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Navegar é preciso... E viver também é! Cap.II (Antony Richard)

CAPÍTULO II (Por Antony Richard)

Após conhecer algumas atrações do navio, fui para minha cabine tomar um banho e me arrumar para o primeiro jantar em família. Alice estava ansiosa por esse momento. Fazia bastante tempo que eu não me reunia com minhas irmãs para um simples jantar, devido ao trabalho que consumia quase todo o meu tempo.

Fiz a barba, de acordo com um tutorial que aprendi na internet de "como fazer e manter a barba desenhada" (que dava um trabalho terrível), coloquei uma camisa nova e passei meu perfume predileto. Será que encontraria Paola novamente? Se encontrasse, eu a apresentaria às minhas irmãs. Aí sim, a probabilidade de um estranho qualquer conseguir virar o "jogo" seria bem baixa. Sorri dos meus próprios devaneios e resolvi olhar a hora. Ainda faltava uns vinte minutos para o horário combinado com a turma. Resolvi ligar o notebook mais uma vez, rapidamente. Mas dessa vez, enquanto ligava me lembrei das dicas de Alice quando marcamos a viagem. "Procura fazer um hobby nas férias. A vida não é só trabalhar! Lembra das histórias que você escrevia quando era criança? Um fofo!" Me lembrei foram das poesias de "sofrência" da adolescência. Minha vida amorosa sempre fora um fracasso. Mas em compensação eu me destacava em qualquer trabalho que fazia. E assim eu conquistava a admiração das mulheres. Quando o notebook ligou, me bateu um "insight". Me lembrei da minha infância e resolvi escrever um pouco sobre o que eu estava vivendo e sentindo naquele momento. Foi tudo muito rápido. Parecia que as palavras me escolhiam, e não o contrário. Em quinze minutos escrevi o que poderia ser o primeiro capítulo de uma nova vida, e aquilo fez com que eu me sentisse muito bem e empolgado para continuar.
Chegando no restaurante com meus familiares, sentamos em um local bem aconchegante e comecei a olhar o cardápio. Havia gostado de todas as opções que seriam servidas. Comer nunca tinha sido um problema para mim. Depois resolvi dar uma olhada pelo restaurante e, quem estava à mesa quase ao lado?! Paola Lírio. Sorri para ela e, num ímpeto, comentei com minha irmã.
– Alice, essa que está na segunda mesa ao lado esquerdo que é a Paola, lá da empresa que trabalho.
Alice deu uma olhada disfarçadamente.
– Ela está sozinha? Convide-a para se sentar com a gente Tony!
– É mesmo Tony. Eu gostaria de conhecê-la! – Disse Aline empolgada.
Roger fez um gesto de aprovação.
Só me restou então levantar da cadeira e ir até a mesa dela. Mais uma coincidência do destino que eu teria que aproveitar. O restaurante era enorme e sentamos tão próximos. Isso me fazia acreditar que estava tudo favorável para mim.

Paola aceitou meu convite um pouco sem graça devido ao seu jeito reservado, mas em pouco tempo de conversa ela já estava se sentindo bastante à vontade com meus familiares. Minhas irmãs eram muito agradáveis, o que facilitava o entrosamento. E eu me senti ainda mais empolgado com a presença de Paola ao meu lado no jantar. Às vezes, meu cunhado me olhava disfarçadamente com um olhar de "além de gata, ela é simpática. Você não pode deixar escapar essa oportunidade". "Eu sei" respondia também com meu olhar de homem para homens.
Paola contou que estava sozinha no navio para iniciar um projeto de um livro. As meninas ficaram encantadas com a nova escritora que estava ali à mesa conosco. A conversa estava muito agradável. Até Toninho as vezes se desligava do tablet para entrar na conversa. Por sorte minha, Alice não comentou nada sobre meu hobby de escrever. Eu não gostava de expor esse lado "artístico".

Conheci naquele jantar uma Paola divertida, alegre e descontraída. Uma versão contrária da Paola séria e reservada do trabalho. E eu nem imaginava o quanto ficaria encantado com as várias versões de Paola Lírio.

Após terminarmos o jantar, ela pediu licença para se retirar, pois não estava se sentindo muito bem. Aline praticamente me intimou a acompanhá-la. Me lembrei do que Paola havia dito mais cedo, que se precisasse de alguma coisa iria recorrer a mim, e aproveitei esse argumento.

No deck superior observávamos o mar iluminado somente pela luz da lua. Fiquei ao lado de Paola preocupado e sem saber o que fazer para que melhorasse. Já estava preparado para levá-la ao posto médico, caso a pressão baixa não normalizasse. Mas Paola respirou fundo algumas vezes e logo já estava com uma aparência mais serena e um leve sorriso no rosto.
– Está se sentindo melhor? – Perguntei solícito.
– Sim. Obrigada. Se quiser voltar para o restaurante fique à vontade. Já estou bem.
Arrumei uma desculpa para permanecer ao lado dela, aproveitando um pouquinho mais a sua doce presença.
De repente, começou a tocar um ritmo latino próximo à piscina e ela tentou me convencer a ir dançar. Eu estava conhecendo seu lado divertido, ao invés do lado sério e reservado, e aquilo estava me encantado ainda mais.
– Ah, vamos! Mesmo que não consiga seguir os passos, pelo menos a gente se diverte... Vejo nos seus olhos que você quer se divertir um pouco.
– E eu vejo nos seus olhos que não vai sossegar enquanto não me ver passando essa vergonha. - O tímido reservado dessa vez era eu.
– Acertou! Vamos?
Ela abriu um sorriso tão gostoso que não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser me render. - Ah está bem. Vamos. "Seja o que Deus quiser."



Cila Mattos
Enviado por Cila Mattos em 12/12/2018
Código do texto: T6525612
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Sobre a autora
Cila Mattos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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