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SE QUERES ENTRAR, QUAL É A SENHA?

Numa sociedade hipócrita onde ter uma crença é mais importante do que ser ou fazer, se não souberes a senha não passarás!
*Por Antônio Ferreira Bispo
  Se pudéssemos avaliar à grosso modo o comportamento das pessoas que “temem a deus”, que dizem acreditar em deus, ou que “tem deus no coração”, poderíamos verificar que existe uma espécie de código não verbal para entrar ou ser aceito em determinados recintos, como se fosse uma espécie de senha para quem deseja fazer parte dos nos mais diversos agrupamentos sociais cristãos. É como se fosse mais ou menos assim:
Entrante crédulo: -Olá! Sou mentiroso, fofoqueiro, caloteiro, enganador, estuprador, aliciador de menores, ladrão de banco, corrupto, manipulador, homicida, genocida e mau caráter, mas tenho deus no coração. Me deixe entrar!
Sociedade: -Claro que sim senhor! Seja bem-vindo! Você é um dos nossos, a paz de deus, paz do senhor, paz de cristo e deus seja louvado! Deus estar no meio de nós! Jesus nos ama!
Entrante crédulo: Olá! Sou uma pessoa de bem mas tenho comportamento de ovelha, não questiono, não pergunto, não duvido e faço tudo que me meus líderes políticos e religiosos mandarem pois ambos são autoridades constituídas por deus segundo a bíblia.
Sociedade: Você também é bem-vindo! Seu comportamento tem sido a base para que “poderosos” sejam tratados como deuses e permaneçam onde estão, formem dinastias, oprimam os mais fracos e perpetuem a miséria entre o povo. O “reino de deus” é vosso!
Entrante não crédulo: Olá! Sou honesto, equilibrado, não apoio nem provoco o mau a outras pessoas, assumo a responsabilidade pelos meus atos e não acredito em deus ou no diabo! Acredito que eu juntamente com os membros de uma sociedade podemos mudar para melhor ou pior o ambiente em que vivemos e construir a sociedade que queremos.
Sociedade: Sai pra lá seu filho do capeta! Esse é o pior de todos os crimes que alguém pode vir a cometer! Em nosso meio não és bem-vindo! Nem que seja no Saci Pererê ou num pedaço de pau você tem de acreditar senão aqui tu não fica! Quem já se viu não acreditar nos deuses, santos, anjos ou imagens de escultura? Você é um endemoninhado! Sai pra lá coisa ruim...
Cientista, filósofos e pesquisadores sérios: Olá sociedade! Gostaria de compartilhar com vocês nossas descobertas, invenções e ideias que podem revolucionar nossa sociedade, melhorando a vida dos cidadãos e apontando novos rumos para a paz, equilíbrio social e harmonia social. Precisamos do vosso apoio e de vossa crítica para que possamos encontrar um equilíbrio em nossas teorias e assim encontrar o métodos mais apropriado para a execução de nossas ideias ou prestação de serviços. Temos sido em toda sociedade o pivô principal para a solução real dos problemas humanos e melhoramento dos convívio sociais entre as pessoas e bem com o meio ambiente.
Sociedade (hipócrita): Alto lá, espere ai...Nenhuma ideia, produto ou serviço aqui apresentados serão aceito, consumidos ou difundidos sem a análise ou aprovação de nossos líderes religiosos. Eles são capazes de definir toda verdade e mentira do universo bem como discernir as artimanhas do maligno para enganar os servos de deus. O mundo jaz no maligno! Não esperamos nada de bom de lugar nenhum! Só aguardamos as desgraças e cataclismos que será precedido pela volta de jesus, pois ele já estar voltando. Quem propor melhoras certamente é um enviado do anticristo, pois ninguém pode dar jeito no mundo por que a profecia foi dita e ela tem de se cumprir, o diabo queira ou não! E quem a ciência pensa que é pra passar por cima dos planos de deus? O messias falou tá falado! Ora vem senhor jesus! Deus escreve certo por linhas tortas, ele tarda mas não falha!
Líderes religiosos (maior parte deles): Olá sociedade! Posso entrar? Minha função principal é ensinar aos homens a fazerem barganhas com as divindades, fazendo-as acreditarem que por meio de bajulações diversas e oferendas desnecessárias a seres metafísicos, elas podem manipular a vontade dos deuses ao seu favor, causando males a outras pessoas ou atendendo seus próprio desejos egocêntricos. Somos responsáveis também em inculcar em todos os nascidos num “país laico” ou teísta, o medo e culpa desnecessárias nas pessoas para que elas jamais deixem a “casa de deus”. Deixamos as pessoas paranoicas e eles gostam disso. Causar divisões e guerras em nome da fé é aquilo que de mais perfeito sabemos fazer desde que a ideia de deus surgiu entre os povos primitivos. Podemos separar uma família, uma comunidade, um país ou um continente inteiro e ainda seremos lembrados como heróis por feitos como esses. Poucos de nós se preocupam realmente com o lado humano e social das pessoas como um todo. Percebemos que todos que fazem isso (se importam realmente com o povo), são considerados trouxas, loucos e “desobedientes” a vontade de deus. Importa mesmo é criar nas pessoas fortes emoções e falsas esperanças para ser bem sucedido em nossa área. Fale a verdade as pessoas e serás expulso desse meio! Venda ilusões e fique rico! Poder, prazer, fama e credibilidade pública infinita é um legado que cabe apenas ao nosso ramo desde os mais antigos tempos! Com essa credibilidade temos, basta deixa a criatividade fluir! Não tem coisa melhor...
Sociedade (hipócrita): Nem precisa dar explicações meu ungido, missionário, homem de deus, iluminando do altíssimo, anjo do senhor “não sei das quantas”! Que seria de nós sem você? Nossa sociedade já teria ruído senão fosse vocês pra nos ensinar a verdade! Sua palavra é um tiro! Você falou está falado! Nós te amamos! Todos que se levantam contra ti perecerão. Aleluia irmãos!
    Pois é.... numa nação “cujo deus é o senhor”, o mais importante é dizer o nome do santo a que tu invocas, do que mostrar os “milagres reais” feitos em nome desse mesmo santo.
    Manter um nível de conduta moral ilibada e equilibrada dissociado de qualquer tipo de agrupamento religioso é uma ofensa a quase todos eles. Uma calúnia e uma blasfêmia direta aos agrupamentos cristãos, pois nesse grupos, o bem e o mal que comentemos estar intimamente relacionados a “ter ou não ter deus no coração”, ou seja, estar ou não ligado a um agrupamento religioso, ser ou não capacho de um “homem de deus”. Segundo eles, é absolutamente impossível qualquer pessoa praticar o bem sem antes de tudo proclamar que só jesus é o senhor e que o pai, o filho e o espírito são a mesma pessoa.
   Agora vejam o contraste dessa afirmação falaciosa: nesse pais de gente “cheia de deus” o que mais tem crescido é a criminalidade, a desordem e a corrupção. Será que o sentimento de estar cheio de deus e de ser guiado por deus não é a causa principal de muitas pessoas se esquivarem de suas responsabilidades, trazendo prejuízos à si mesmas e a tantos outros? Nos países onde a constituição tem mais autoridade do que a fé em deus, as pessoas sabem que serão penalizadas por suas ações e um nível de consciência coletiva mais elevada é compartilhada entre todos. Já nos locais onde é mais importante ter fé em deus do que “andar na linha”, são tantas coisas que de tão corriqueiras, passam desapercebidas, sendo antagônicas a própria ideia de um povo “guiado por deus”. Vejamos algumas:
• Entre quase 210 nações no globo, temos a terceira maior população carcerária do mundo com quase 1 milhão de presos, sendo que mais de 90% deles são cristãos, frequentadores de igrejas ou dizem acreditar em deus e que segundo a crença comumente aceita, esse indivíduo mesmo encarcerado já seria uma pessoa “cheia de deus” por fazer tal afirmação.
• Quando a maioria dos casais (cristãos) se separam, a maior preocupação de um dos conjugues é quanto aos filhos menores, pois na maioria dos casos serão violentados sexualmente ou abusados e humilhados física e moralmente por um dos novos conjugues. Na imensa maioria dos casos a justiça nunca será feita e sequelas permanentes irão fazer parte da mente ou do corpo do que fora abusado. Incrível notar como essas pessoas “cheias de deus” abusam de indefesos, como se morassem numa selva, num local sem leis. Os casos mais graves costumam ser exatamente dentro das igrejas, pois qualquer um que intente denunciar esses tipos de abusos será duramente penalizado pelo grupo, já que alguns líderes com medo de perde a “clientela” e causar uma má imagem ao grupo chegam a usar versículos da bíblia de modo intencionalmente distorcidos para inibir o desejo de justiça do fiel. O caso fica mais grave ainda quando o próprio líder é o abusador.  Quanto aos casos de maus tratos a menores depois de uma nova união conjugal, há centenas de relatos documentados de conjugues (cristãos) que mataram ou abandonaram em qualquer lugar seus próprios filhos a pedido novo conjugue (cristão), bem como dezenas de outros casos em que os dois juntos cometeram tais crimes. Essas pessoas se dizem cheias de deus, e seus crimes serão esquecidos ou tolerados se continuarem professando essa mesma fé. Ruim mesmo é pra quem morre ou pra quem foi abusado. Esperar a “justiça de deus” nesses casos, é o mesmo que o diabo se converta. Só ilusão mesmo!
• Em nossa sociedade cristã, “cheia de deus”, os crimes mais cometidos são os crimes contra a vida, a liberdade e a propriedade pública e privada. A mesma bíblia que diz: “trazei todos os dízimos à casa do senhor” ou “o senhor é o meu pastor e nada me faltará”, também diz: “não matarás”, “não roubarás”, “não causarás danos ao teu próximo”, “não mentiras” e tantas outras coisas. Como nenhum grupo religioso segue totalmente a bíblia e todos seguem apenas o que mais apoiam suas ideias ou escondem seus defeitos, fica fácil escolher no que deseja acreditar e desprezar todo o restante do mesmo livro “sagrado”. É como se fosse um restaurante self-service: cada um pega apenas o que gosta de comer ou que pode pagar...
• Em nosso país cristão, cuja bancada evangélica foi eleita justamente para “velar pela nação” e guiar nosso povo para mais perto de deus, nossos políticos tem sido retratados em todos os cantos do mundo como sendo os mais suscetíveis ou coniventes com a corrupção. Que vergonha! Estamos virando uma piada lá fora, enquanto que países considerado como ateus tem fechado suas prisões por falta de “clientes”. Em alguns lugares onde o brasileiro era tido como um povo alegre e receptivo, agora estarmos sendo retratados como trouxas e defensores de criminosos políticos.
• Num país onde todos os dias as igrejas dizem que “deus é o vigia de nosso povo”, estão deixando de certa forma entrar uma grande quantidade de drogas e armas para enfraquecer nossa nação por dentro e facilitar o domínio estrangeiro de nossas riquezas e nosso povo. Se não sabemos administrar nossa própria casa, obviamente alguém que se julga mais capaz irá fazer isso por nós. Enquanto alguns ungidos querem aparecer “cheirando a bíblia”, outros tipos entorpecentes atravessam nossas fronteiras outras pessoas cheirarem. Quem sabe aquele que dizem ser o “guarda de Israel”, que nunca dorme nem se cansa, esteja facilitando demais as coisas pra os traficantes. Quem sabe os crentes pentecostais estão ocupando ele demais com as causas LGBT e dando brechas para coisas ruins atravessar nossas fronteiras.
• Nessa cristã, rica em solo, em mares, em rios e tudo que se plantar dá, não dá pra entender o motivo de tanta gente passando fome e de uma gritante diferença na distribuição de renda.  Deve ser por que as pragas do apocalipse tem de se cumprir onde as pessoas acreditam em deus, por isso as coisas não melhoram. Já pra quem não acredita, o diabo não incorpora e as pragas apocalípticas são substituídas por uma eficiente gestão de recursos e pessoas. Isso sim é um benção!
• Nas sociedades cristãs de modo geral, milhares de casos de abusos sexuais de crianças e indefesos, abusos morais e explorações financeiros tem sido registras pelos mais diversos meios de comunicações e pouco ou quase nada tem sido feito, nem por “deus” nem pelos homens, sem falar da grande quantidade de homicídios ou mortes encomendas que tem crescido ultimamente entre os “ungidos do senhor” pela disputa de territórios e da lucratividade que o mercado da fé proporciona. Se há um deus olhando tudo isso sem nada fazer, esperando apenas o dia do juízo para dar a sentença, era ele quem deveria se redimir com a humanidade e não o contrário.
      Mediante tantos questionamentos que podem ser levantados no quesito “ser cheio de deus” ou “deus guarda o seu povo”, faço a mesma pergunta que já fiz em outro texto: a fé deus é um adorno? Um enfeite? Uma senha? Um código...? Pra que serve? Qual a sua utilidade? Será que uma pessoa que tem a fé em deus como bandeira principal em suas falas é realmente uma pessoa equilibrada qual possamos nos relacionar seguramente? Uma coisa é certa: quem quer pegar o passarinho jamais vai dizer: “xô passarinho”!
    Em nome de deus, os maiores danos que se tem registro, foram causados pelo homem e para o próprio homem, seja a si mesmo, a um grupo ou a uma nação inteira.
    Em nome de deus pouquíssimas pessoas se ajuntaram e ainda se juntam para fazer o bem ou que é certo. Essas certamente não precisariam de divindade alguma para o fazê-lo, mas o fazem por julgarem também estarem sob direção divina.

   Depois de tantos erros e acertos, estar mais que na hora de tomarmos vergonha na cara e crescermos, deixarmos de terceirizar nossas responsabilidades ou tentar corromper os deuses para se dar bem em algo, e olharmos mais para a linha horizontal homem-homem e não na vertical homem-deus ou pior ainda: com a cara enterrada no chão falando sozinho.
   À medida que o time dos bajuladores dos deuses e das vítimas do ocaso divino diminuir, uma sociedade mais responsável, segura e sustentável surgirá sem precisar de profecia macabra nenhuma para trazer a ordem social. Nesse dia, os espaço dos que vivem dos “royalties da fé” serão substituído pelos que realmente produzem algo útil a sociedade e a cooperatividade substituirá o vitimíssimo e as divisões que o campo da fé produz. Nesse dia os “deuses” terão de mudar de planeta ou construir “novos céus, novas terras e novos escravos” para manipularem...
Saúde e sanidade a todos!
Texto escrito em 2/6/18
*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

Ferreira Bispo
Enviado por Ferreira Bispo em 02/06/2018
Código do texto: T6353928
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Sobre o autor
Ferreira Bispo
Cristinápolis - Sergipe - Brasil, 36 anos
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