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A arte de viver.


A vida é bela quando se acendem as ilusões
E as luzes da ribalta anunciam
Mais uma lúdica e intensa atuação.
Fulgem os mais puros sentimentos,
Vertem-se as lágrimas contidas,
Emergem os sofridos momentos,
Fragmentos descolados de uma vida
Que se encontram nesse instante de emoção.

A arte imita fielmente a vida,
Bem representada torna iminente o epílogo,
Um tempo psicologicamente curto, porém, justo!
O clímax anuncia liricamente o final,
É quando se suplica freneticamente mais luz.
E o artista em delírio ignora o bastante,
Implora dramaticamente um último ato,
Um último abrir de cortina... Um último frenesi,
Sem atinar que cenicamente blasfema,
Na desvairada pretensão de ser Deus...
Então as cortinas se emperram
E humildemente conforma-se com a divina semelhança.

As luzes vão se apagando e focarão somente as lembranças
De quem personificou beleza, liberdade e pureza, prazer e amor.
Provocou risos, prantos, encantos e sonhos.
A vida só valeu a pena quando se leva como recompensa o aplauso
E a certeza de que por instantes tornou o mundo melhor.
Só de instantes vive o homem. A eternidade é conseqüência
E dádiva divina aos éticos no expressar.

Apagam-se as luzes
Mas não as mentes sensíveis de um público expectador agradecido,
Por momentos de êxtase que gelidamente a vida lhe nega,
E comumente pelos próprios temores.

A vida é bela,
Quando dela se sabe sair,
Curvando-se aos efusivos aplausos,
Direcionando-os ao mais digno Cenógrafo.

Viva o teatro!
Viva-o tão intensamente que mesmo nos bastidores
Ou no íntimo de teu camarim,
Ao deparares com a derradeira ribalta,
Querubins e Arcanjos uníssonos te louvem
Com brados definitivos e confortantes de: Bravo!
Bravo, homem!


Ronaldo Aparecido Silva
Enviado por Ronaldo Aparecido Silva em 07/10/2007
Reeditado em 14/07/2012
Código do texto: T683882
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ronaldo Aparecido Silva
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 59 anos
429 textos (11897 leituras)
13 áudios (512 audições)
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Ronaldo Aparecido Silva

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