma conta das rádios. (*)

(*) No dia em que conheci Raul Seixas, estava acompanhado de minha mãe, Dinah Marzullo Tangerini [1917-2005], fã de Ney Matogrosso e Raul Seixas. Este texto foi publicado na coluna Opinião, do Jornal O DIA, do Rio de Janeiro, RJ, na segunda-feira, 2.10.1989.
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 16/03/2008
Código do texto: T903181
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24109 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
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Nelson Marzullo Tangerini