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OBREIROS DO SENHOR OU MASSA DE MANOBRA?

Análise comportamental dos que fazem a “obra de deus”
*Por Antônio F. Bispo
   A quem estão servindo aqueles que voluntariamente se intitulam ou foram nomeados de obreiros do senhor? O que eles irão ganhar com isso? Qual a recompensa para funções ministeriais de uma igreja voltadas apenas para rituais litúrgicos em torno de seres do imaginário coletivo e de seus gananciosos representantes? Dá pra gerar algum benefício social duradouro apenas prestando culto a seres metafísicos? Estas pessoas estão realmente “servindo a deus” ou estão apenas servindo ao seu próprio ego carente de reconhecimento, sendo lastro financeiro e massa de manobra para a construção de um império pessoal de seus líderes?
   Acreditar que os problemas pessoais e sociais ou a “salvação” das pessoas se resolvem orando, sendo subserviente e dando 10% do seu faturamento a um líder religioso qualquer é tão eficiente quanto tentar curar enfermos dando likes em fotos postadas em redes sociais. Só quem lucra é o dono da página, nesse caso o que comanda a igreja!
   Já citei em outras ocasiões, quem em grandes centros desenvolvimento humano, as pessoas são incentivadas a desenvolverem sua CAPACIDADE, ou seja, habilidades para realizarem algum oficio por meio de treinamentos técnicos ou de estudos científicos ensináveis e aprendíveis. Nas igrejas as pessoas são incentivadas a desenvolverem sua “CAPACHIDADE”, ou seja, habilidade de serem capachos, servos incondicionais de alguém relacionado a cadeia hierárquica da igreja qual fazem parte, como se isso fosse o maior de todos os atributos já alcançados por um ser inteligente.
   A subserviência incondicional as lideranças é o caminho para se alcançar a “graça de deus”. Incentivar outros a serem de igual modo subservientes é a chave para quem deseja subir de função nessas casas. O mérito usado para ascensão nesses lugares resume-se em ser capacho e domesticar pessoas para serem ovelhas. Quem aprende isso e aceita esse tipo de jogo poderá faturar muito dinheiro ou prestigio social entre os que ainda estão nesse nível de mentalidade.
   Certamente esse termo “capachidade”, não existe no dicionário, pelo menos nesse sentido. Pelo menos eu não o achei, mas tento exprimir com essa palavra, as loucuras que as pessoas fazem em nome da fé, quando se juntam a agrupamentos religiosos e abandonam o controle de suas vidas entregando-o a outras pessoas em troca de reconhecimento diante do grupo. Ser chamado de gente boa, obreiros do senhor, missionários, pessoa de fé, homem ou mulher de deus, é o que essas pessoas mais desejam. Os líderes criam um vazio existencial nas pessoas, e depois prometem preenche-lo com “jesus”, ou algum cargo na igrejas se as pessoas forem submissas e operarem no modo zumbi para com eles o tempo todo.
  O tráfico de entorpecentes funciona de modo semelhante. Pegam pessoas livres, prometem “viagens” e experiências incríveis, e depois do primeiro trago quase não se dá pra voltar. O usuário passa a fazer parte de uma cadeia de consumo, dando lucro a uma hierarquia de líderes, se tornando cada vez mais dependente do sistema, entrando em conflito com todos ao seu redor que digam que eles estão no caminho errado, se desfazendo inclusive de tudo que tem para manter o vício.
  Os que de certa forma “vendem a jesus” como um produto comercial, querem causar o mesmo tipo de dependência, pois classificam pessoas livres e normais como sendo pecadoras e destinadas ao inferno, oferecem a salvação, curas e soluções de problemas e a moeda de troca é a obediência cega as lideranças, um percentual mensal dos seus rendimentos e o consumo diário dos produtos e serviços ungidos fornecidos por esses clubes chamados de casa de deus. Nesse ponto, a “fé” tem o mesmo efeito psicológico dos entorpecentes, pois causa medo, dependência química no organismo e para manter o vício de estar na “casa de deus”, fazendo suas apostas dando X para receber um duplo X, as pessoas chegam a vender tudo o que tem entregando “tudo ao senhor” e são capazes de brigar com todos os que dizem que elas estão erradas, e ainda por cima tentam convencer a todos que estão ao redor a agirem de modo igual.
   Algumas destas se tonam violentas e agressivas, causando desconforto no trabalho, em casa, na escola e em qualquer lugar, tentando impor seu ponto de vista a todos sem opção de escolha. O pior de tudo é que enquanto o vício de entorpecentes é considerado ilegal e condenável, os que viciam os outros com “entorpecentes da fé”, são aplaudidos e elogiados pelas autoridades locais, sendo que seus efeitos podem ser tão prejudiciais quanto o primeiro citado.
  Os melhores dias da vida de uma pessoa podem estar sendo desperdiçado dentro de uma igreja “servindo ao senhor”, quando estas estão prestando serviços inúteis voltado apenas para ritos litúrgicos, proselitismo, consumo de bugigangas ungidas e desejo de crescimento do “reino de deus” (ministério qual fazem parte). As pessoas poderiam estar estudando, se aperfeiçoando em algo, agregando valor financeiro ou cultural de algum modo, criando algum outro tipo de vínculo realmente eficiente e justo, mas estão ali, “servindo ao senhor”, esperando sua vinda, ameaçadas todos os dias, enquanto alguém as chama de ovelhas e as tratam como se realmente fossem.
    De certo modo, só seria possível “servir ao senhor”, tornando sagrado nossas relações uns com os outros, sendo fiéis nos tratos e nos ajudando mutuamente a sair da miséria, da pobreza, da ignorância e da servidão em nome dos deuses. Fora isso, tudo que diga respeito a “servir ao senhor” não passa de engodo, um meio de tornar cativo as massas, tomando destas pessoas sua privacidade, sua personalidade e seus recursos financeiro em nome de um deus qualquer e inserindo nessas pessoas o medo absurdo do inferno e de maldições imaginárias caso estas se recusem a obedecer seus condutores.
  Um deus tão poderoso como dizem ser o deus cristão e tantos outros da mesma linha, não precisaria de servos para nenhum propósito que desejasse executar e nem tão pouco de escravos para fazer o serviço pesado em nome deles. Como dizem que ele tudo pode e nós nada somos, essa ação de servir deveria ser inversa, ele servindo a nós, resolvendo e pacificando os conflitos pessoais, sociais e coletivos e não nós vivermos travando guerras inúteis e constantes em nome dele.
   Entre aqueles que se juntam ao corpo de obreiros de uma igreja, uma grande maioria são pessoas de mente pequena e ego grande, com algumas necessidades urgentes de reconhecimento pelo que fazem ou desejo de domínio sobre outros, e enxergam nesse tipo de serviço uma excelente oportunidade de extravasar tudo que de mal há dentro de si, aproveitando-se dessa função para expor como são internamente medíocres, e ainda mentem  a elas mesmas dizendo que estão fazendo o bem a outrem ou sendo útil a uma causa nobre quando na verdade não estão.
  Como capatazes, eles serão escravos que escravizam outros escravos em busca de um bocado a mais de comida, uma posição de destaque, um tapinha nas costas ou reconhecimento do seu senhor andando ao seu lado e comendo dos seus sobejos, vivendo à sombra de pessoas mesquinhas, quando poderiam ser astros com luz própria, iluminando o caminho da ignorância de tantos outros.
  O prazer destes se constitui em entregar sua vida em servidão total as pessoas com essas mesmas qualidades doentias que ele, só que em níveis superiores que já subiram na hierarquia por manterem tais comportamentos, e do mesmo modo esses principiantes veem na subserviência total e irrestrita o caminho para sua ascensão. O pior dos escravos é o que escraviza seu próprio povo em troca de recompensas ao invés de juntar forças com o grupo e se rebelar contra quem os explora.
  Há ainda outras pessoas (pouquíssimos), que assumiram funções em uma igreja com pensamentos realmente altruístas, como desejo de servir ao povo e não aos líderes eclesiásticos tendo a fantasiosa ideia de que podem ser útil a toda sociedade de modo geral independente de recompensas, reconhecimentos ou remunerações financeiras. Digo fantasiosas por que não dá pra ter atitudes puramente altruístas vivendo sob aprovação de pessoas egoístas.
   Essas raras pessoas de quando em quando estarão entrando em choque com os seus líderes, tentando combater a exploração do povo ou defender de forma genuína a ideia do sagrado entre eles, por isso logo serão vítimas de todo tipo de artimanhas malignas de outros obreiros inclusive do próprio líder por ser diferente e querer fazer o certo de modo certo, por desejar ser integro e verdadeiro em suas ações e intenções mesmo quando não estão sendo monitorados.
  Geralmente são pessoas de conduta ilibada dentro e fora do “cercadinho da fé”, com uma forte tendência ao carisma popular e por esse motivo, a principal arma que os abutres que os cercam utilizam para derrubá-lo é a ferramenta da calunia, difamação e distorção de frases ditas, conseguindo voluntariamente ou comprando testemunhas falsas que “comprovem” desvio de conduta, promiscuidade ou “heresias” para que a imagem deste seja destruída e os que se sentiam ameaçados pela postura desse possam triunfar com a sua queda. É um alívio para pessoas de má fé, quando uma pessoa de boas intenções abandonam ou são expulsas do grupo.
   CONTINUA...
Texto escrito em 2/12/17
*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.
Ferreira Bispo
Enviado por Ferreira Bispo em 03/12/2017
Código do texto: T6189229
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Sobre o autor
Ferreira Bispo
Cristinápolis - Sergipe - Brasil, 35 anos
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Ferreira Bispo