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Navegar é preciso... E viver também é! Cap.I (Antony Richard)

Capítulo I (Por Antony Richard)

Em uma manhã de sábado, eu estava a caminho do porto do Rio de Janeiro, num táxi com capacidade para cinco pessoas. Eu, meu cunhado, Roger, minha irmã mais velha, Alice, meu sobrinho, Toninho, e minha irmã mais nova, Aline. Estava precisando tirar férias do trabalho para me dedicar um pouco à vida pessoal. Apenas uns dias para me desligar da rotina que me consumia demais, apesar de ser desafiadora e instigante.

Chegamos, despachamos as malas e ficamos aguardando a hora de entrar no navio. Esses atrasos, típicos do povo brasileiro, me incomodavam, mas eu estava ali para relaxar e não me estressar. Então aguardei pacientemente chegar nossa vez de entrar, enquanto me distraia com meu sobrinho.

Finalmente quando nos chamaram, fizemos o check-in e entramos em uma luxuosa recepção. Após mais um pouco de burocracia, nos liberaram para o quarto. Eu estava doido para abrir meu notebook, por uns 20 minutinhos apenas, para verificar uns e-mails do trabalho, apesar de ter prometido à Alice que conseguiria me desligar da
empresa por aqueles três dias. Ela queria que eu estivesse mais presente, e tinha razão.

Eu havia enfiado a cara no trabalho após o término de um relacionamento muito difícil, ao ponto de conseguir uma promoção. E minha carreira, na área que me dediquei, estava apenas começando. Mas eu sabia que não era ideal usar o trabalho como fuga da vida pessoal por muito tempo.

Ainda na recepção com meus familiares, lembrando dos e-mails que eu precisava responder, me deparei com um rosto conhecido. "Não pode ser! Paola Lírio?" Era uma moça que trabalhava na mesma empresa que eu. Linda, tímida e encantadora. Uma verdadeira flor, condizente com o sobrenome.
– Olha quem está perdida aqui! Como vai Paola?
– Oi! Tudo bem?
Ela me respondeu com um sorriso assustado. Foi quando percebi que parecia
estar sozinha. "Será??"
– ... Você está sozinha?
– Sim. Resolvi fugir de tudo e de todos por esses dias. – Ela me respondeu ainda sorrindo sem graça, com suas lindas bochechas rosadas. Fugir de tudo provavelmente incluía aquele cara estranho que ela namorava.
– Ah, é bom fazer isso de vez em quando. – Eu disse disfarçando a pontinha de
alegria por ela estar sem o "Sr. Esquisito".
– E você? – Ela me perguntou.
– Vim com meus familiares. Irmãs, sobrinho... Aproveitar um pouco a família.
Percebi que ela não estava à vontade com alguém do trabalho num passeio de férias e desejei um ótimo descanso, me despedindo. Ela agradeceu, me desejou o mesmo, e foi andando para o interior do navio no "doce balanço" do seu caminhar.
– Quem é ela??
Senti Aline me cutucar na lateral da cintura, com sua curiosidade e empolgação inata.
– Uma colega do trabalho.
– Hum... percebi um clima entre vocês. Ela está sozinha?
– Está sim. E não tem clima nenhum. – Respondi rindo da insinuação de Aline ter enxergado um "clima" que possivelmente só ela viu.
– Mas se ela veio num Cruzeiro sozinha existe uma grande possibilidade de estar querendo companhia. – Ela parecia um diabinho no meu ouvido. – E vai arrumar rápido. Ela é linda! Você não acha?
– Aline, nem sempre estar sozinha significa estar disponível. E sim... ela é linda sim.
Respondi cortando o papo com minha irmã doidinha e fui conversar com meu cunhado Roger, que estava na porta de um mini shopping, aguardando Alice e Toninho.
– Mulheres. Não podem ver um shopping. – Ele disse com um tom de
conformação.
– Cara... – Eu disse tentando conter um sorriso bobo. –Encontrei com uma colega do trabalho agora pouco.
– Ah eu vi você cumprimentando uma moça. Que coincidência!
– Bela coincidência!
Paola tinha os olhos grandes e castanhos, lábios médios avermelhados que desviavam nossa atenção para eles, mesmo na mais rápida conversa. Cabelos curtos castanhos claros e um corpo em formato de violão que se destacava, principalmente quando ela usava vestidos, como o jeans básico que estava usando. Sem contar nas lindas pernas que pareciam não acabar mais.
Roger deu uma olhadinha para dentro da loja para ver se Alice não estava por perto e disse.
– Realmente. Muito gata. Duvido que consiga se concentrar no trabalho estando próximo àquela mulher.
– Não trabalhamos próximos.
Eu disse rindo do Roger amigo, que eu conheci há muito tempo, antes dele se casar com minha irmã. Depois que se tornou um homem de família, dificilmente ouvia ele comentando sobre outras mulheres, a não ser para me dar um incentivo.
– Vou lá conhecer minha cabine! – Eu disse dando um tapinha nas costas dele, e subi imaginando o que a Paola Lírio iria fazer naquele navio sozinha.

Após conhecer minha confortável cabine e olhar uns e-mails do trabalho, fui conhecer o deck superior e encontrar com a turma para ver o navio saindo do Rio de Janeiro. Chegando próximo à piscina, procurei por um local que estivesse mais vazio, antes de subir para a lateral onde estavam as melhores "vistas" do navio. De repente, encontrei uma vista que me agradou muito. O mar azul ao fundo, refletindo o céu aberto,
e uma bela mulher com seus cabelos ao vento. "Será que vou falar com ela?" Minha timidez atrapalhava um pouco a proximidade com as mulheres, ainda mais uma mulher como Paola. Inteligente, simpática, reservada, com um ar de mistério, e linda demais.

Ela estava tão imersa em seus pensamentos observando o mar que resolvi que não iria incomoda-la e mudei de direção. Na mesma hora veio a lembrança das palavras de Aline na minha mente. "Mas se ela veio num Cruzeiro sozinha existe uma grande possibilidade de estar querendo companhia... e vai arrumar rápido!" Se eu não fosse lá
falar com ela, provavelmente outro solteiro no navio iria. Então que fosse eu!
– É a primeira vez que navega? – Perguntei chegando ao lado dela com um sorriso de nervoso, tentando soar natural.
– Não. Mas sozinha é a primeira.
Ela respondeu sorrindo e voltou a contemplar o mar.
"O que eu falo agora??" Pensei. Precisava ser algo no mínimo interessante para começar a conquistar aquela bela moça que me desconsertava.
– Desculpe, não quero incomodar seu passeio com a melhor companhia que escolheu.
Eu disse educadamente e percebi que as bochechas dela estavam rosadas, provavelmente igual ao meu rosto. "Vermelhinha assim fica ainda mais difícil pensar em palavras para te dizer."
– Que isso. Você não incomoda. É muito bom saber que tem alguém conhecido nesse navio cheio de estranhos. Confesso que me sinto mais tranquila. Caso precise de alguma coisa vou recorrer a você.
"Ufa. Se saiu bem hem cara!" Eu dizia em pensamento para mim mesmo, como se tivesse feito um a zero no placar: Tony x restante dos outros navegantes solteiros.
– Claro. Pode recorrer sim. Se precisar de alguma coisa estou à disposição.
– Obrigada. – Ela respondeu olhando para mim.
Nesse momento, vi Aline há uns dez metros atrás de Paola e resolvi ir até ela, antes que ela viesse até nós.
– Estão me chamando. Se precisar de alguma coisa, por favor, é só falar.
Respondi com um sorriso educado e fui rapidamente em direção à Aline.
– Oi mana. Vamos lá em baixo comer alguma coisa?
– Hum... pelo que vi você já deu um jeitinho de arrumar uma companhia para ela.
– Ainda não.
Respondi rindo da cara de cupido da minha irmã e fomos até o restaurante fazer um lanche.
Sentamos na mesa junto a Alice, Roger e Toninho para tomar um café e aguardar o horário do jantar.
– Compraram muita coisa no shopping?
Perguntei à Alice, rindo da cara de Roger.
– Que nada. Só fomos dar uma olhadinha.
Alice respondeu sorridente, após dar um gole em seu café.
– Tio! Tio! – Disse Toninho empolgado. – Lá tem um navio igual a esse que a gente tá, só que pequenininho.
– É mesmo?? - Perguntei rindo da empolgação dele.
– É! Você tem que ir lá ver.
– Depois vamos lá! – Disse bagunçando o cabelo dele. Era o modo de implicar que eu mais gostava.
– Uma fortuna aquela miniatura! – Reclamou Alice.
Roger comentava de suas idas ao shopping, mas ela quase sempre voltava com as mãos vazias. Difícil ver mulher mais mão fechada do que minha irmã.
– Roger disse que encontrou uma moça conhecida aqui no navio. – Disse Alice curiosa.
– Sim. Uma colega do trabalho.
– Nossa. Logo do trabalho? Não vale se encontrar com ela para ficar discutindo relatórios hem!
– Pode deixar.
Ri de minha irmã. Discutir sobre trabalho não era bem o que eu queria fazer com Paola Lírio.

Cila Mattos
Enviado por Cila Mattos em 03/12/2018
Reeditado em 03/12/2018
Código do texto: T6518311
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Cila Mattos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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