Breviário

As voltas com as manhãs que a explodem sem pedir licença...desfilo

minhas noites disfarçadas de poesias...rabisco linhas e entrelinhas

nas prosas para embalar meus sentidos...

Não, não são melodias tristonhas, nem sonhos distantes, são só

ilusões da minh' alma menina que voam pelas cores e pelas palavras,

porque me sabem plantadora de sonhos ...

Me reconhecem os sons...os sentimentos e as emoções...em cada gesto,

em cada dia que me manifesto, eis que me tem as páginas desse

meu diário...como um breviário de mim, das minhas mazelas, das

minhas mais sinceras tatuagens, gravadas...tantas e tantas vezes

com lágrimas e tantas outras, menos notadas, e até mais

comprometidas, resumidas em risos fartos, ecoando pelas paredes

dessa celas.

Hilários gritos e muitos ritos, são os que escrevo com crueldade e

fidelidade; assim me descrevo e me circunscrevo

nessa doce prisão, nesse vício, de estar presente...paciente...tolerante...

nessa espera aflita de noites e dias livre de mim

...salva desse medo, mas não de mim e menos ainda

de ti...

Angélica Teresa Faiz Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Faiz Almstadter em 26/05/2005
Código do texto: T19933
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