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Cachorro rasga - plástico

                               Cachorro rasga - plástico
                                   Jajá de Guaraciaba

               O mundo é como se fosse um grande restaurante. Tem comida para todos os gostos. Escolhemos o prato de acordo com a nossa preferência e possibilidade. Alguns saboreiam caviar e salmões regados com champanhe francês, outros se contentam com as migalhas de pães ressequidos ou ossos e cartilagens de faisões, sobrados de algum banquete, regados com água de torneira.
               É comum notarmos muitas pessoas por esse mundão afora agindo como cachorro rasga-plástico. Contentam-se com o que há de mais fácil de alcançar. Não se esforçam para conseguir mais e melhor comida.
                O cachorro rasga-plástico pode muito bem modificar a sua vergonhosa condição social porém não se predispõe em fazê-la, não porque não possua meios para tal, mas, por mero comodismo.
                O mundo tem reservado um bom prato de arroz com feijão ao cachorro rasga-plástico menos ocioso, todavia, o sabor e a boa digestão desses alimentos dependem basicamente do esforço despendido para consegui-lo.
                Hoje, o cachorro rasga-plástico pode estar dilacerando sacolinhas de resina sintética nas lixeiras da vida; amanhã, entretanto, se quiser poderá sair das vendas das esquinas do mundo com elas repletas de alimentos deliciosos e saudáveis. Para isso, todavia, precisa sair do marasmo e pôr fim à improdutividade.
                Existem diferenças entre cachorros rasga-plásticos: uns ao depararem com uma pilha de sacolinhas cheias de lixo procuram, com faro refinado, aquela que contém restos de comida que mais lhes apetecem antes de fazê-la em pedaços. Outros embora possuam olfato aguçado e reconhecidas virtudes, estraçalham a primeira que lhes vem à mão, (ou à pata), sem se preocuparem com o seu conteúdo e assim, desleixadamente, não procuram cientificarem-se antes de lacerá-las se isso resulta ou não num odor insuportável à sociedade a que pertencem.
                Só os fracos e indolentes são e permanecem perenemente cachorros rasga-plásticos.




Jajá de Guaraciaba
Enviado por Jajá de Guaraciaba em 29/11/2019
Código do texto: T6806601
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Jajá de Guaraciaba
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil, 76 anos
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