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PLANETA SONHAR

(Sonhos de 03 para 04.12.2018)

1º) - O Bebê.

Estávamos naquela casa imensa. Era uma construção antiga, com varanda ao redor, em toda sua extensão. Tijolos expostos. Dois Pisos. Estávamos no primeiro piso. Minhas Filhas, Netas, Neto e Bisneto. Várias pessoas da Comunidade que frequento. Um sem número de pessoas estranhas e muitas crianças.
Lembro que alguém me dava uma tigelinha com comida para dar ao bebezinho que estava sentado perto da rede onde eu estava deitada. Percebei que havia uma vala, cheia d'água entre ele e eu. Pedi a minha filha Elisangella para segurar o bebê enquanto eu lhe dava a papinha, e ela não ouviu ou fez que não ouviu. Eu gritei "____Segura o bebê senão ele vai cair..."
Não havia fechado a boca, a criança virou e mergulhou na água. Fiquei enlouquecida e voei no pescoço da Minha Filha, gritando desesperada "____Infeliz, você deixou ele cair. Agora desça e pegue o Meu bebê de volta. Ande, vá antes que eu lhe mate."
Ela não mostrava reação alguma, estava catatônica. As pessoas ao redor também. Sem saber mais o que fazer, peguei alguns lençóis que estavam no varal e pedi que amarrassem uns aos outros, formando uma corda que eu amarraria na cintura e desceria para salvar o pequenino.
Creio que por conta do nervosismo ninguém acertava os nós e quando puxavam o nó se desfazia. Olhei para baixo e vi o bebê sentadinho no fundo da vala... entrei em desespero.

_____Não preciso mais dessa merda não. Vou pular sem nada. Se ele tem que morrer, morreremos junto, pois eu não conseguirei nadar para cima com ele no colo.

Prendi a respiração e pulei na água. O Inacreditável aconteceu. A água, a medida que eu ia descendo, ia diminuindo, até que cheguei no fundo da vala e percebi que o bebê estava deitadinho, de olhos fechados.
A água estava apenas cobrindo meus pés. Na criança, a água cobria apenas metade do corpinho, deixando seu rosto de fora. Curvei-me e toquei sua face. Ele abriu os olhinhos, me fitou e sorriu. O sorriso mais lindo que uma Mãe desesperada poderia receber.

_____Você está vivo Meu Amor!

Coloquei ambas as mãos por baixo do seu corpo e o segurei com o maior cuidado, temendo que ele houvesse fraturado algum ossinho. Não lembro como cheguei na parte de cima, mas de repente eu estava lá, virada num siri.

_____Forrem os braços dela para que ela aqueça o Filho. Desalmada. Como pode fazer isso com o Meu Bebê?

Ele parecia o Meu Bisneto, Calleb, mas eu sabia que não era ele. Meu coração transbordava de alegria por ver que ele estava vivo, ao tempo em que queria esganar a "mãe" que não cuidara dele... um moço muito parecido com um dos menbros da Comunidade (mas não era ele, pois o esse rapaz da Comunidade é braquinho e não tem barba, o outro moço era moreno, tinha bigode e barba fechada) se apressou em pegar um pano, tipo colcha de chenille branca,  e forrar os braços da Minha Filha Caçula. Meus olhos fuzilaram.

______Não é ela a Mãe do Meu Bebê, é a Minha Primogênita. Essa malvada irresponsável. Forre os braços dela!

Coloquei o bebê no colo da Minha Filha e disse palavras tão duras quanto uma avó poderia dizer a uma filha que renega seu sangue.

______Se algo de ruim acontecer ao Meu Amor... eu te arrebento de porrada, desgraçada! Aí, você vai aprender a ser a Mãe que você nunca soube ser!
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# Aí acordei, com a Makeda fazendo da minha cara trampolim, pra pular em cima da Jasmyne. Levantei, bebi água, fui ao banheiro fazer chichi e retornei pra cama.

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2º) - O Francisco.

Aí já estávamos na parte de cima da casa. Era um local aberto, com "pestanas" de couro para nos proteger do sol. Todas as pessoas da comunidade estava lá, conversando alegres e aparentemente muito felizes.
Foi quando vi Francisco. Saudável, risonho e anfitrião magnifico como sempre foi. Vestia apenas um bermudão branco, folgado, com tirinhas verdes de cada lado. Sem camiseta.

_____Está muito quente pessoal, vou buscar um suco para vocês! Só um instante.

Daí a pouco, retornou com uma bandeja enorme nas mãos, repleta de copos cheio de suco que, pela aparência, devia ser de maracujá. Fazendo firulas com a bandeja, e eu apavorada, vendo a hora ele derramar o suco nas pessoas. Mas isso não acontecia. Ele pousava a bandeja sobre a mesa e começava a servir.
Quando eu ia pegar um copo para mim, ele dizia que não. O meu, ele ainda ia buscar. E me chamou para ir com ele. Descemos pro térreo e fomos até a cozinha. Sobre o balcão, estava um jarro e dois copos de cerâmica. Ele pedia que eu mesma me servisse, e ao fazê-lo, derramei o liquido sobre a toalha branca, plástica. Percebi que o líquido não era amarelo, era meio cor de suco de genipapo (amarronzado). Ele olhou para mim rindo.

_____Não tem problema, sorva o liquido que caiu na toalha, está tudo muito limpo, apesar da desarrumação e do aparente empoeiramento. Tenha medo não, confie em mim.

Nunca duvidei da integridade de Francisco, durante os 37 anos que vivemos juntos, 1 ano como namorados e noivos e 36 como marido e mulher. Sempre confiei nele de olhos fechados, posto que, se eu não confiasse, não teria sentido vivermos juntos, e ele nunca me decepcionou nesse quesito.
Curvei a cabeça e sorvi o liquido que havia caído sobre a toalha, depois olhei para ele que continuava rindo. Ri também e o abracei. Ele cochichou no meu ouvido.

______Tenha medo não. Vai ficar tudo bem. Você vai sarar.

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#Senti que acordei. Não quis abrir os olhos. Quase nunca sonho com Francisco, mas sempre que sonho ele está feliz, saudável, risonho.
Quase nunca lembro do sonho... só pequenos trechos, mas esse, eu jamais vou esquecer.
Então, não queria abrir os olhos, mas, de repente lembrei de um conselho do Pai Pequeno, lá no mangue, no sábado... ___Abra os olhos. Mantenha os olhos aberto ou vai dar passagem. E, se der passagem, aqui,  será complicado. Olhe tudo ao seu redor... só não feche os olhos.
Gratidão.
Adda nari Sussuarana
Enviado por Adda nari Sussuarana em 06/12/2018
Código do texto: T6520335
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Adda nari Sussuarana
Maceió - Alagoas - Brasil, 65 anos
233 textos (4917 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/12/18 20:42)
Adda nari Sussuarana