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O Revanchismo da Virtual Guerra Fria

A realidade está imersa em uma rede infinitamente complexa que potencializa um mosaico de discursos e conteúdos variados e de toda ordem com prerrogativas que beiram o extremismo ideológico, religioso e político. A conectividade do mundo atual inaugura múltiplas percepções sobre a existência humana na sua concepção filosófica e cultural. Há uma aceitação de modelos epistemológicos (teorias do conhecimento) que perpassam os argumentos do modelo científico tradicional às hipóteses da pseudo-ciência, navegando em assertivas espiritualistas entre o aceitável e o absurdo. O protagonismo que a difusão das redes sociais propiciaram estabelece limites inatingíveis de interatividade relacionadas as causas humanitárias mais nobres em contrapartida da propagação da violência e do sexismo. Dilemas recriados pelo contraditório avanço tecnológico que privilegia os trustes das potências econômicas internacionais. Imersos em universos paralelos, do virtual ao real, nunca se debateu tanto sobre política e assuntos afins. Os filósofos gregos da antiguidade clássica ficariam com inveja com tamanho poder de abstração dos internautas e seu exercício de cidadania. Bastiões da verdade, da justiça e da ética, utilizam técnicas aperfeiçoadas da Contra Reforma no período feudal e procuram a catequese em massa por meio de afirmações bestiais, intrusivas e impositivas. É impressionante o nível dos debates nas redes sociais, onde as pessoas revelam seu desenvolvimento intelectual baseado na superficialidade de informações e falta de respeito e compreensão, elementos que elevam uma saudável discussão. A dialética é negligenciada em nome da brutalidade e agressões morais e psicológicas. No descortinar da Era da Imbecilidade apresenta-se  uma guerra fria no campo virtual. Perseguição aos socialistas como se fossem hereges do neoliberalismo. A Guerra Fria (1945-1989) foi um período na História recente de grandes transformações sociais, culturais e políticas. O movimento estudantil e contra cultural, a conquista do espaço, ditaduras militares, experiências socialistas, os conflitos na Palestina e o Neocolonialismo no continente africano no pós II Guerra Mundial são algumas características. Um período histórico marcado pelo embate entre a política imperialista estadunidense e o totalitarismo da URSS simbolizado pela cortina de ferro do Muro de Berlim e as ameaças nucleares. É perceptível que os debates mundanos na internet são balizados pela falta de consciência histórica ou uma compreensão aprofundada sobre os conceitos de capitalismo, socialismo e comunismo como diferentes modos de produção e sistemas econômicos. A fragilidade teórica que permeia os “politizados do Facebook” desnuda uma sociedade que adoece mergulhada em crises de identidades em momentos de recessão. O estudo da História aponta que os governos totalitários surgem em épocas de severas crises econômicas, a exemplo do “Crash” a Grande Depressão em 1929 na Bolsa de Nova York nos EUA e a ascensão do Nazismo e do Fascismo na Europa nas décadas posteriores. A sociedade de base comum e economia planificada como propõe o sistema comunista ainda não existiu na História da Humanidade, houve o registro de experiências socialistas que acabaram em ditaduras de Estado, considerado um estágio intermediário entre os resquícios do sistema capitalista e início do comunismo. E invariavelmente, a superação do capitalismo será o comunismo como forma de evolução da espécie humana diante de um contexto mais severo de aniquilação do planeta Terra e seus recursos. Os direitos civis, sociais e trabalhistas foram frutos da luta de militantes socialistas e anarquistas e não dos detentores dos meios de produção. A cada dia que passa a classe trabalhadora sofre com a perda dos direitos historicamente conquistados. A agenda neoliberal e o Estado Mínimo massacram cotidianamente milhões de pessoas nos direitos básicos e fundamentais como nos campos da saúde e da educação. Portanto, para aprimorar o debate devemos procurar boa fundamentação ao invés de esbravejar insultos na perseguição aos comunistas (utópicos ou científicos) no revanchismo da virtual Guerra Fria. Em momento real no computador ou no celular, somos bombardeados com o massacre em Aleppo na Síria e acompanhamos a extinção de importantes serviços públicos de fomento a cultura e à ciência no estado do Rio Grande do Sul, enquanto se dissemina a violenta repressão aos movimentos sociais e servidores públicos. O tempo é agora para superarmos a exploração do trabalho, as divergências ideológicas e estabelecermos os pontos programáticos que servirão de pilares para o modelo de sociedade do futuro onde a preservação ética de todas as formas de vida seja a verdadeira prioridade ou a bomba atômica da intolerância irá nos exterminar!

Publicado em Jornal Litoral Norte RS e Jornal A Folha/ Torres.
Leonardo Gedeon
Enviado por Leonardo Gedeon em 22/12/2016
Reeditado em 22/12/2016
Código do texto: T5860849
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Leonardo Gedeon
Torres - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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Leonardo Gedeon