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Tomar sol no períneo

Está hoje na capa do site de "notícias" UOL. Trata-se de uma prática que, segundo uma moça, é altamente energizante e ajudaria a dormir melhor. Tal prática seria a de tomar de 30 segundos a 5 minutos de sol no períneo diariamente. Muitos não sabem exatamente onde está o períneo. Pois é a região entre os genitais e o ânus.

Segundo a Megan, que se diz uma estudante de tantra e taoísmo, esta é uma prática antiga taoísta que visa energizar o "portal por onde a energia entra e sai do corpo". Que uma prática, tida pelos católicos como pagã, seja "redescoberta" e executada diariamente não é nenhuma novidade. Há muito tempo o ocidente procura rejeitar todo o cristianismo e sua mística para abraçar qualquer misticismo, ou pseudo-misticismo em alguns casos. O caso desta moça é apenas mais um em um mar de pessoas que buscam as práticas materiais orientais ignorando toda a orientação das religiões daqueles povos.

Seguir apenas alguns aspectos selecionados de qualquer misticismo é um fator sintomático. O que as pessoas estão buscando não é a vivência mística, mas adotar práticas que lhe pareçam saudáveis e buscar elementos que justifiquem o que querem fazer.

Esta moça, na verdade, está se entregando ao materialismo mais pueril que ela busca esconder sob uma camada de "misticismo justificante". Qualquer um que pare 10 segundo para pensar, perceberá que a energia não "entra e sai do corpo" pelos genitais e pelo ânus. A energia é absorvida pelos alimentos que consumimos. O sol, por sua vez, fornece a luz que alimenta os vegetais, que fazem parte da base da cadeia alimentar. Considerar que a luz alimenta é apenas achar que é possível pular processos naturais numa interpretação que busca, primeiramente, esquecer que, assim como no cristianismo, há muito simbolismo.

Certamente a energia que nos alimenta, pelo menos materialmente, vem do sol, entretanto, primeiro ela é absorvida pelos vegetais, passando depois para os animais. O consumo destes dois gêneros nos dá a energia e quase a totalidade dos nutrientes necessários à vida. A única exceção é a vitamina D, que, apesar de poder ser adquirida pela alimentação, é também sintetizada a partir do colesterol com a incidência de raios "ultra-violeta b" sobre a pele.

A praticante se diz estudante do Tantra e do Tao. O Tao é o "conhecimento intuitivo da vida" para os chineses, sendo que tao quer dizer simplesmente caminho. Focam na "não-ação", seja lá o que isso quiser dizer. O que inspirou a sua prática certa,entretanto deve ter sido o Tantra.

Do Wikipedia: Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na Índia hinduísta, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão).

 "O tantra é uma filosofia hindu muito antiga (se cristalizou por volta do século XV), tendo, por características: a matriarcalidade, a sensorialidade, o naturalismo e a desrepressão.

Nas sociedades primitivas não guerreiras, nas quais a cultura não era centrada na guerra, a mulher era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos. Daí, a qualidade matriarcal dessas sociedades.

Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa).

Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundalini, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha dorsal e que ascende através dos chakras até se atingir o samadhi. Uma dessas maneiras é obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como Unyo Mystica.

No tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento. Para o tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central. Por isso mesmo, é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. Para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultrassons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde as simples às mais complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação."

Primeiramente, nada que venha do século XV é antigo. Quando está escrito que esta prática foi reprimida por um hinduísmo altamente espiritualista, é normal das religiões focadas no espiritualismo tentar limitar a atenção dada à tudo que é material. Vemos este fenômeno no catolicismo, que prega o abandono aos bens materiais.

Secundariamente, matriarcalidade, sensorialidade, naturalismo e desrepressão é uma outra forma de dizer que aquelas matriarcas buscavam "liberdade" através dos sentidos de maneira natural.
Por último e não menos importante, buscam o Brahman, que é o equivalente hindu para deus absoluto, através união entre a força ativa masculina e passiva feminina. Isto é somente outra forma de dizer sexo. Quando a mulher vê o corpo como meio para o conhecimento e começa a achar que a consciência sobe da base da coluna pelos pontos de energia (chakras) até o samadhi (meditação completa, completa comunhão com o universo) e que a entrada e saída da energia do corpo acontece pelo perônio (sejamos francos, a energia não entra nem sai pelo perônio, mas sim pelos buracos que estão ali perto) vemos que a prática da moça é simplesmente uma tentativa de "despertar a serpente ígnea (relativo ao fogo)". Ora, a serpente ígnea é a "serpente" do sol.

Resumindo, ela busca o Brahman tentando fazer sexo com o deus sol. Obviamente que os hindus reprimiam isso. É materialismo puro. Rejeitariam sempre. Abrir as pernas para o sol para encontrar o Brahman é o equivalente hindu a buscar agradar Jesus se masturbando com uma cruz achando que o orgasmo é a salvação. Que Deus me perdoe, pois uma blasfêmia tão grande é pecado somente por ser pensada. Quando Jesus disse que é preciso entrar pela porta estreita, certamente ele não se referia a uma porta que fica entre as pernas de uma mulher.

Para quem não sabe do que estou falando:
https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/12/01/energia-tomar-sol-no-perineo-virou-uma-febre-e-a-internet-esta-desconfiada.htm


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Douglas Pacheco
Enviado por Douglas Pacheco em 02/12/2019
Código do texto: T6809207
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Sobre o autor
Douglas Pacheco
São José dos Pinhais - Paraná - Brasil, 31 anos
83 textos (3861 leituras)
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Douglas Pacheco