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UMA REFLEXÃO SOBRE CONSELHOS: HÁ CONSELHOS CERTOS E CONSELHOS ERRADOS

Você segue os conselhos que recebe? Você gosta de dar conselho? Quem é bom conselheiro? Quais são as intenções de quem aconselha? Qual é o nível de sabedoria, lucidez, clareza, compreensão ou bem-estar (físico e emocional, afetivo) de quem dá conselho? O que a Bíblia diz sobre esse assunto? Vou citar um trecho da Bíblia, mas, antes, vou citar o filósofo, místico e sábio Osho. Depois, mencionarei alguns casos verídicos.

Osho disse: "As pessoas precisam ficar atentas para não serem manipuladas por ninguém, por melhores que sejam as intenções. É preciso precaver-se de tanta gente bem-intencionada, benfeitora, que dá constantemente conselhos para ser isso, ser aquilo. Ouça essas pessoas e seja grato a elas, pois elas não têm a intenção de causar danos, mas é o que acontece: elas provocam danos".

Existe um livro na Bíblia chamado Sirácida ou Siracides (Tradução Ecumênica), no Velho ou Antigo Testamento, ou Eclesiástico (para a Igreja Católica), livro que, tradicionalmente, não existe na Bíblia Evangélica, nem nas duas Bíblias evangélicas e internacionais, bilíngues (português e inglês) que eu tenho. Eu tenho Bíblias católicas, evangélicas (internacionais) e uma ecumênica (grande, integral). No capítulo 37 de Sirácida, a partir do versículo 7, está escrito: "Todo conselheiro enaltece o seu conselho, mas há alguns que aconselham em seu próprio interesse. Toma cuidado com quem costuma dar conselhos: informa-te primeiro do que ele precisa, pois é para si que forma projetos; isto, para que não lance a sorte a teu respeito e te diga: 'Tua conduta está certa', mantendo-se depois à distância, para ver o que te acontece. Não consultes a quem te olha por baixo, e aos que te invejam não reveles teu projeto". Esse livro bíblico continua falando sobre esse assunto no mesmo capítulo.

Existem pessoas que não desejam o bem para ti, e nem sempre é fácil perceber quem quer realmente que estejamos bem, pois há fingimento. Essas não nos aconselham bem.

Existem pessoas que desejam o bem para nós. Essas, muitas vezes, nos dão conselhos certos. Outras vezes, elas nos dão conselhos errados. Vou citar exemplos pessoais (não sou sábio, mas os sábios fazem isso), para que esta reflexão seja sólida, concreta, e não apenas abstrata, apenas teoria.

Um tio da minha mãe (portanto, meu tio também) disse para a minha mãe a meu respeito: "Coloca esse menino na roça pra te ajudar, porque filho de pobre não se forma, e, se se formar, não arruma emprego". Esse tio já morreu. Ele gostava da minha mãe, queria o bem para a minha mãe, a nossa família nunca tinha formado alguém, todos trabalhavam na roça, viviam da roça, o conselho era bem-intencionado, era para o bem da minha mãe, mas esse nosso tio não conseguia dar um conselho diferente, porque ele não teve a oportunidade de enxergar além do mundo em que ele vivia. Ele não tinha culpa, pois não teve a oportunidade de pensar além. Ele morreu idoso e sem ter uma casa. Outras pessoas me criticavam por estudar. Mas, se eu não tivesse estudado, a vida da minha mãe, a minha, de um irmão meu e de alguns sobrinhos não teria melhorado. O meu estudo desencadeou a melhoria de outras vidas.

Algumas pessoas, quando souberam que eu fiz uma casa onde eu nasci, discordaram dessa minha atitude. Questionavam (não na minha presença): "Por quê? Para quê?". Eu soube que alguém disse que, no lugar de fazer uma casa naquele lugar, eu poderia ter comprado um carro. Ora, construir uma casa não impede que se compre um carro. Mas essas pessoas não se colocaram no lugar da minha mãe. Eu pergunto: quem vai cuidar da minha mãe, quando ela estiver mais velha? Esses conselheiros vão cuidar? Eu sou formado para pensar. Filosofia é para isso. Além disso, e, antes disso, eu tenho um coração, uma alma. Eu penso e sinto. No Mosquito, a minha mãe tem quem cuide dela, e um dos meus irmãos mora nessa casa que eu fiz, e vai morar enquanto vida ele e sua esposa tiverem. A casa serve também para acolher filhos e netos. Mas quem aconselha, mesmo tendo boa intenção, muitas vezes não se coloca no lugar do outro, aconselha como se fosse para si mesmo (a). "Se eu fosse você..." Mas não é e nunca será.

Poucas pessoas apoaivam o meu estudo. Algumas até me chamavam de louco (rs). Se eu não tivesse estudado, como teria melhorado a minha vida e a da minha família? Seria impossível.

Algumas pessoas me aconselharam a morar em São João dos Patos. Outras me aconselharam a morar em Uruçuí. Eu, porém, moro em Pastos Bons e trabalho em Uruçuí e São João dos Patos, concursado. Muitas pessoas chamam isso de sofrimento, cansativo e correria. Muitas não viveriam assim. Mas, para mim, é prazeroso, é uma forma de eu permanecer ativo, estimulado, instigado, entusiasmado, desafiado, realmente vivo e orgulhoso de mim. Eu amo viver assim. Já trabalhei, quando era concursado pelo município de uruçuí, na Zona Rural de Uruçuí. Era longe (rs): a 165 quilômetros da minha casa. Agora, o meu concurso em Uruçuí é pelo estado do Piauí.

Quando eu só tinha uma matrícula como professor, alguém me aconselhou a abandonar o meu primeiro concurso em Uruçuí, porque, segundo essa pessoa, seria fácil eu arrumar contrato em Pastos Bons. Eu fiz de conta que não escutei.

Há pessoas que me aconselham a comprar um carro, mas eu só vou comprar um carro quando eu sentir que é o momento certo de comprar. Não são os outros que sabem se eu preciso ou não de carro. Sou eu. Não vou comprar um carro para (me) exibir, para mostrar que tenho carro, pois eu busco a minha orientação dentro de mim mesmo. Se uma pessoa vive com outra, um casal (um homem e uma mulher), os dois devem decidir juntos o que vão fazer, é a forma certa de decidir, um ouvindo e respeitando o outro. Mas quem não vive com você dificilmente lhe dará um conselho certo. Eu disse: dificilmente.

É claro que eu aceito conselho, mas eu analiso os conselhos. Se a minha interioridade aprovar, eu aceito. Caso contrário, agradeço, não fico zangado, mas não o colocarei em prática. Eu tenho um amigo que, ao me dar um conselho, que é raro ele fazer isso, eu lhe agradeço e o elogio, porque ele é muito cuidadoso, prudente, tem a sua sabedoria.

Tenha cuidado com os conselhos ou ao dar conselho. É sempre bom e necessário olhar todos os lados de um assunto, levar o outro em consideração, e não o que você faria ou como agiria, pois não é você. O que está dentro do outro? O que está dentro de você? Você vai viver pelo outro? Sofrer pelo outro? Ser feliz pelo outro? Não! Alguém pode viver por você? Sofrer por você? Ser feliz por você? Não pode! É preciso olhar todos os aspectos possíveis.

Muitos pais desejam que seus filhos sejam médicos ou advogados. Mas a pessoa que vai realizar o sonho dos pais vai ser infeliz. Os pais desejam a felicidade para os filhos. Mas, muitas vezes, os filhos precisam fazer o que os pais não querem, para serem felizes, e, depois, os pais vão ver os filhos felizes e agradecer. Eu conheço pelo menos um caso em que uma mãe não queria que uma filha fizesse algo, a filha seguiu seu coração, e, depois, a escolha da filha foi a melhor escolha para a própria mãe. Mas é preciso ter muito cuidado, porque, muitas vezes, as mães estão certas, e os filhos não conseguem enxergar. É preciso ter muito cuidado com cada caso, analisar cada caso, os envolvidos e tudo que está envolvido. Como diz Osho, "a vida não tem um mapa". Cada pessoa deve e pode viver a própria vida, buscando a verdade dentro de si mesma e observando a sua situação, o seu contexto e quem está na sua situação, no seu contexto.

Quem pensa bem vive bem e não faz mal a ninguém. Mas sentir bem é essencial para uma vida feliz.

Este texto foi produzido e escrito em Pastos Bons/MA, na manhã do dia 12 de janeiro de 2021, por Domingos Ivan Barbosa.
Domingos Ivan Barbosa
Enviado por Domingos Ivan Barbosa em 12/01/2021
Reeditado em 12/01/2021
Código do texto: T7157877
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Sobre o autor
Domingos Ivan Barbosa
Pastos Bons - Maranhão - Brasil, 41 anos
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Domingos Ivan Barbosa