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PONDERAÇÕES

     Já não conseguia entender todos os sentimentos que se digladiavam dentro de mim, nada mais era normal, somente a dor cutucava meus sentimentos exigindo uma contrapartida sem o nome de vingança.
     Diante do meu EU maior o sentimento era de revolta silenciosa, porém o outro eu falava alto e exigia uma satisfação, uma reparação ou mesmo uma vingança que pudesse ferir o tanto quanto havia sido ferido.
     A guerra entre os dois aspectos parecia que iria provocar uma ruptura da própria estrutura que servia de anteparo e abrigo às duas pessoas que habitavam dentro de um só corpo.
     O bem e o mal se chocavam como uma constante luta entre dois poderosos ovinos que ousam se enfrentar com suas cabeças uma batendo de frente com a outra.
     Não era mais possível antever quem seria o vencedor ou o vencido, tudo iria depender daquilo que se propunha executar tanto para a satisfação de um como para a satisfação de outro.
     A luta inglória entre as duas correntes provoca os arrepios que vemos todos os dias, diante de uma sociedade perplexa que se rende às inutilidades e mesmo idiotices de um mundo que já há muito se encontra caído.
     As religiões procuram seus algozes bem como os responsáveis pelas constantes tolices da raça humana, justificando seus próprios erros e culpando todos os outros pelos fracassos da humanidade.
     Quanta tolice se usa para enganar os incautos, que se colocam no mundo com o sentimento de pobrezinhos, que necessitam de toda a sorte de artimanhas e ajudas para conseguir até mesmo sobreviver dentro de um mundo tão farto e ao mesmo tempo escasso.
     Enquanto esta luta sem trégua, sem fronteira se desencadeia, eu continuo dentro de um quartel sem paredes, exposto ao mundo onde vivo rindo e chorando de tudo que ouço e vejo.
     Deus, o abstrato, passa a ser para todos os tolos uma salvação certa, pois todos que são algozes se colocam diante do mundo como vítimas inocentes.
    Todos são culpados menos os que acham que Deus é produto e resultado de nossos desejos e aspirações.
     Desejamos e criamos um Deus segundo a nossa imagem e nos iludimos, pensando que a salvação vem em decorrência  da nossa bondade e que somos os únicos seres capazes de entender as verdades que se encontram veladas por baixo de enganos fatais.
     Enquanto isto acontece, a luta travada dentro de nós nunca termina, pois a evolução se processa dentro desta batalha, onde o atrito produz a luz, tão necessária para aquele que deseja iluminar-se.
     Do lado de fora, a humanidade continua a rastejar e procurar alternativas que lhe tragam a felicidade, independente da felicidade dos outros. Cada um procura sua própria satisfação sem saber quanto custa para o seu semelhante.
     Compramos e vendemos lotes e mansões dentro de um céu ilusório criado e alimentado por igrejas que procuram se locupletar com a estupidez humana. O dízimo é a prestação que se paga para tamanha insensatez.
     As próprias vítimas não são apenas vítimas dos enganos provenientes das igrejas,mas sim de si mesmas, pois aceitam as mentiras como únicas verdades. O comodismo os impede que procurem e lutem por encontrar algo que não seja tão ilusório, irreal e enganoso.
     Dentro de mim as lutas se sucedem num contexto de comparações de uma sociedade que se vende, se entrega às inutilidades, se esconde foge da verdade, pois esta realmente dói, e ninguém quer sentir dor ou mesmo sofrer na grande senda do caminho e do conhecimento.
     As igrejas estão lotadas, os pobres diabos enganados, cantam seus louvores, pagam seus dízimos, choram e se dizem arrependidos de algo que fizeram, procurando, com isto, enganar a si e a Deus.
     E as enganações continuarão até que novamente o Cristo Universal volte, empunhando a chibata e expulse de dentro dos templos os falsos sacerdotes, que hoje não passam de mercadores de Deus. Eles procuram vender a quem quer comprar toda a sorte de benefícios e até mesmo o reino do céu.




19/03/03-VEM
Vanderleis Maia
Enviado por Vanderleis Maia em 09/04/2008
Reeditado em 05/03/2009
Código do texto: T938814

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Sobre o autor
Vanderleis Maia
Imperatriz - Maranhão - Brasil
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Vanderleis Maia