Conversão

Nos dias de hoje, há que se parar e refletir sobre alguns fenômenos que se manifestam de forma quase sistematizada e com uma freqüência considerável.

A conversão é algo com que estamos lidando, sem nos determos em analisar a razão de estar tão evidente sua incidência em nossa sociedade.

Vale algumas considerações sobre o assunto, para que nos forneça elementos onde possamos fundamentar nosso juízo.

Tentar definir o que chamamos de conversão, é necessário para que possamos seguir uma linha de raciocínio que não se perca por conta de entraves semânticos.

A conversão se dá quase sempre, no meio de uma exacerbada excitação emocional ou perturbação dos sentidos, e se estabelece uma divisão, num piscar de olhos, entre a vida antiga e a nova.

A conversão desse tipo é uma fase importante da experiência religiosa, e por isso deve ser estudada criteriosamente.

Segundo Willian James, que se vale de diversos e atípicos casos para ilustrar os conceitos que se pode abstrair a partir da religiosidade, podemos concluir sem que paire dúvidas, que a conversão é um processo legítimo, que se dá através de alterações emocionais, e que ao ocorrer provoca transformações no convertido. Algo novo acontece e modifica o íntimo do indivíduo que a experimenta, provocando nele a sensação de tornar-se parte integrante da Divindade.

Parece haver uma seqüência lógica que se desenrola independente da vontade consciente do indivíduo. A conversão em si é instantânea.

Há uma distinção entre algumas religiões e seitas, que definem a maneira de lidar e interpretar a conversão. No catolicismo, bem como em segmentos Protestantes mais comuns, não se observa atenção ou importância ao imediatismo da conversão.Para elas os rituais, os procedimentos rotineiros da religião são o bastante.

No entanto outras religiões e seitas perceberam este detalhe e nele trabalham com muita atenção, observando a instantaneidade como característica da experiência em si.

O que fica bem claro é que quem passa pela experiência da conversão tem a clara noção de que experimentou um milagre e algo que não é natural.

Faz-se necessário compreender determinadas características afetivas e emocionais que se alteram quando se dá a conversão.

Podemos observar um sentimento de entrega total, um desligamento de toda

preocupação, o que provoca um sentimento de paz e harmonia. Há então a convicção da Graça, da Salvação, da Libertação dos entraves que aprisionam o interior do indivíduo em questão.

Há a sensação de perceber verdades que antes desconhecia. Aparentemente

Há uma certa lucidez que se manifesta na mente do convertido

Há uma percepção nova das coisas. Como se o cotidiano se transformasse ganhando uma nova conotação.A novidade parece mesclar o que antes era rotina.

Por fim surge o êxtase. Um sentimento de plenitude, de quase euforia que faz com que o convertido tenha nova perspectiva da vida, novos objetivos o que resulta em alguma mudança de comportamento da pessoa em questão.

Podemos então concluir, que a conversão se dá através de crises e que acarreta,

sem sombra de duvida, uma alteração na conduta de quem vivencia a experiência.

No entanto a transitoriedade ou permanência da experiência da conversão precisa ser considerada com redobrado zelo.

Importante é perceber, com profundidade, que esta experiência mostra ao ser humano, mesmo sendo de modo fugaz, o ponto culminante de sua capacidade espiritual, sem que se leve em consideração à duração da mesma.

A conversão é, portanto, uma experiência religiosa que pode e deve ser estudada para ser melhor compreendida.

Disso levanto uma questão relevante a nossa época.

Serão merecedoras de críticas e até um certo desprezo às diversas religiões que hoje se estruturam rapidamente, e seduzindo fiéis de todas as classes sociais, e promovendo em alguma medida uma alteração na condutas destes, o que resulta, mesmo que de forma passageira, em melhoria de qualidade de vida?

Aí reside um aspecto, no mínimo intrigante, deste fenômeno que vem se manifestando mais amiúde em meio à humanidade.

Priscila de Loureiro Coelho

Consultora de Desenvolvimento de Pessoas

Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 14/01/2005
Código do texto: T1575