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Interpretação de texto para os alunos - continuidade

649)  ...que implicaria a possibilidade de redefinição do papel do Estado, e, conseqüentemente, do que se convencionou chamar de  sociedade civil. O uso de conseqüentemente indica que:
a) há mais de uma conseqüência da revisão da Carta Magna
b) a redefinição de sociedade civil está ligada à do Estado.
c) sociedade civil e Estado são elementos distintos.
d) a redefinição de sociedade civil implica a redefinição de Estado.
e) a redefinição de Estado cria a sociedade civil.
650)  Talvez seja mais sensato admitir que, nos últimos anos, e isso não somente no Brasil, mas em boa parte das sociedades  industrializadas, as fronteiras entre o público e o privado se modificaram de maneira radical,... Assinale o comentário correto sobre a frase destacada:
a) o autor apresenta sua opinião de forma peremptória.
b) o texto coloca o Brasil entre as sociedades industrializadas.
c) o autor afirma que há outras opiniões mais sensatas sobre o tema.
d) o texto indica a diferença entre o Brasil e as sociedades industrializadas.
e) no Brasil, as modificações não se processaram de forma radical.
651)  ...transformando os velhos parâmetros... O termo destacado na frase do texto não tem como significação adequada:
a) regulamentos
b) princípios
c) modelos
d) peças
e) leis
652) As críticas presentes no texto se dirigem claramente:
a) aos jornalistas
b) aos empresários
c) ao povo brasileiro
d) aos dirigentes do país
e) aos intelectuais
TEXTO XC
HISTÓRIA DE BEM-TE-VIS
Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente
pensa que passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outros até acham
que seja apenas antiguidade de museu. Certamente, chegaremos lá... mas,
por   enquanto,  ainda  existem  bairros   afortunados,   onde   haja   uma
5 casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom
será que essa árvore seja a mangueira: pois nesse vasto palácio verde
podem morar muitos passarinhos.
Os velhos cronistas encantaram-se com canindés e araras, tuins e
sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”
10   Nós esquecemos tudo: quando um poeta menciona um pássaro, o
leitor pensa que é literatura...
Pois há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que  está para
acabar. E é pena, pois, com esse nome que tem, e que é a sua própria voz,
devia estar em todas as repartições públicas (e em muitos outros lugares),
15 numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua
presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e
agradável que ninguém, decerto, se aborreceria.
Mas o que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as
mudanças que começo a  observar  na  sua  voz.  O  ano  passado,  aqui
20 nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi
caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas
tradicionais do seu nome. Limitava-se a gritar: “... te vi!... te vi!...” com a
maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações
andam muito rebeldes  e  novidadeiras,  achei  natural  que  também os
25 passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Mas logo a seguir, o mesmo passarinho - o seu filho, ou seu irmão,
como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? animou-se a
uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e gritava apenas,
daqui,  dali,  invisível  e   brincalhão: “... Vi! ...vi! ...vi!...” - o   que   me
30 pareceu ainda mais divertido.
O tempo passou. O bem-te-vi deve ter viajado; talvez seja
cosmonauta, talvez tenha voado com o seu time de futebol... Afinal tudo
pode acontecer com bem-te-vis tão progressistas, que rompem com o
canto da família e mudam os lemas dos seus brasões. Talvez tenha sido
35 atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e
disparam sem razão nenhuma contra o primeiro vivente que encontram.
Mas hoje tornei a ouvir um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-
bembem-...-te-vi!” Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva das
mangueiras!...” Depois o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te-...-vi!”
40    Tornei a refletir: “Deve ser pequenino e estuda a sua cartilha...” E o
passarinho: “Bem-bem-bem-te-te-te-vi-vi-vi...!”
Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou  raro. Eu
jamais tinha ouvido coisa igual. Mas as crianças, que sabem mais do que
eu, e vão diretas aos  assuntos,  ouviram,  pensaram,  e  disseram: “Que
45 engraçado! Um bem-te-vi gago!” Então, talvez seja  mesmo só
gagueira... (Cecília Meireles, Quadrante 2, Rio de Janeiro, 1963, com adaptações)
653) De acordo com a crônica, assinale a opção incorreta.
a) Os jovens andam contagiados por um novo estilo de vida.
b) Há uma tendência de que as pessoas esqueçam as coisas do passado.
c) Nas grandes cidades, só se vê passarinho no jardim zoológico e nos museus.
d) Os cronistas antigos ficavam admirados com a grande quantidade de pássaros existentes.
e) A autora insinua que o bem-te-vi deveria estar nas repartições públicas como
sinal de alerta.
654) Assinale a opção correta.
a) O cenário geral apresentado na crônica é uma pequena cidade do interior.
b) A mangueira é comparada a um “palácio verde” (linha 6) pela sua dimensão e pela cor de sua folhagem; nesse “palácio” podem se abrigar muitos passarinhos.
c) Os funcionários públicos ficariam contrariados, caso aparecesse um bem-te-vi na repartição.
d) A razão que leva a autora a acreditar que o bem-te-vi sumiu é o fato de ele ter parado de cantar na mangueira.
e) Está claro no texto que, na casa da autora, existiam muitas mangueiras.
655) Nos três últimos parágrafos, a autora fala de dois bem-te-vis diferentes. Assinale a opção que corresponde ao sentido contido nesses parágrafos.
a) A autora crê que os ornitólogos não sabem explicar ao certo o que aconteceu com o bem-te-vi.
b) A autora concorda plenamente com as crianças acerca da gagueira do bem-te-vi.
c) A autora tem certeza de que o primeiro bem-te-vi migrou para outra região.
d) O segundo bem-te-vi é experiente e bom cantador.
e) O segundo bem-te-vi modifica seu jeito de cantar.
656) Era “achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano” (linha 24/25), a expressão destacada corresponde semanticamente a:
a) pela modernidade
b) pela tradição
c) pela antigüidade
d) pela mudança
e) pela literatura
657)A locução verbal, formada por um verbo auxiliar e uma forma nominal, expressa os diversos aspectos do desenvolvimento da ação verbal. Assinale a opção em que a locução não corresponde ao aspecto verbal indicado.
a) “Com estas florestas de arranha-céus que  vão crescendo”  (linha 1) / ação progressiva
b) “Creio que está para acabar” (linhas 12 e 13) / ação iminente
c) “tudo pode acontecer” (linha 32/33) / ação possível
d) “Mas hoje tornei a ouvir” (linha 37) / ação iterativa
e) “O bem-te-vi deve ter viajado” (linha 31) / ação obrigatória
658) Em “Limitava-se a gritar:’... te vi!... te vi!...’ com a maior irreverência gramatical.” (linha 22/23), a autora refere-se
a) ao uso da linguagem coloquial
b) ao uso indevido da pontuação
c) à colocação do pronome em próclise
d) à colocação do pronome em ênclise
e) à articulação incorreta do bem-te-vi
TEXTO XCI
HOMEM NO MAR
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde. Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água. Ele usa os músculos com uma calma enérgica; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê, e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde  vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma velha missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses 50 ou 60 metros; isto me parece importante; é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem. É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo.  Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando - “vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o atingiu”. Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar  a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão. (Rubem Braga)
659) As ondas são várias vezes comparadas a bichos. Na visão do autor, o que as “animaliza” é:
a) a imagem entrecortada por árvores e telhados
b) a distância em que ele se encontra do mar
c) o vento que as empurra para a areia
d) o movimento do homem que nada
660) Para o autor, as ondas são classificadas como humildes porque:
a) são vistas de longe pelo autor.
b) ficam pequenas frente à grandeza do mar.
c) parecem subjugadas pelo vento nordeste.
d) obedecem à ordem para estourar na praia.
661) O autor, durante o texto, se transforma de espectador em químico e juiz. Esta mudança se dá, respectivamente, em:
a) ... “está nadando na praia deserta”... / ... “quando ele passou atrás das árvores”... / ... “a esse homem, a esse correto irmão”
b) ... “nade bem esses 50 ou 60 metros”... /... “a  imagem desse homem me faz bem”... / ... “e o perderei de vista”
c) ... “é um homem nadando” / “toda sua substância é água e vento e luz”... / ... “mas dou meu silencioso apoio”...
d) ... “nada a favor das águas” ... / ... “minha atenção e minha estima” ... / ... “um homem sozinho no mar”
662) “Ele usa os músculos com uma calma enérgica;...” Na afirmação do autor, há uma:
a) contradição, pois o adjetivo anula o sentido do substantivo
b) complementação, feita pelo autor, dele com o nadador
c) coerência de idéias, já que se trata de músculos
d) integração do homem com o mar
663) A admiração do autor pelo homem que nadava não está justificada em:
a) fazia uma coisa esteticamente perfeita.
b) lutava para ser mais forte que o mar.
c) mostrava virilidade em seus gestos.
d) havia grandeza na sua tarefa.
664) “Estou solidário com ele.” Segundo seu emprego, no texto, a palavra sublinhada é antônimo de:
a) indolente
b) preocupado
c) atormentado
d) descompromissado
665) A narrativa do texto nos é dada através de uma percepção que é:
a) táctil
b) visual
c) auditiva
d) sensitiva
TEXTO XCII
As condições em que vivem os presos, em nossos cárceres superlotados, deveriam assustar todos os que planejam se tornar delinquentes. Mas a criminalidade só vem aumentando, causando medo e perplexidade na população. Muitas vozes têm se levantado em favor do endurecimento das penas, da manutenção das penas, da manutenção ou ampliação da Lei dos Crimes Hediondos, da defesa da sociedade contra o crime, enfim, do que se convencionou chamar “doutrina da lei e da ordem”, apostando em tais caminhos como forma de dissuadir novas práticas criminosas. Geralmente, valem-se de argumentos retóricos e emocionais, raramente escorados em dados de realidade ou em estudos que apontem ser esse o melhor caminho a seguir. Embora sedutora e aparentemente sintonizada com o sentimento geral de indignação, tal corrente aponta para o caminho errado, para o retorno ao direito penal vingativo e irracional, tão combatido pelo iluminismo jurídico. O coro dessas vozes aumenta exatamente quando o governo acaba de encaminhar ao Congresso o anteprojeto do Código Penal, elaborado por renomados juristas, com participação da sociedade organizada, com o objetivo de racionalizar as penas, reservando a privação da liberdade somente aos que cometerem crimes mais graves e, mesmo para esses, tendo sempre em vista mecanismos de reintegração social. Destaca-se o emprego das penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade, a compensação por danos causados, a restrição de direitos etc. Contra a idéia de que o bandido é um facínora que optou por atacar a sociedade, prevalece a noção de que são as vergonhosas condições sociais e econômicas do Brasil que geram a criminalidade; enquanto essas não mudarem, não há mágica: os crimes vão continuar aumentando,  a despeito do maior rigor nas penas ou da multiplicação de presídios. (Adaptado de Carlos Weis. “Dos delitos e das penas”. Folha de São Paulo, Tendências e debates, 11/11 /2000)
666) O autor do texto mostra-se:
a) identificado com o coro das vozes que se levantam em favor da aplicação de
penas mais rigorosas
b) identificado com doutrina que se convencionou chamar “da lei e da ordem”
c) contrário àqueles que encontram nas causas sociais e econômicas a razão maior
das práticas criminosas
d) contrário à corrente dos que defendem, entre outras medidas, a ampliação da
Lei dos Crimes Hediondos
e) contrário àqueles que defendem o emprego das penas alternativas em
substituição à privação da liberdade
667) Considere as seguintes afirmações:
I. Não é mais do que uma simples coincidência o fato de que a intensificação das vozes favoráveis ao endurecimento das penas ocorre simultaneamente ao envio ao Congresso do anteprojeto do Código Penal.
II. A afirmação de que há vozes em favor da manutenção da Lei dos Crimes Hediondos deixa implícito que a vigência futura dessa lei está ameaçada.
III Estabelece-se uma franca oposição entre os que defendem a “doutrina da lei e da ordem” e os que julgam ser o bandido um facínora que age por opção.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em
a) I
b) II
c) III
d) I e II
e) II e III
668) Está corretamente traduzido o sentido de uma expressão do texto, considerando-se o contexto, em:
a) Embora sedutora e aparentemente sintonizada = Malgrado atrativa e parcialmente sincronizada
b) forma de dissuadir = modo de ratificar
c) tão combatido pelo iluminismo jurídico = de tal  modo restringido pelo irracionalismo jurídico
d) a despeito do maior rigor nas penas = em conformidade com o agravamento das punições
e) mecanismos de reintegração social = meios para reinserção na sociedade
669) Por “iluminismo jurídico” deve-se entender a
a) doutrina jurídica que defende o caráter vindicativo da legislação
b) corrente dos juristas que representam a “doutrina da lei e da ordem”
c) tradição jurídica assentada em fundamentos criteriosos e racionalistas
d) doutrina jurídica que se vale de uma argumentação retórica
e) corrente dos juristas que se identificam com o sentimento geral de indignação
TEXTO XCIII

AIDS: PAÍS PLANEJA TESE DE VACINA EM MASSA
Já começaram os preparativos para realizar no Brasil testes em larga
escala de uma vacina experimental contra a AIDS. Com financiamento de
US$ 1,8 milhão do Governo americano, o laboratório  de pesquisa em
Aids    do   Hospital   Clementino   Fraga    Filho    (URFJ)    inicia    em
5 abril a seleção de mil pessoas para determinar a incidência do HIV em
homossexuais e bissexuais de 18 a 35 anos, nos próximos três anos, e
avaliar um esquema viável de recrutamento de voluntários para testar
uma vacina em milhares de brasileiros.
Recentemente,   nos   Estados  Unidos,  uma  vacina  experimental
10 atingiu as condições exigidas para ser testada em  larga escala, mas
não havia infraestrutura para recrutar os cerca de 20 mil voluntários
necessários. Com esse projeto, queremos criar essa  infraestrutura no
Brasil antes que se desenvolva um produto eficaz -  explicou Mauro
Schechter, chefe do laboratório.
15    Os voluntários serão recrutados entre os indivíduos que procuram os
Centros de Testagem Anônima (CTA) do Hospital São Francisco de
Assis (UFRJ), do Hospital Rocha Maia e de Madureira (a ser
inaugurado). Os dois primeiros fazem entre 700 e mil testes de Aids por
mês. Em 15% do total, aproximadamente, o resultado é positivo. Todos
20 os indivíduos do grupo estudado que fizerem testes de HIV nos CTAs
serão informados sobre o programa e como podem participar.
- Comparando a quantidade de pessoas atendidas nesses centros
com o número das que se interessarem em participar de um teste em larga
escala,   avaliaremos   se   a   população   a   que   se   tem   acesso   é de
25 tamanho suficiente para o teste - disse.
Para determinar a incidência da infecção pelo vírus da Aids na
amostra selecionada, serão feitos, a cada seis meses, exames laboratoriais
para detectar a presença do HIV e de outros vírus causadores de doenças
sexualmente   transmissíveis no sangue dos voluntários. Com o   mesmo
30 intervalo de tempo, essas pessoas deverão responder a questionários
sobre seu comportamento com relação à Aids.
- O objetivo é saber quais são os fatores biológicos e
comportamentais que predispõem à infecção - informou Schechter.
Os    voluntários    terão    dois     médicos     à   disposição    para
35 esclarecimento de dúvidas sobre Aids e doenças sexualmente
transmissíveis. Além disso, poderão participar de oficinas sobre práticas
de sexo seguro e receberão preservativos para evitarem a contaminação
pelo vírus.
No   mês   passado,   a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz)
40  iniciou, em conjunto com a Secretaria de Saúde do Estado de São
Paulo e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um projeto
semelhante de verificação de incidência do HIV em homossexuais e
bissexuais entre 18 e 50 anos. Somente no Rio serão acompanhados 500
indivíduos durante um ano.
45    O projeto, que será estendido a mulheres e crianças, tem o apoio da
Organização Mundial de Saúde (OMS) e pretende fornecer dados
estatísticos sobre a propagação da Aids no país. Os resultados ajudarão a
calcular em que amostra da população deverão ser realizados os testes e
uma vacina anti-HIV em massa. (O Globo, 15/01 //95, p. 36)
670) O texto só não faz menção ao seguinte assunto:
a) esclarecimentos sobre doenças venéreas
b) estudo sobre o comportamento humano em relação à Aids
c) recrutamento de voluntários para uma vacina experimental
d) verificação da incidência da Aids nos chamados “grupos de risco”
e) o papel da Organização Mundial de Saúde no combate à Aids
671) Dentre as afirmativas abaixo, a que não se encontra no texto é:
a) Já há no Brasil um projeto que visa verificar a  incidência do HIV em determinada faixa da população.
b) Os questionários sobre comportamento poderão abrir caminho para uma nova droga contra a Aids.
c) Os testes em larga escala de uma vacina contra a Aids estão condicionados a um esquema eficaz de recrutamento de voluntários.
d) Os Centros de Testagem Anônima informarão aos interessados como poderão participar do teste de uma vacina contra a Aids.
e) A seleção das pessoas para a pesquisa do Hospital Clementino Fraga também servirá para que se avalie a aplicação dos testes de uma vacina em milhares de voluntários.
672) Segundo o texto, o convênio firmado entre a Fundação Oswaldo Cruz, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e a Universidade Federal de Minas Gerais visa atingir o seguinte objetivo:
a) Dar condições às demais instituições brasileiras para aplicar em voluntários os testes de uma vacina experimental contra a Aids.
b) Preparar a infraestrutura necessária para a aplicação da vacina experimental contra a Aids.
c) Levantar os fatores biológicos e comportamentais que predispõem o homem à infecção.
d) Estender a mulheres e crianças o teste de uma vacina experimental contra a Aids.
e) Verificar a incidência da Aids em um grupo de pessoas com características predeterminadas.
673) Segundo o texto, a distribuição de preservativos tem o seguinte objetivo:
a) Incentivar a prática do sexo seguro.
b) Preservar a contaminação dos voluntários.
c) Evitar a proliferação do vírus nos voluntários.
d) Preparar os voluntários para as oficinas sobre prática do sexo seguro.
e) Resguardar os voluntários de dúvidas quanto às doenças sexualmente transmissíveis.
674) Quanto ao teste a ser aplicado no Brasil, o texto afirma que:
a) sua aplicação está condicionada à criação de oficinas sobre práticas de sexo seguro.
b) serão feitos exames mensais para detectar a presença do HIV no sangue dos voluntários.
c) os voluntários serão escolhidos entre aqueles que procuram os Centros de Testagem Anônima.
d) seu objetivo é elaborar um questionário eficiente para levantar o perfil comportamental dos voluntários.
e) serão convocados dois médicos para esclarecer aos voluntários a melhor maneira de responder ao questionário sobre comportamento sexual.
675) A Organização Mundial de Saúde ofereceu apoio  ao projeto de que participa a seguinte instituição:
a) Hospital Rocha Maia
b) Hospital São Francisco de Assis
c) Hospital Clementino Fraga Filho
d) Universidade Federal de Minas Gerais
e) Centro de Testagem Anônima de Madureira
676) Segundo o texto, a vacina experimental norte-americana não foi testada devido ao seguinte fato:
a) Não houve possibilidade de recrutamento dos voluntários necessários.
b) A eficácia da vacina só poderá ser avaliada nos próximos três anos.
c) havia necessidade de se desenvolver um produto mais eficaz antes de levar adiante a experiência.
d) O financiamento de US$ 1,8 milhão foi concedido a uma instituição brasileira, o Hospital Clementino Fraga Filho.
e) Como os testes só poderiam ser aplicados em mais de mil pessoas, não havia infra-estrutura para tal empreendimento.
677) O texto informa que será possível saber se o número de pessoas disponíveis para o teste da vacina experimental é suficiente em função dos seguintes dados:
a) O número de pessoas atendidas nos Centros de Testagem Anônima e o número de pessoas interessadas em um teste de grandes proporções.
b) O percentual de homossexuais e bissexuais que será pesquisado, somado ao número de pessoas interessadas em vacinas experimentais.
c) O número de indivíduos excluídos dos Centros de  Testagem Anônima e o percentual de pessoas dispostas a participar de um teste em larga escala.
d) O percentual de indivíduos sadios que procuram os Centros de Testagem Anônima e o número de indivíduos que podem participar de testes em larga escala.
e) O número de pessoas infectadas que procuram os Centros de Testagem Anônima e o percentual de pessoas não-infectadas que se interessam pela pesquisa.
678) O texto informa que uma pesquisa acerca da incidência do HIV, a ser desenvolvida nos próximos três anos, será aplicada em:
a) mulheres e crianças
b) cerca de 20 mil voluntários
c) homossexuais entre 18 e 50 anos
d) homossexuais e bissexuais de 18 a 35 anos
e) voluntários que procuram os Centros de Testagem Anônima
679) O texto vincula a participação da Organização Mundial de Saúde em um projeto desenvolvido por entidades brasileiras na forma de um:
a) auxílio logístico
b) apoio institucional
c) incentivo pecuniário
d) amparo organizacional
e) assessoramento operacional
TEXTO XCIV
CONSUMIR NÃO É PECADO
A maneira como o consumo é visto no Brasil explica um bocado de coisas Muita gente no Brasil vê o consumismo como um gesto um pouco nobre. Atribuem-se à sua lógica coisas como a depauperação dos valores e o acirramento de desigualdades sociais. Essa postura  está refletida já em nosso  léxico. O verbo    “consumir”,       segundo       o     Aurélio,          5 significa: “1. Gastar ou corroer até a destruição; devorar, destruir,
extinguir [...] 2. Gastar, aniquilar, anular [...] 3. Enfraquecer, abater [...] 4.
Desgostar, afligir, modificar [...] 5. Fazer esquecer, apagar [...] 6. Gastar,
esgotar [...]”. Os sentidos são negativos; as condições, pejorativas. Não há
uma única referência à ideia de comprar ou adquirir. Muito   menos   uma
10 associação com o ato de satisfazer uma necessidade ou saciar um desejo.
Um marciano de boa índole, que tivesse chegado à Terra pelo Brasil e
estivesse estudando a humanidade munido da língua portuguesa, certamente
anotaria na agenda que “consumir” é uma das coisas ruins que se fazem por
aqui. (...)
15     Por que, enfim, tantas reservas em relação ao consumo?
O primeiro foco de explicação para essa antipatia reside no fato de que
nossa economia fechada sempre encurralou os consumidores no país. A
falta   de   um   leque   efetivo   de   opções   de compra tem deixado os
consumidores à mercê dos produtores   no Brasil.   Não por   acaso,   os
20 apologistas do consumo entre nós têm sido basicamente aqueles que
podem exercer seu inchado poder de compra sem tomar conhecimento
das fronteiras nacionais. O resto da população, mantida em situação
vulnerável, ignora os benefícios de uma economia baseada no consumo.
Mais do que isso, o entrincheiramento de consumidores no mercado
25 doméstico fez, ao longo dos anos, com que a própria imagem do
cliente se deturpasse no país. No capitalismo avançado, a oferta corre
atrás da demanda - o vendedor lisonjeia o comprador, trata-o bem,
estende à sua frente o tapete vermelho.
No   Brasil,   ao   contrário,   os   clientes   servem   às    empresas
30 documente. É como se o capital no país, ao produzir e vender, fizesse
um favor aos consumidores. Quem tem chiliques para ter seus caprichos,
desejos e necessidades atendidos por aqui são os produtores, e não os
clientes - um disparate. (...)
Só  se  pode  falar  efetivamente em  sociedade de   consumo   se   a
35 competição entre os produtores for aberta, aguda e justa. Essa é a
alavanca que coloca o consumidor no camarote, no centro e acima da
arena econômica. (...)
A segunda explicação para as travas brasileiras em  relação ao
consumo está no fato de que ele, enquanto acesso a benesses materiais,
40 sempre foi privilégio de poucos no país. Outra vez a estrutura social
fendida em dois extremos, que arquitetamos no passado, azucrina nosso
presente e atravanca nosso futuro. Com um detalhe: o aparecimento de
hábitos de consumo avançados nos últimos anos, na porção abastada da
sociedade brasileira, acarretou um aumento das  tensões  em  relação  à
45 porção destituída. (...)
Para responder a esse segundo foco de crítica, é necessário perceber
que uma sociedade de consumo não funciona se não se fizer extensiva a
todos os indivíduos. O acesso ao consumo é um direito individual  sine
qua non em uma economia desenvolvida. (...)
50   Ao transformar o sertanejo, o peão, o matuto em  consumidores, o
consumo se revela um método extremamente eficaz para integrar os
excluídos e estender a cidadania a todos os brasileiros. Passando ao largo
de discursos grandiloquentes e demagogias ocas, o advento de uma
sociedade    de     consumo    no     Brasil    funcionaria     como   atalho
55 econômico para a solução de muitas de nossas mazelas. (...)
(Adriano Silva-EXAME-3/12/97, adaptado)
680) Com a alusão às definições do verbo consumir, o autor pretende:
a) demonstrar o cuidado com o significado no uso de determinadas palavras.
b) enfatizar a idéia de consumismo como algo prejudicial à sociedade.
c) esclarecer qualquer dúvida que o leitor possa ter quanto à significação do termo.
d) explicar o comportamento preconceituoso de muita gente quanto ao ato de consumir.
e) mostrar a incoerência entre o significado do termo e o comportamento das pessoas.
681) Para o autor, o consumismo se constitui na(o):
a) maneira mais fácil de manipular as massas
b) forma de exacerbar os desníveis sociais
c) estratégia que transforma o consumidor em cidadão
d) estímulo à depauperação de valores
e) hábito característico de países do terceiro mundo
682) O texto aponta como uma das razões para a idéia deturpada de consumidor que há no país:
a) o entrincheiramento de consumidores no mercado doméstico
b) o advento de uma sociedade de consumo
c) a sociedade de consumo extensiva a todos
d) a transformação do sertanejo, do peão e do matuto em consumidores
e) discursos grandiloquentes e demagogias ocas
683) Segundo o autor, existe uma tensão entre a classe privilegiada e a classe
destituída. Essa tensão é causada por:
a) avanço cultural das classes abastadas
b) ignorância da porção destituída da sociedade
c) resistência da sociedade a uma economia desenvolvida
d) desigualdade de condições de acesso aos bens
e) travas brasileiras em relação ao consumo
684) A expressão “Não por acaso” (l. 19), ao iniciar o período, indica:
a) justificativa
b) ênfase
c) indagação
d) concessão
e) finalidade
685) Em “...o vendedor lisonjeia o comprador, trata-o bem, estende à sua frente o tapete vermelho.” (l. 27/28); estende o tapete vermelho seria uma comparação dos compradores a:
a) consumidores desatentos
b) apologistas do consumo
c) produtores vulneráveis
d) visitantes ilustres
e) empresários eficientes
686) A atitude dos produtores em relação aos consumidores e o fato de que só parte da sociedade tem a prerrogativa do consumo são apresentados pelo autor como:
a) motivos da demanda da parte vulnerável da população
b) conseqüências de uma apologia ao consumismo
c) explicações para as reservas em relação ao consumo
d) resultados da transformação dos destituídos em cidadãos
e) soluções para o acesso indiscriminado ao consumo
TEXTO XCV
MODERNIDADE É HUMANIDADE
Pensar qual o processo de desenvolvimento que queremos é um dos
pontos fundamentais da Ação pelo Emprego e o Desenvolvimento. Temos
uma massa de desempregados de “quarto mundo” enquanto a classe
empresarial,         ao           pensar          em             emprego,              pensa
5 em um mercado para país de “primeiro mundo”. Quando pensamos em
emprego pensamos em crescimento, em integração no processo produtivo?
O que passa exatamente pela cabeça da sociedade e dos empresários que
convivem com a fantástica situação dos países do primeiro mundo que têm
um PIB sensacional... e o desemprego igual?
10  O grande desafio colocado hoje, principalmente para a ciência e a
tecnologia, é: como podemos pensar uma sociedade onde haja lugar,
espaço e ocupação para todos os seus membros? Um processo capaz de
incorporar e não de excluir e marginalizar, até porque não inventamos
ainda uma sociedade onde 5% trabalham e 95% vivem de bolsa de estudo,
15 ou de bolsa de consumo. Seria uma forma de distribuir a riqueza, dar
“vale cidadania” pra todo mundo. O sujeito iria com o seu vale e teria
saúde, educação, bolsa de alimentação. Sem dúvida,  um quadro
formidável, mas totalmente irreal.
O    problema   imediato é   pensar   primeiro   o   desenvolvimento
20 humano. É essa a grande questão que desafia a ciência e, portanto, as
pesquisas e a tecnologia a terem como principal parâmetro a sociedade. Na
verdade, estamos diante de uma questão ética. A quem serve nosso
conhecimento? A quem serve a economia? Para quem exatamente
pensamos o desenvolvimento? Para darmos respostas a  estes   problemas,
25 fica impossível olhar pelo retrovisor. É preciso pensar o futuro, em
como reinventar a sociedade, isto é, as relações culturais e econômicas e as
relações de poder. Com essa visão, a ciência e a tecnologia podem
perfeitamente questionar o mundo atual e contribuir para criar um novo,
porque este, definitivamente, não está dando certo.
30    O que é importante perceber é que estamos hoje diante da consciência
de que o desenvolvimento humano se constitui no grande desafio
moderno. Modernidade é humanidade. E essa visão só  é possível para
quem pensa a sociedade do ponto de vista ético. (...)
Ironias     à     parte,    entendo    que,     deste    ponto     de    vista, a
35 contribuição das universidade e também do mundo empresarial, apesar
de sua visão imediatista e muito ligada ao primeiro mundo, é da maior
importância, porque, quando qualquer setor coloca como questão central a
estabilização da economia, faz aterrissar no centro de nossa agenda um
problema, quando a questão central é: como eliminar, num prazo digno, a
40 miséria, a indigência e a fome? E é para isso que  inteligências e
vontades têm que se dirigir.
Quando colocamos o emprego como arma contra a miséria,
apontamos caminhos e saímos Brasil afora cobrando essa resposta, porque
não temos mais tempo. Estamos correndo contra     o     tempo,      contra
45 esta tragédia que se estabeleceu no país. O Brasil não pode mais
aumentar a sua taxa de indigência, sua massa de indigentes. Não falamos
mais de pobreza e sim de indigência - o estado extremo da miséria.
A Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida e  a Ação pelo
Emprego e     o    Desenvolvimento    existem, crescem e ecoam hoje em
50 milhares de comitês, na mais densa corrente de solidariedade já
construída nos últimos tempos, porque - mesmo sabendo que está fazendo
o caminho da história pela contramão - a sociedade  brasileira confia na
mudança. (HERBERT DE SOUZA - Adaptado)
687) Pode-se depreender da leitura do primeiro parágrafo que:
a) há, no país, uma massa de desempregados de “quarto mundo” aguardando uma oportunidade de se incorporar à classe empresarial.
b) há um descompasso entre as expectativas dos empresários quanto ao mercado e o nível dos desempregados.
c) para o autor, é a massa de desempregados de “quarto mundo” que fará subir o PIB nacional.
d) ao pensar em mercado de primeiro mundo, a classe empresarial demonstra ignorar o problema do desemprego.
e) a Ação pelo Emprego e o Desenvolvimento foi criada para que pudesse haver a estabilização da moeda.
688) Em “Seria uma forma de distribuir a riqueza, dar ’vale cidadania’ pra todo mundo”. (/. 15/16), a expressão sublinhada reflete uma ironia do autor porque:
a) a cidadania não é conquistada através de um vale.
b) a riqueza, num país, distribui-se por meio de donativos.
c) a distribuição de vales não admite a exclusão social.
d) as bolsas de consumo propiciam as transformações sociais.
e) os subsídios desfazem a desigualdade social.
689) No quarto parágrafo o autor afirma: “Modernidade é humanidade. E essa visão só é possível para quem pensa a sociedade do ponto de vista ético.” (/. 32-33). Assinale a opção que NÃO confirma esta idéia.
a) Um país avança e se desenvolve satisfatoriamente quando há a adequada integração da sociedade ao processo produtivo.
b) Ciência e tecnologia constituem fatores indispensáveis ao desenvolvimento, se tiverem como parâmetro a sociedade.
c) O crescimento de um país se dá à medida que há a prioridade para o desenvolvimento humano.
d) O emprego deve ser sempre planejado em função do tipo de desenvolvimento que se quer para o país.
e) O crescimento de um país mede-se pelo comportamento de primeiro mundo, demonstrado pela sociedade.
690) Em “...e também do mundo empresarial, apesar de sua visão imediatista e muito ligada ao primeiro mundo...” (l. 35-36), a parte sublinhada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
a) quanto à sua visão imediatista
b) caso seja sua visão imediatista
c) em razão da sua visão imediatista
d) enquanto sua visão é imediatista
e) ainda que considerando sua visão imediatista
691) Leia atentamente a afirmativa:
A exclusão social poderá ser afastada pela. Analise os trechos abaixo, preenchendo os parênteses com (V) ou (F), conforme completem a afirmativa dada de modo verdadeiro ou falso, segundo o sentido geral do texto. A seqüência correta é:
( ) possibilidade de ocupação para todos os membros da sociedade
( ) distribuição equânime da riqueza
( ) alienação do indivíduo do processo produtivo
( ) eliminação da taxa de indigência
( ) volta aos processos de desenvolvimento do passado
a) F-V-V-V-F
b) F-F-V-F-F
c) V-V-F-V-F
d) V-V-F-V-V
e) V-V-V-F-V
692) Os textos I e II apresentam como preocupação comum o (a); (Para resolver esta questão,  é  necessário voltar ao texto anterior, n° XCIV, pois ambos pertencem à mesma prova.)
a) desenvolvimento da tecnologia
b) questionamento da modernidade
c) competição entre os produtores
d) distância entre as camadas sociais
e) distribuição de parcelas do poder entre as classes
TEXTO XCVI
A LIBERDADE E O CONSUMO
Quantos morreram pela liberdade de sua pátria? Quantos foram presos ou espancados pela liberdade de dizer o que pensam? Quantos lutaram pela libertação dos escravos? No plano intelectual, o tema da liberdade ocupa as melhores cabeças, desde Platão e Sócrates, passando por Santo Agostinho, Spinoza, Locke, Hobbes, Hegel, Kant, Stuart Mill, Tolstoi e muitos outros. Como conciliar a liberdade com a inevitável ação restritiva do Estado? Como as liberdades essenciais se transformam em direitos do cidadão? Essas questões  puseram em choque os melhores neurônios da filosofia, mas não foram as únicas a galvanizar controvérsias. Mas vivemos hoje em uma sociedade em que a maioria  já não sofre agressões a essas liberdades tão vitais, cuja conquista ou reconquista desencadeou descomunais energias físicas e intelectuais. Nosso  apetite pela liberdade se aburguesou. Foi atraído (corrompido?) pelas tentações da sociedade de consumo. O que é percebido como liberdade para um pacato cidadão contemporâneo que vota, fala o que quer, vive sob o manto da lei  (ainda que capenga) e tem direito de mover-se livremente? O primeiro templo da liberdade burguesa é o supermercado. Em que pesem as angustiantes restrições do contracheque, são as  prateleiras abundantemente supridas que satisfazem a liberdade do consumo (não faz muitas décadas, nas prateleiras dos nossos armazéns ora faltava manteiga, ora leite, ora feijão). Não houve ideal comunista que resistisse às tentações do supermercado. Logo depois da queda do Muro de Berlim, comer uma banana virou  ícone da liberdade no Leste Europeu. A segunda liberdade moderna é o transporte próprio. BMW ou bicicleta, o que conta é a sensação de poder sentar-se ao veículo e resolver em que direção
partir. Podemos até não ir a lugar algum, mas é gostoso saber que há um veículo parado à porta, concedendo permanentemente a liberdade de ir, seja aonde for. Alguém já disse que a Vespa e a Lambretta tiraram o fervor revolucionário que poderia ter levado a Itália ao comunismo. A terceira liberdade é a televisão. É a janela para o mundo. É a liberdade de
escolher os canais (restritos em países totalitários), de ver um programa imbecil ou um jogo, ou estar tão perto das notícias quanto um presidente da República - que nos momentos dramáticos pode assistir às mesmas cenas pela CNN. É estar próximo de reis, heróis, criminosos, superatletas ou cafajestes metamorfoseados em apresentadores de TV. Uma “liberdade” recente é o telefone celular. É o gostinho todo especial de ser capaz de falar com qualquer pessoa, em qualquer momento, onde quer que se esteja. Importante? Para algumas pessoas, é uma revolução no cotidiano e na  profissão. Para outras, é apenas o prazer de saber que a distância não mais cerceia a comunicação, por boba que seja. Há ainda uma última liberdade, mais nova, ainda elitizada: a internet e o correio eletrônico. É um correio sem as peripécias  e demoras do carteiro, instantâneo, sem remorsos pelo tamanho da mensagem  (que se dane o destinatário do nosso attachment megabáitico) e que está a nosso dispor, onde quer que estejamos. E acoplado a ele vem a web, com sua cacofonia de
informações, excessivas e desencontradas, onde se compra e vende, consomem-se filosofia e pornografia, arte e empulhação. Causa certo desconforto intelectual ver substituídas por objetos de consumo as discussões filosóficas sobre liberdade e o heroísmo dos atos que levaram à sua preservação em múltiplos domínios da existência humana. Mas assim é a nossa natureza, só nos preocuparmos com o que não temos ou com o que está ameaçado. Se há um consolo nisso, ele está no saber que a preeminência de nossas liberdades consumistas marca a vitória de havermos conquistado as outras liberdades, mais vitais. Mas, infelizmente, deleitar-se com a alienação do consumismo está fora do horizonte de muitos. E, se o filósofo Joãosinho Trinta tem razão, não é por desdenhar os luxos, mas por não poder desfrutá-los. (Cláudio de Moura Castro. Veja 1712,08/08/01)
693) O primeiro parágrafo do texto apresenta:
a) uma série de perguntas que são respondidas no desenrolar do texto
b) uma estrutura que procura destacar os itens básicos do tema discutido no texto
c) um questionamento que pretende despertar o interesse do leitor pelas respostas
d) um conjunto de perguntas retóricas, ou seja, que não necessitam de respostas
e) umas questões que pretendem realçar o valor histórico de alguns heróis nacionais
694) Nos itens abaixo, o emprego da conjunção OU (em maiúsculas) só tem nítido valor alternativo em:
a) “Quantos foram presos OU espancados pela liberdade de dizer o que pensam?”
b) “A segunda liberdade moderna é o transporte próprio, BMW OU bicicleta...”
c) “...de ver um programa imbecil ou um jogo, OU estar tão perto das notícias...”
d) “...só nos preocupamos com o que não temos OU com o que está ameaçado.”
e) “É estar próximo de reis, heróis, criminosos, superatletas OU cafajestes...”
695) O item abaixo que indica corretamente o significado da palavra em maiúsculas no texto é:
a) “...mas não foram as únicas a GALVANIZAR controvérsias.” discutir
b) “...comer uma banana virou um ÍCONE da liberdade no Leste europeu.” - fantasia
c) “...consomem-se filosofia e pornografia, arte e EMPULHAÇÃO.”; - grosseria
d) “...cafajestes METAMORFOSEADOS em apresentadores de TV.” desfigurados
e) “...que a distância não mais CERCEIA a comunicação...” – impede
696) “Como conciliar a liberdade com a inevitável ação restritiva do Estado?”; nesse segmento do texto, o articulista afirma que:
a) o Estado age obrigatoriamente contra a liberdade
b) é impossível haver liberdade e governo ditatorial
c) ainda não se chegou a unir os cidadãos e o governo
d) cidadãos e governo devem trabalhar juntos pela liberdade
e) o Estado é o responsável pela liberdade da população
697) “O primeiro templo da liberdade burguesa é o supermercado. Em que pesem as angustiantes restrições do  contracheque, são as prateleiras abundantemente supridas que satisfazem a liberdade  do consumo...”; o segmento sublinhado corresponde semanticamente a:
a) as despesas do supermercado são muito pesadas no orçamento doméstico.
b) os salários não permitem que se compre tudo o que se deseja.
c) as limitações de crédito impedem que se compre o necessário.
d) a inflação prejudica o acesso da população aos bens de consumo.
e) a satisfação de comprar só é permitida após o recebimento do salário.
698) “Não houve ideal comunista que resistisse às tentações do supermercado”; com esse segmento do texto o autor quer dizer que:
a) todo ideal comunista se opõe aos ideais capitalistas.
b) a ideologia comunista sofre pressões por parte dos consumidores.
c) os supermercados socialistas são menos variados que os do mundo capitalista.
d) o ideal comunista ainda resiste à procura desenfreada por bens de consumo.
e) as tentações do supermercado abalaram as estruturas capitalistas.
699) “É a liberdade de escolher os canais (restritos em países totalitários)....”; o segmento sublinhado significa que:
a) nos países totalitários a censura impede o acesso à programação capitalista.
b) o número de canais disponíveis é bem menor do que nos países não-totalitários.
c) a televisão, nos países totalitários, é bem de que só poucos dispõem.
d) nos países totalitários todos os canais são do sistema de TV a cabo.
e) nos países totalitários, a TV não sofre censura governamental.
700) “...consomem-se filosofia e pornografia, arte  e empulhação”; a forma abaixo que modifica o sentido desse segmento do texto é:
a) filosofia e pornografia, arte e empulhação são consumidas.
b) consomem-se não só filosofia e pornografia, como também arte e empulhação.
c) consome-se filosofia e pornografia, arte e empulhação.
d) consomem-se filosofia, pornografia, arte e empulhação.
e) filosofia e pornografia são consumidas como arte e empulhação.
701) “Essas questões puseram em choque os melhores  neurônios da filosofia...”; esse segmento significa que:
a) os maiores filósofos se opuseram nas discussões sobre liberdade.
b) a liberdade e o consumo sempre foi motivo de discussão entre filósofos.
c) as questões citadas foram motivo de muitas preocupações filosóficas.
d) os filósofos brigaram entre si por causa da liberdade de consumo.
e) as perguntas sobre liberdade foram respondidas pelos melhores filósofos.
702) O item em que NÃO está presente uma crítica do jornalista é:
a) “Foi atraído (corrompido?) pelas tentações da sociedade de
consumo.”
b) “...vive sob o manto da lei (ainda que capenga)...”
c) “...de ver um programa imbecil ou um jogo,...”
d) “...consomem-se filosofia e pornografia, arte e empulhação.”
e) “O primeiro templo da sociedade burguesa é o supermercado...”
703) “O que é percebido como liberdade para um pacato cidadão contemporâneo que vota, fala o que quer, vive sob o manto da lei (ainda que capenga) e tem o direito de mover-se livremente?”;  segundo o texto, a resposta abaixo que é INADEQUADA é:
a) a liberdade de consumo
b) a liberdade de movimento
c) a liberdade de comunicação
d) a liberdade política
e) a liberdade religiosa
704) O item em que o autor do texto NÃO faz crítica direta ou indireta aos regimes não-democráticos é:
a) “Não houve ideal comunista que resistisse às tentações do supermercado.”
b) “Logo depois da queda do Muro de Berlim, comer uma banana virou um ícone da liberdade no Leste Europeu.”
c) “Alguém já disse que a Vespa e a Lambretta tiraram o fervor revolucionário que poderia ter levado a Itália ao comunismo.”
d) “Como conciliar a liberdade com a inevitável ação restritiva do Estado? Como as liberdades essenciais se transformam em direitos do cidadão?”
e) “É a liberdade de escolher os canais (restritos em países totalitários), ...”
705) “Mas, infelizmente, deleitar-se com a alienação do consumismo está fora do horizonte de muitos.”; o comentário adequado a esse segmento do texto é:
a) “infelizmente” revela uma opinião do jornalista  sobre o enunciado no segmento do texto.
b) o consumismo é visto como fonte de alienação.
c) muitos desejam ser consumistas, mas não podem sê-lo.
d) o consumismo é também produtor de prazer para muitos.
e) os “muitos” a que se refere o texto são os que vivem em regimes não-capitalistas.

Gabarito das questões
627 e 628 d  629 b  630 d 631 a  632 e  633 b  634 c  635 c  636 a  637 a  638 d  639 b  640 a 641 d  642 b  643 d  644 a  645 b  646 b  647 e 648 b  649 b  650 b 651 d  652 d  653 c 654 b  655 e  656 a  657 e  658 c  659 c  660 c 661 c 662 a  663 b  664 d  665 b  666 d  667 b  668 e 669 c 670 e 671 b  672 e  673 c  674 c  675 d  676 a  677 a  678 d  679 b  680 d 681 c 682 a  683 d  684 a  685 d  686 c 687 b  688 a  689 e 690 e 691 c  692 d  693 d  694 b  695 e  696 a  697 b  698 b  699 b  700 e 701 a  702 e 703 e 704 d  705 e 706 c 707 b  708 e 709 b  710 c 711 b  712 a  713 b  714 a  715 b  716 d  717 b  718 d  719 b  720 c 721 c 722 b  723 a  724 b  725 a  726 d  727 d  728 c 729 e 730 c 731 b  732 b  733 b  734 e  735 d  736 d  737 d  738 b  739 d  740 d

Continuação de textos para interpretação está em:
http://www.analisedetextos.com.br/2010/06/113-exercicios-de-interpretacao-de.html
Vários em http://www.analisedetextos.com.br/2010/06/113-exercicios-de-interpretacao-de.html
Enviado por J B Pereira em 02/08/2012
Código do texto: T3810523
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Sobre o autor
J B Pereira
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J B Pereira