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Canto X e Epílogo: "Os Lusíadas"

** Esse texto é antigo e, hoje, consigo identificar algumas lacunas, como a ausência das fontes explícitas que me ajudaram na reflexão. Sobre isso, peço desculpas aos meus leitores. Quando escrevi este ensaio, estava na altura dos meus 20 anos, ainda muito verde, e no 2º semestre do curso de letras... Não vou reformular o que está aqui porque gosto de olhar para este ensaio para ver quem fui.


DA LITERATURA À HISTÓRIA (OU SERIA O INVERSO?)
 
Ler epopeias não é uma tarefa fácil, pode-se afirmar com certeza, e tal afirmação encontra ainda mais reforço quando em pauta está o "analisar e entender", em especial quando nos deparamos com obras cuja genialidade poética atravessa os tempos e cerca-se de mistérios provenientes da obra e do autor.

Camões, um dos maiores gênios da literatura portuguesa (lusitana) e uma das maiores mentes do Renascimento, é também ícone desse universo cercado de mitos que compõem a obra Os Lusíadas, os quais, por vezes, vão além dela. Embora saiba do grande atrevimento desta afirmação: pode-se até dizer que a vida dele é o reflexo de sua obra.

É possível verificar o que aqui se afirma através do estudo histórico do último canto de "Os Lusíadas", complementado pelo epílogo da obra.
No canto X tornam-se mais evidentes que nos demais cantos os aspectos históricos, como a narração das grandes navegações e em especial seu desfecho (temáticas principais da obra) que, ainda que apresentados sob uma perspectiva mítica, adentram mais no caráter “real” dos fatos. Faz alusão às cruzadas, novo intento ao qual Portugal se lançava em nome de sua fé, pois a fé lusitana era a força desse povo e era por intermédio dela que o país vinha se fortalecendo e a nobreza desse mesmo povo vinha sendo reconhecida. Fazia-se necessário conquistar o território tomado pelos infiéis e mais ainda submeter esses povos ao domínio português, pois a Portugal Deus destinava a soberania.

Além dos motivos que levaram Portugal às cruzadas, para melhor entender este capítulo faz-se mister entender o porque de uma aventura marítima. O expansionismo lusitano deveu-se, mais do que à privilegiada localização geográfica (proximidade do mar e rota central do comércio europeu), aos estudos realizados por seus cientistas náuticos da escola de Sagres, “intelectuais” que conseguiram desenvolver ainda mais os instrumentos de navegação.
Mas não podemos nos encerrar por aqui, pois como já falado, a obra possui mitos próprios. Camões dedica sua obra ao “Adormecido”, um dos títulos atribuídos ao mais jovem rei lusitano, D.Sebastião que muito lhe ajudara e que trazia em seu “ventre” a esperança Portuguesa de novos tempos áureos, ao menos era nisso que o poeta acreditava e boa parte de seus contemporâneos, de forma tal que o poeta promete ao rei que quanto mais este fizer mais o poeta lhe renderá homenagens. D.Sebastião desde jovem já demonstrava um enorme senso patriótico e esforçava-se, apesar da pouca idade com que chegara ao trono (14 anos), no intento de elevar seu país novamente aos braços da fortuna e objetivando ser um dos combatentes do “exército de cristo”, razão última pela qual acaba encontrando o seu “fim”.

Voltando aos comentários que se podem tecer a respeito do epílogo da obra, é perceptível certo tom melancólico nas palavras do poeta que, prevendo o fim dos bons tempos de Portugal, aproveita para fazer sua “voz rouca” ser ouvida novamente ao criticar a corte que cercava D.Sebastião e a perda dos bons costumes da sociedade, a corrupção que por sua vez levaria o país ao “caos”, como se pode notar na estrofe 145 do último canto:




145
“No mais, Musa, no mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com quem mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dua austera, apagada e vil tristeza.”.


De mais, há que se dizer que Camões estava correto em sua “profecia”, pois após 8 anos da publicação de “Os Lusíadas”, data que coincide com a morte do poeta, o rei D.Sebastião desaparece na Batalha de Alcácer-Quibirm, o que tem como consequência o declive de Portugal e submissão ao domínio espanhol.
Mas não apenas Camões tornou-se lenda, D.Sebastião, após seu desaparecimento, tornou-se um mito e pivô de uma enorme e fervorosa crença (Sebastianismo) que perdura até hoje e até mesmo fora de sua pátria. Ainda espera-se que El Rei volte e promova o reerguimento dessa que um dia fora uma das maiores nações.
Arkangellus
Enviado por Arkangellus em 08/11/2007
Reeditado em 22/12/2014
Código do texto: T728720
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
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Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 30 anos
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