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O que é o amor e o que é a paixão

Centenas de anos antes de Cristo, filósofos e poetas se reuniram em Atenas para um banquete. Cada um dos participantes fez um discurso para enaltecer o amor e dizer o que ele é. Sócrates era um dos participantes. Platão escreveu um livro sobre esse encontro. Mas não vou falar sobre esse livro, nem a respeito desse encontro. Estou introduzindo este texto mencionando uma das obras clássicas da Filosofia de tentativa de definir o amor, o livro "Banquete", de Platão, o mais brilhante e famoso discípulo de Sócrates. Afirmo que o amor é indefinível. O amor deve e merece ser vivido e enaltecido.

Segundo concebo, o amor é algo nobre. Amar demonstra maturidade e equilíbrio. Quem ama não coloca o orgulho pessoal acima do amor, pois o amor é o principal. Amar é essencial.

Pessoas imaturas e orgulhosas não amam, pois amar exige humildade no coração. Quem ama se dispõe a ajudar a pessoa amada, mas deixa a pessoa amada livre para aceitar ajuda ou não. Deus nos ama.

É possível viver sem amar, mas não acredito que quem não ama seja verdadeiramente feliz. Quem ama sente falta quando não tem quem se ama, mas vive bem, porque o Universo age a favor de quem ama. Ademais, quem ama está em equilíbrio, faz bom uso da razão.

Não confunda amor com paixão. "O apaixonado está 'por baixo', perdeu o controle das situações e o autocontrole, sente-se agarrado e desgarrado, não mais sabe o que lhe acontece", como diz Madeleine Arondel-Rohaut, em seu livro "Exercícios filosóficos". Segundo Madeleine, "o apaixonado ... vê-se entorpecido e em situação de equilíbrio instável no ambiente em que vive... Como se estivesse num estado 'subvital', o apaixonado cai para um nível inferior àquilo que faz referência ao ser humano normal: sem palavras ou quase, sem domínio de seus sentimentos que invadem e governam o pensamento, ele está desprovido de raciocínio, na animalidade ou no infantilismo afetivo de seus impulsos em estado bruto. Apaixonar-se tem então o efeito de uma 'queda', do abandono de um estado superior, em que o apaixonado é derrubado por algo que se passa nele (sem a participação dele), em que ele abdica de si mesmo. Em outras palavras, a natureza assume o posto da razão. A partir daí, tudo é possível, inclusive 'entrar em queda vertiginosa'! Cair aos pés do ser amado, tornar-se seu escravo, é também renunciar àquilo que constitui a grandeza e a dignidade do ser humano: a liberdade".

A paixão é o amor (eros) platônico: carência, falta, desejo de possuir a pessoa amada. Atenção: O senso comum usa a expressão "amor platônico" em outro sentido, e dicionários de Língua Portuguesa registram esse sentido usado pelo senso comum: amor sem desejo sexual. Platão apresenta, ainda, outros aspectos e/ou fases do amor. Não vou aprofundá-los aqui. Estou alertando.

Paixão, etimologicamente, significa sofrer, padecer, passividade, sofrimento. O apaixonado sofre.

O filósofo André Comte-Sponville afirma: "O amor é que faz viver, já que é ele que torna a vida amável. É o amor que salva. É ele, portanto, que se trata de salvar.

Eu já escrevi muitos textos sobre o amor. Os filósofos já escreveram muito sobre esse assunto. Mas eu vou citar o apóstolo Paulo, para quem "o amor é paciente, prestativo, não é invejoso, não se incha de orgulho; não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor... Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará". Eu vejo que as mães são a maior prova desse amor, porque vem de Deus.

Segundo uma pesquisa de sociólogos da Universidade de Harvard, "o amor tem um poder inigualável". O amor "é a força que une o mundo e tudo que nele existe. É a força que estabiliza, harmoniza, equilibra, acomoda e que está sempre em atividade por todo o Universo", conforme as palavras de Maria Luiza Silveira Teles, falando a respeito da pesquisa mencionada. Segundo essa professora e escritora, em seu livro "Filosofia para jovens: uma iniciação à filosofia", "a vida é sempre um processo de dar e receber amor, em todos os aspectos. O amor, tudo indica, é uma luz radiante que abrange, brilha, ilumina e eleva... Todos nós temos necessidade de amar, de nos sentir amados, estimados, valorizados e importantes. Por isso, é fundamental que o amor seja expresso através de palavras, gestos, atos e carícias. Muitas vezes, é a falta desta expressão que leva os relacionamentos a graves problemas". Ela diz: "O amor parece ser a fonte da vida, a força coesiva que mantém o equilíbrio do Universo, que governa as leis que regem o macro e o microcosmo, a luz que, digamos, sabemos hoje, existe dentro de cada célula".

Falta amor no mundo. Falta amor à vida, ao ser humano. Falta amor a si mesmo. Quem ama sente a necessidade de perdoar, porque quem ama deseja ajudar, e não condenar. Só quem ama perdoa e conhece o ser humano. Quem não ama não se conhece, nem conhece o outro. Uma frase muito conhecida e gasta, mas verdadeira, é esta: "É preciso se amar para poder amar". Por quê? Porque "ninguém dá o que não tem". Só ama quem tem amor dentro de si mesmo. Quem não se ama não consegue amar ninguém; não consegue amar nada. Atenção: Não existe amor ao dinheiro. Existe apego ao dinheiro.

Os seres humanos estão destruindo as condições de vida na Terra por falta de amor. O ódio mora em muitas pessoas. O amor, de acordo com um filósofo antigo chamado Empédocles, "é responsável pela força de atração e união e pelo movimento de crescente harmonização das coisas". Segundo Empédocles, "o ódio é responsável pela força de repulsão e desagregação e pelo movimento de decadência, dissolução e separação das coisas". As divisões entre esquerda e direita, igrejas e pessoas são frutos do ódio. As perseguições, as torturas, a corrupção, os roubos e furtos, as calúnias, as mentiras, as fofocas, o desrespeito a seres humanos, o racismo, os assassinatos, tudo isso é fruto do ódio, ou da falta de amor.

O amor transforma e produz vida e felicidade. Mahatma Gandhi escreveu: "O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo". Infelizmente, a humanidade ainda não se deixou conduzir pela força do amor.

Por que tantos casais se separam? Por falta de amor. Quando estão apaixonados, dizem que estão amando. Ou estão mentindo ou não sabem o que dizem. No amor, existem atenção, compreensão, carinho, companheirismo, diálogo. Quem ama não trai. "Quem ama cuida", escreveu e afirmava um grande educador brasileiro. Quem ama quer ajudar, porque a pessoa amada é especial. É por isso que as mães ajudam, cuidam, compreendem, perdoam, dão atenção, companhia, dialogam.

Há muitas pessoas incapazes de amar. Tornaram-se solos áridos. A nossa sociedade quer apenas curtir, "aproveitar", quer usar, e usa. A maioria vive na moda do pegar e largar; do usar enquanto serve. As pessoas se tornam objetos descartáveis. Uma sociedade vazia, sem raízes, sem bases sólidas.

Na relação amorosa madura entre homem e mulher, existe a união entre eros, philia e ágape. Para um relacionamento dar certo, é necessário que o homem e a mulher assumam este compromisso: eu vou cuidar de mim e ajudar a cuidar de você. Sou romântico... Em que mundo eu vivo?

Agora, para finalizar com beleza, eu cito o amor que eu quero viver. Um sonho? Sim! Sonhar (com moderação) é bom para evitar a loucura. Quero encontrar uma mulher com a qual eu possa usar e viver o conteúdo destas palavras do filósofo francês André Comte-Sponville, um dos melhores filósofos do mundo atual: "Eros, philia, ágape, o amor que toma, que só sabe gozar ou sofrer, possuir ou perder; o amor que se regozija e compartilha, que quer bem a quem nos faz bem; enfim, o amor que aceita e protege, que dá e se entrega, que nem precisa mais ser amado... Eu te amo de todas estas maneiras: eu te amo avidamente, eu compartilho alegremente tua vida, tua cama, teu amor, eu me dou e me abandono suavemente... Obrigado por tu seres o que és, obrigado por tu existires e por me ajudares a existir!"

Nota: Eu não quero "que seja eterno enquanto dure". Eu quero que dure eternamente. Falta encontrar a mulher que queira e aceite viver esse amor. É muito bom ter a capacidade de amar. Só quem ama é feliz. É impossível ser feliz sem amar. Sorria!

Pastos Bons/MA, 22/11/2018.
Domingos Ivan Barbosa

Domingos Ivan Barbosa
Enviado por Domingos Ivan Barbosa em 22/11/2018
Reeditado em 22/11/2018
Código do texto: T6508908
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Sobre o autor
Domingos Ivan Barbosa
Pastos Bons - Maranhão - Brasil, 39 anos
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