Boa Noite, Ateneu...será?

Será mesmo? Quem como eu caminhar por esta casa

hoje talvez sinta a sensação que sinto invadir o meu peito...

abandono...é a casa está não só quieta...está abandonada

pelos moradores...há dias caminho por aqui desolada...

há comodos que nem se acende mais luzes...tanto tempo

que foi abandonado...cheira bolor...eu procuro uma

porta entreaberta um sorriso...as vezes encontro uma luzinha

fraquinha uma voz sumida e quando me aproximo...era

só um eco...o dono da voz já tinha partido...

Algumas pessoas deixam bilhetinhos...

a demonstrar que não partiram...apenas se ausentaram

um pouco...Eu sempre caminho por essa casa procurando

um rosto conhecido alguém que queira se sentar comigo

para bebericar um pouco de poesia...mas nem naquelas

mesinhas onde habitualmente encontro os

mais renitentes...há alguém...tudo vazio...empoeirando...

Andando por aí, pelos jardins...volta e meia encontro

aqueles que vieram colher uma flor...encontro na biblioteca

rastro de quem apanhou um livro...e deixou um recado

anotado no marcador...quando o telefone toca...

mensagens gravadas na secretária eletrônica...tão impessoal...

Na sala de estar...tudo está no mesmo lugar...

nem uma ruga no sofá...as cortinas fechadas

impedem o sol de entrar para iluminar...

Os risos partiram...sinto falta de gente

não de prateleiras para colocar poesias...

Esse é o retrato do Ateneu...infelizmente...e eu que

gosto de entrar nessa casa todos os dias abrir as janelas...

ligar o som...espanar a tristeza (embora as vezes ela venha comigo)

tenho andado sem ânimo de perambular por aqui...ouvindo o

eco da minha própria voz...

Vago por aqui...olhando pelas paredes...pelas frestas...

me dá um aperto no peito...saio sem nem sequer

fechar as portas ou apagar as luzes...

Angélica Teresa Faiz Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Faiz Almstadter em 03/06/2005
Código do texto: T21775
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