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Homilia na Missa do Crisma, 18/04/2019

Amados irmãos e irmãs,
 
01.O Espirito Divino nos reúne junto ao altar da nossa Co-Catedral Nossa Senhora do Perpetuo Socorro para celebrar a ação de graças pelo Sacerdócio Ministerial na Igreja. Lembraremos com esta celebração dos sacerdotes do mundo inteiro: os que vivem a santidade a ponto de entregar suas vidas ao martírio, os sacerdotes doentes e anciãos que se consagram a Deus através das dores dos seus corpos debilitados pela doença e pelos anos e pelos que estão em crise e sofrimentos. Tenhamos presentes os padres que estão estabelecidos nos estilos de vida e acomodados ao pecado, à vida dupla, ao apego as criaturas em desprezo pelo Criador; enfim, rezemos por esses irmãos que sofrem a solidão causada pela falta de proximidade com Jesus, o Sumo e Eterno Sacerdote, do qual deriva nosso ministério. Tais situações sempre são expostas na TV.
02.Sejamos conscientes da importância deste Dia que nos une aos padres do mundo inteiro, carentes de nossas piedosas orações intercessoras. “Neste mesmo dia — na Quinta-feira Santa — tal como nós, reúnem-se em torno dos seus Bispos em todo mundo as comunidades sacerdotais, os presbíteros de todas as Igrejas, para anunciar — celebrando juntos a Eucaristia — o que também nós, hoje, desejamos anunciar. E anunciamo-lo não só com as palavras, mas também com todo o nosso ser — porque por graça de Deus somos sacerdotes de Cristo com todo o nosso ser. E anunciamo-lo com a liturgia — esta liturgia única e insólita da Quinta-Feira Santa — que acolhe em si o nosso ser humano e sacerdotal para proclamar, mediante ele, os imperscrutáveis mistérios de Deus” (São João Paulo II, Homilia na Missa do Crisma em 1980).
03. “A Quinta-Feira Santa é antes de mais o dia de Jesus Cristo. É o primeiro daqueles seus três Dias santos: Triduum Sacrum. Todos estes dias constituem, em certo sentido, um conjunto indivisível — são, por assim dizer, o dia da nossa Redenção, o dia da Páscoa, isto é, da Passagem. O dia de Jesus Cristo, isto é, do Ungido — d'Aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e com a graça, e enviou ao mundo’ (idem).
04.«O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a levar a boa nova aos humildes, a curar os de coração despedaçado, a anunciar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros; a publicar um ano de graças da parte do Senhor» (Is.61, 1-2a).
05.”Eis que vem de novo Cristo — o Ungido de Deus Eterno — para anunciar ainda um «novo» ano de graça. De facto, a graça é principalmente Ele mesmo no mistério da Sua Páscoa, isto é, da Passagem. O Seu dia o primeiro daqueles três que constituem o único dia da Páscoa — iniciar-se-á ao pôr-do-sol da Quinta-Feira Santa, quando Ele se sentar à mesa com os Apóstolos para a ceia prescrita pelo rito da Antiga Aliança. Reunimo-nos já agora, na manhã da Quinta-Feira Santa, para estarmos desde a manhã-juntos com Ele, Cristo — Ungido neste dia insólito, único.
06.Eis o dia de Jesus Cristo — «a testemunha fiel, o primogénito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra» (Apoc. 1, 5). Ao pôr-do-sol deste dia Ele começará a dar o último testemunho Àquele que O enviou, ao Pai. Começará a dar o testemunho de um tal amor e de um sofrimento, que nenhum outro coração humano é capaz de aprofundar. Começará a dar o testemunho da Santidade Eterna, que se manifestou ao mundo no dia da criação. Começará a dar o testemunho da Aliança, que Deus Santíssimo estabeleceu com o homem desde o início, e que mesmo quando ela foi violada no coração do primeiro homem e, depois, inúmeras outras vezes, pelos pecados dos outros homens, não cessou, na expectativa deste dia e desta hora de Cristo, «testemunha fiel». Começará, portanto, Cristo — a testemunha fiel — a dar o testemunho da Santidade de Deus naquela aliança com o homem, que deverá ser instituída definitivamente à custa do sacrifício, que terá início na Quinta-Feira Santa — à noite — de modo incruento, e se realizará mediante o Seu Sangue e a Sua Morte no Calvário.
07.Viemos hoje confessar a nossa fidelidade e o nosso amor, a nossa indignidade e o nosso abandono «Aquele que nos ama e que com o Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus, Seu Pai... » (Apoc. 1,5-6). Eis que Ele se aniquilará a Si mesmo, tornando-se obediente até à morte — para poder gravar nas almas dos homens, e de certa maneira, no coração de toda a criação, a nova semelhança com Deus mediante o Seu único sacerdócio: para fazer de todos nós um reino de sacerdotes» — e deste modo dar testemunho da dignidade do homem e da dignidade de toda a criação, segundo o desígnio eterno de Deus. «Eis que Ele vem». Eis que vem «a testemunha fiel» — para encher com o seu sacerdócio os corações dos homens e, ao mesmo tempo, toda a criação desde o início ao fim: «Eu sou o Alfa e o Ómega».
08.O dia de hoje - o Dia de Jesus Cristo — Quinta-Feira Santa — é o nosso Dia particular. E a festa dos sacerdotes. Neste Dia, viemos com toda a nossa comunidade agradecer a Cristo pelo sacerdócio: — que Ele inscreveu no coração do homem, senhor da criação, — que Ele inscreveu de modo particular nos nossos corações. Convidou-nos, de fato, para a Última Ceia e hoje convida-nos de novo. Convidou-nos na pessoa daqueles Doze que estiveram com Ele naquela noite. Diante deles, Ele tomou o pão, partiu-o, distribui-o e disse: «Este é o Meu Corpo oferecido em sacrifício por vós».  Depois tomou o cálice com vinho, deu-o aos seus discípulos e disse: «Este é o cálice do Meu Sangue para a nova e eterna Aliança, o qual será derramado por vós e por todos». E no fim acrescentou: «Fazei isto em memória de mim».
09.Somos, portanto, os sacerdotes deste sacrifício, que Ele ofereceu no seu corpo e no seu sangue na cruz e sob as espécies do pão e do vinho na Última Ceia. Somos também os sacerdotes «para os homens» a fim de que todos, mediante o sacrifício que realizamos em virtude do Seu poder, se tornem «um reino de sacerdotes» — e ofereçam sacrifícios espirituais em união com o seu sacrifício, da Cruz e do Cenáculo.
10.Somos, por fim, sacerdotes para sempre. O nosso lugar hoje, portanto, é ao lado de Cristo — e os nossos lábios e os corações querem renovar o voto da fidelidade Àquele que é «a testemunha fiel» do nosso sacerdócio diante do Pai” (idem). Os santos óleos do batismo e dos enfermos, abençoados nesta celebração; o santo óleo do santo crisma, consagrado durante esta liturgia, são alentos fortes, carregados de unção teológica e espiritual, que pelas nossas mãos e pés sacerdotais, levarão a força do Ressuscitado, com a força atualizadora do Espírito Santo a todos os fiéis que serão constituídos e fortalecidos na Vinha do Divino Cordeiro, nossa Santa Igreja Católica.
11.Hoje me despeço dos senhores sacerdotes, diácono e dos seminaristas, pois o Bom Deus quis servir-se de minha frágil humanidade na sofrida Diocese de Formosa. Agradeço aos senhores de coração pelo que vivemos juntos no serviço de amor a esta Igreja Particular. Dei de mim o que era possível oferecer da minha pequenez. Sei que neste clero há padres mais preparados do que eu para serem bispos, com suas láureas intelectuais, espiritualidade arraigada e pulso firme, elementos tão caros que o Bom Deus me dispensou de possuí-los.
12.A troca de bispo não foi comum na antiguidade, mas os tempos modernos o requerem. Faz bem a Diocese e ao próprio bispo que sai. No seio do clero é comum que exista uma esperança sempre crescente pela saída do bispo; como no meio dos fiéis há igualmente uma inquietude pelo desejo de muitos pela transferência do pároco. Na verdade grande parte do clero deseja sempre a mudança do bispo; se idoso contam sempre os dias para a renúncia e isso começa a ser feito da parte dos sacerdotes a partir dos oito anos restantes do labor do pobre velho; se o bispo é mais jovem, basta vagar uma diocese para que muitos comecem a caçoar entre si: tomara que ele siga para lá! Quando a Diocese que vaga é espinhosa, alguns afervoram ainda mais o intento. Falo isso porque fui assim como padre no clero que vivi. O bispo nunca deve se importar que os padres falem mal dele, dado que essa prática poderá, quem sabe, vir a ser normatizada por algum papa do futuro como virtude.
13.Geralmente em muitas dioceses a saída do bispo faz bem a alguns do clero, aos que se sentem oprimidos pelas limitações do bispo ou inibidos na realização dos seus intentos, nem sempre amparados nas virtudes sacerdotais, que aguardam assim a saída do “cão sarnento” para melhor desfrutar da liberdade caprichosa. A outros que possuem bons projetos pastoral ou de outra natureza e que não encontram o respaldo no bispo, poderão ajudar a Diocese com a chegada do novo que poderá ser mais aberto a estes intentos do que o antigo.
14.O momento da vacância é um tempo de alta espiritualidade para a Igreja Particular. Ocasião que orações efusivas são feitas em favor do novo pastor que virá, que somente Deus sabe quem seja. Viveremos a partir das 10h do dia 01 de junho próximo a vacância, momento nada agradável, pois evoca a orfandade da Porção do Povo de Deus que não conta com a Imagem do Pastor Diocesano. O Bispo é o grande sacerdote da Diocese, o ponto de equilíbrio, o moderador do culto divino, das pastorais e do modus vivendis do Clero. Não se trata de um tempo pleno, mas de esperança da plenitude do enviado de Deus que vai chegar. Quem será o 4º Bispo da Diocese de Rubiataba e Mozarlândia? Somente Deus, no momento, o sabe!
15.O Espírito não os deixarão órfãos. No dia 04 de junho, o Decano do Conselho Diocesano dos Consultores, Mons. José Modesto, convocará os outros seis membros do Conselho, a saber: Pe. Divino Eterno, Pe. Edivaldo Batista, Pe. José Maria, Pe. Ricardo Luz, Mons. Vanildo e Pe. Weber, para escolherem entre os membros do clero ou fora dele o Administrador Diocesano que conduzirá a Diocese até a chegada do meu sucessor. Suplico a todos que acolham com espírito de fé o Administrador Diocesano e futuramente o novo bispo. Atenham-se à fé, pois as realidades da Igreja só podem ser entendidas a partir do ato de crer. O Próximo bispo não será como os três que já passaram. Seja ele como for, jovem, idoso, negro, branco, pardo, gordo ou magro, simpático ou antipático, progressista, equilibrado ou conservador e etc, virá em nome do Senhor e como tal devemos acolhê-lo com espirito de fé, esperança e caridade. Aos padres de fora que aqui os ordenei e aos que estão a servir nesta Igreja por graça de nossa solicitação, dado que nossa Diocese é carente de vocações, O Sumo e Eterno Pastor os querem aqui na semeadura. Não tenham inquietações no coração que o Administrador não os tratará bem ou que serão vistos de soslaio pelo novo Bispo. Isso é coisa do inimigo! O Povo da Diocese os quer muito bem e o clero igualmente. Sirvam a Deus com alegria aqui onde estão. Esta Diocese precisa dos senhores.
16.Saio em paz da Diocese. Aqui cheguei pobre e pobre estou a sair. Em consciência posso dizer que não aproveitei dos minguados recursos da Diocese em proveito próprio, isso pode afirmar nossa contadora e nossa ecônoma. Poderia ter feito mais, mas agi no limite de minhas condições humanas. Com a ajuda dos senhores fizemos o que Deus nos capacitou. Saio em paz com todos, sacerdotes, diácono, religiosas e consagradas, funcionários, seminaristas, lideranças leigas e civis. Não levarei ódio ou mal querência no coração. Pelo contrário, amo a todos. Amo os padres, cada um com suas virtudes e imperfeições, amo as religiosas e consagradas, amo os seminaristas e vocacionados, amo as lideranças diocesanas e paroquiais, amo o povo de Deus desta Igreja que sempre me deu muita alegria. Sempre foi respeitado pelo clero, pelas irmãs e pelo povo. Isso me dá tranquilidade de alma ao partir com um coração coroado pela liberdade que tive aqui para amar e ser respeitado. Foram onze anos de vida sob a força poderosa da intercessão orante de milhares de pessoas da Diocese que oram por mim todos os dias. Continuem a acompanhar-me com suas valorosas orações. Quanto ao Projeto da construção da nova Co-Catedral, peço que o esqueçam, o novo bispo vai modifica-lo ou substituí-lo, o que não é de todo negativo. Cada bispo tem uma propositura. Talvez o novo bispo não terá como eu entendo que teria, caminhos para objetar recursos para o novo templo. Deus saberá o que deverá ser feito. Aos padres minha imorredoura gratidão por tudo que fizemos juntos. Gratidão eterna pela fraterna bondade dos senhores em tudo que solicitei na ação pastoral e na cura das almas. Deus lhes recompense por tudo. Na minha condição de limitado servo, coloco-me sempre a disposição de todos os senhores caso algum dia precisarem de mim.
17.Por fim, peço perdão a todos os membros do clero, seminaristas, consagradas e membros do Povo de Deus pelas vezes que posso ter magoada alguém e por vezes não ter dado o bom exemplo de pai, mas ter imitado as atitudes desconcertantes do mau padrasto. Sob o manto da Virgem Santíssima, a Senhora da Glória, nossa excelsa Padroeira, coloco a vida de nossa Diocese à espera do seu novo pastor. Que todos sejam perseverantes na oração e na esperança. Unidos na fé, na celebração da Eucaristia, juntos e unidos continuaremos a caminhar para o advento e para a epifania do Mistério da Santíssima Trindade no Ágape Eterno da Liturgia Eterna, no Céu, onde um dia para sempre vamos juntos habitar, Amém! Amém! Amém!

Adair José Guimarães
Enviado por Adair José Guimarães em 20/06/2019
Código do texto: T6677600
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Sobre o autor
Adair José Guimarães
Rubiataba - Goiás - Brasil, 59 anos
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