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MARCHAS DE SELMA A MONTGOMERY - PARTE II

Nosso Deus está Marchando

Ontem eu escrevi sobre as marchas de Selma a Montgomery de 1965 onde aconteceram três manifestações. A última marcha ocorreu em 18 de fevereiro de 1956, e foi chamado de “Domingo Sangrento”. Ali tropas avançaram com gás lacrimogênio e cassetetes em um grupo de cerca de 550 manifestantes. 17 foram hospitalizados, e diferente das marchas anteriores, nenhum manifestante morreu. No entanto, havia um fator importante diferente nesse caso: a presença de redes televisivas registrando a crueldade. Imagens como a de Amelia Boyton Robinson (abaixo) rodaram o país e o mundo.

Uma semana após, os manifestantes conseguirem finalmente o direito judicial de marchar, em 21 de março, domingo, eles iniciaram a terceira marcha, que só foi concluída após 3 dias na cidade de Montgomery. No dia 25 de março, em frente ao capitólio do estado do Alabama, Martin Luther King realizou mais um de seus discursos memoráveis de título “How long? Not long.” (“Quanto tempo? Não muito”), mas mais conhecido como “Our God is Marching On” (“Nosso Deus está marchando”). Descrevo a tradução de alguns trechos deste discurso abaixo, pensando sobre os dias atuais:

“… Eu posso dizer, como a Irmã Pollard disse – uma senhora negra de 70 anos de idade que viveu nessa comunidade durante o boicote do ônibus – e um dia, ela foi perguntada enquanto andava se ela não queria uma carona. E ela então respondeu, “Não”, a pessoa disse “Bom, você não está cansada?” E com sua profundidade não gramatical, ela disse: “Meus pés estão cansados, mas minha alma repousa”. E em um sentido real, esta tarde, podemos dizer que os nossos pés estão cansados, mas nossas almas repousam…”

Enquanto a igreja do Séc XXI briga por cargos, e para dizer quem é a maior, a Irª Pollard nos dá uma lição, dizendo: Meus pés não estão cansados de ficar brigando com irmãos na igreja por causa de cargos, ou outra coisa; meus pés não estão cansados, porque estou esperando a minha oportunidade; meus pés não estão cansados, porque ninguém me visita; meus pés não estão cansados, porque a igreja decidiu viver egoisticamente, ou seja, cada um em seu mundo; meus pés não estão cansados, porque vivo falando que os outros estão errados e eu estou certo. Meus pés estão cansados, porque luto por uma causa, razão, princípio, e por um motivo. Como o Apóstolo Paulo ela estava dizendo: “Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, e isso, para obter uma coroa que logo se desvanece; no entanto, nós nos dedicamos para ganhar uma coroa que dura eternamente” – I Cor 9.25.

“Meus pés estão cansados, mas minha alma repousa”, porque estou fazendo o que é certo, estou fazendo o que o meu Senhor faria, estou lutando não para dizer a este mundo que sou grande, mas para engrandecer o nome daquele que é vivo. Enquanto esta Igreja estava em movimento, parece que nós estamos estacionados, vivendo de escândalos e inserindo o nosso nome em uma história que parece contar somente com os remanescentes.
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Você pode ver o filme: Selma, na Netflix...
Prof William Paixão
Enviado por Prof William Paixão em 11/06/2018
Código do texto: T6361217
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof William Paixão
São João de Meriti - Rio de Janeiro - Brasil
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