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A Regra e a Exceção
 
SOMOS viciados na brincadeira da mesmice. Nos deixamos ser arrastados facilmente por uma rotina, e a queremos, a saldamos, a vivenciamos com tanta obsessão, que não nos damos conta... Até que pinte outra rotina, até que compomos outra. Vivemos na alternação da regra e da exceção. A regra é o que talvez chamamos de nossa vida comum. Já a exceção é, claro, aquilo que quebra a nossa linha diária. E no momento dessa quebra... Uau! Tudo para. E todas as imagens as quais a nossa mente está habituada, se dissipam para a formação de uma só imagem... Imagem que, na maioria das vezes, diverge muito das quais estamos acostumados a considerar. Sim, porque é tudo uma questão de consideração. As imagens não são novas ou velhas, a não ser para nós mesmos. Porque não somos contemporâneos da criação; somos sim, talvez – e eis aí uma grande probabilidade – a última página da Natureza. A última, no sentido de tudo já existia antes de nós, e pode muito bem continuar existindo. Nos aproximamos dessa imagem relativamente nova, por puro interesse. Exatamente aquela soma de interesse que temos disponível por não aplicarmos nas imagens do dia-a-dia, tão comuns, tão repetitivas... E que geralmente não compreendemos. Então nos prendemos ali... Naquela coisa nova, naquela surpresa da vida. É tão forte que nos faz sentir a capacidade de sermos diferentes, da noite pro dia, na velocidade de um relâmpago, e com o mesmo brilho de um. Sim! Então, agora – pensamos – eu compreendo as imagens rotineiras. Agora sei o quanto elas valem, ou o quanto não valem. Então voltamos pra elas, cheios de nós! Agora compreendendo a engrenagem de todo o universo! E com o que nos deparamos quando abrimos esse espaço em nós? Com uma variação eterna das imagens que pareciam rotineiras. Como a imagem a qual selecionamos para ser o marco da nossa vida, o dia D!     
     Mas conforme o tempo passa, a rara e nova imagem vai se tornando comum, e suas variações já não parecem tão interessantes. Voltamos para as imagens diárias, que agora sim parecem diferentes, pois aprendemos a lidar com elas. E a imagem nova, a imagem rara, vira a nova rotina. Passa de exceção a regra. Até que aconteça de novo. Será que a vida, assim como a história, se repete? Será que nossos pensamentos estão girando em torno de um mesmo fator? De alguma obsessão, por trás de tão eficiente máscara, que se torna uma obsessão inofensiva?
     Estamos sempre buscando a exceção. Mas um dia ele acaba se tornando regra. E finalmente, quando nos sondamos, nos surpreendemos com nós mesmos. E geralmente, não positivamente. Porque entendemos o quanto somos maniqueístas. Que nada mais conhecemos além da regra e da exceção. Que esses dois fatores parecem bastar para nós. Mas e se um dia nos depararmos com algo que não seja a regra, tampouco a exceção? Se um dia nos vermos diante de algo que parece novo, mas nos impulsiona para um nostálgico desconhecido? Fora da mente, do circuito, da hipótese...? Fora de nós, ou pelo menos daquilo que pensamos sermos.
André Leonardo
Enviado por André Leonardo em 05/12/2018
Reeditado em 06/12/2018
Código do texto: T6519921
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
André Leonardo
Guarulhos - São Paulo - Brasil
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André Leonardo