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Entrevista com a recantista Patrícia Justino



Entrevista   com   a   recantista, poetisa e escritora Patrícia Justino, de São Paulo (SP).

Ela é de Santo André (SP), tem exatos 900 textos publicados até hoje, domingo, 18 de agosto de 2019, no RdL, onde está desde 24 de janeiro de 2007 e conta 57.355 leituras, publicando desde acróstico até trovas. Reside em São Paulo (SP) e é a supermãe da Luísa Campião, para quem dedicou recentemente um terno poema pleno de amor maior pelos 18 anos da querida filha. Conheça um pouco mais de Patrícia Justino, com quem iniciamos hoje uma série de entrevistas com pessoas que fazem a literatura e a poesia acontecerem e a quem agradecemos pela atenção ao nosso convite e gentileza das respostas às questões padronizadas. Aprecie(m) bem e aproveite também os questionamentos (eles são mais ou menos fixos, clichês, estereotipados, no sentido de que não são necessariamente originais e se limitam a seguir modelos conhecidos - mas as respostas, não) porque a/o próxima/o entrevistada/o poderá ser você.

01- A primeira pergunta é básica e talvez até se torne clássica, para quem é, como a nossa entrevistada de hoje, usuária do Recanto das Letras, publicando há mais de dez anos: Como tem sido a experiência de trabalhar/batalhar pelas letras num sítio na internete como o RdL? Muitas dificuldades e, talvez, algumas críticas e pouco reconhecimento pelo trabalho diuturno ou tudo sempre termina com saldo positivo ao final de cada dia?
Patrícia Justino: Minha colaboração no RdL nunca foi pretensiosa. Chego ao Recanto por convite do nobre e generoso Marcos Bastos, Poeta de grande valor e multitalentos!!!
Sem falsa modéstia, registro meus rabiscos para eu mesma não os esquecer.

02- E como poetisa e escritora: Quando, por que e como surgiu o interesse pelas letras e literatura/poesia na senhora (em você)? Prefere prosa ou poesia? No cotidiano/vivência/fazer literário, é mais tradicionalista (normativista) ou adepta da linguagem livre?
PJ: Prefiro a informalidade do “você”, rsss... também a liberdade das emoções na construção de meus versos...
Fico encantada com os colegas e amigos que, além de serem sensíveis, criativos, conseguem seguir normas, regras e nos brindam com construções poéticas maravilhosas!
Muito antes de saber ler, os livros me atraiam e aguçavam as ideias. Até eu  ser alfabetizada, folheava o Diarinho, suplemento infantil do DGABC - Diário do Grande ABC - e ficava inventando estorinhas.

03- Como nossa perspectiva (do entrevistador) privilegia a poesia, qual é a função da literatura no processo de formação das pessoas e manutenção de um equilíbrio existencial e, mais especificamente, qual é a função da poesia na formação do indivíduo? Poesia e literatura servem para quê?
PJ: Há almas intocáveis pela poesia. Há seres que, se obrigados a ouvir alguns versos, rsss, poderiam sucumbir, como vampiros atingidos por uma bala de prata.
Em mim, versos geram energias, emoções, me resgatam memórias, me levam e elevam, são felicidades, pontes;;;

04- Para você, como integrante da área literária, o que é e o que não é literatura ou o que é e o que não é passível/possível de ser (considerado/a) poesia? Poesia é algo para se levar a sério – pode transformar as pessoas e, consequentemente, o mundo – ou é, para você, só uma “recreação do 'espírito'”?
PJ: Literatura é a arte de criar e compor textos, como poesia, prosa, literatura de ficção, literatura de romance, literatura médica, literatura técnica, literatura portuguesa, literatura popular, literatura de cordel etc.
Eu, espirito livre que sou, aceito todo texto emocionante como poesia e me sinto intrusa na literatura. Por ser preguiçosa em seguir regras. Meu espírito realmente se deleita no Recanto!

05- As pessoas envolvidas com literatura já escreveram alguma poesia ou prosa de maneiras diversas ou seguindo algum itinerário em algum momento. Você escreve poemas seguindo basicamente um ou outro desses dois aspectos? Se sim, quanto ao processo de construção de seus poemas, você rascunha esboços? Como se dá predominantemente o seu processo criativo? O escrever é natural, sob inspiração, aleatório e espontâneo ou sob a decisão de escrever algo sobre algum tema? Existem certos dias, ou ocasiões especiais, em que você trabalha/escreve melhor do que em outros? Ou acha que a poesia é exclusivamente labor e transpiração? Drummond ( = inspiração ) ou João Cabral ( = labor )?
PJ: Preciso escrever de pronto! Num ímpeto só. Sinto a emoção e procuro transpô-la em letras. As poucas vezes que experimentei fazer um rascunho para depois elaborar melhor as ideias, virou outra coisa.
Eventualmente escrevo ouvindo músicas. Algumas vezes sou inspirada por amigos e amigas do RdL;
Sou mais inspirada quando vivo os turbilhões das paixões.

06- Em geral, você é mais otimista ou pessimista em relação à vida e/ou ao mundo? Se escreve frequentemente (preponderantemente) poemas, como você definiria sua poesia? Você é uma poetisa mais dionisíaca ou mais apolínea? Gosta mais de poesia experimental ou é mais receptiva à tradição poética?
PJ: Normalmente sou otimista!
Escrevo despretensiosamente, registro minhas emoções, 99% das vezes é puro sentir e viver, raramente é uma fantasia, uma inspiração.
Confesso que precisei buscar as definições de dionisíaca e apolínea, rsss ...  Minha vida e meus versos certamente são regidos por Dionísio!
Gosto muito de ler todos estilos e não gosto de seguir nenhum.

07- Que poetas/poetisas você lê? Tem preferência por literatura/poesia local, nacional ou internacional (em língua portuguesa, ou, no caso de outra, citar: qual idioma)? Cite 10 autores/as (preferencialmente, na maior parte, poetas/isas) indispensáveis em todos os tempos ou estilos de época para a compreensão, percepção e degustação/fruição do fenômeno literário no seu estado (ou região), no Brasil e no mundo. Quais os/as autores/as que mais a influenciaram? Cite alguns/mas poetas/isas e/ou escritores/as pelos/as quais você tem admiração.
PJ: Leio todos autores que meus olhos alcançam, sem preferências, sempre em língua portuguesa. Amei conhecer a poesia de Neruda, Rumi, Bandeira, Quintana, Leminski, Paulo Bonfim, Vinícius, Clarice, Rosana Banharoli, Cora Coralina... muitos e muitos outros. Todos me influenciaram, tantos compositores musicais, pura poesia, como Itamar Assumpção, Guilherme Arantes... muuuitos mesmo!
Lembrei agora de uma poetisa andreense [de Santo André, SP], Ercília Guarani, um livro dela chegou em minhas pequenas mãos aos 8 anos. Eu devorei seus versos, sabia todos de cor.

08- Hoje em dia, com as facilidades do mundo moderno, cheio de mil e sempre mais uma opções (ou "opções"), ainda há espaço para a poesia/literatura, diante da variedade de coisas, muitas delas de qualidade duvidosa, oferecidas diariamente para as pessoas? Qual é o sentido de escrever/batalhar literatura/poesia hoje, numa sociedade regida pela mídia e pelo mercado? Dá para acreditar em alguma coisa hoje? Alguma utopia?
PJ: Preciso encontrar espaço e tempo para este prazer, ler, escrever, ouvir poesias. O mundo tenta me devorar, mas vou resistir! Sou cheia de esperanças, vejo minha Luísa, hoje com 18 anos, devoradora de livros. Incentivo os pequeninos sobrinhos, presenteio sempre com revistas recreativas e livros infantis. Creio mesmo que apesar de todas dificuldades haverá espaço para seres pensantes, sensíveis, criativos.

09- Existe algum poema, frase ou pensamento que sempre a acompanhou ou acompanha por toda a vida? Qual ou quais?
PJ: Não foi sempre, mas será: “ quando me liberto, enfim, descobri que nada restou... tomara que fique de mim, ao menos um verso, o verso que sou ” Facuri.

10- Vale a pena lutar pela cultura e literatura, especialmente pela educação e formação das novas gerações?
PJ: Sempre valerá a pena! Um povo culto tem o maior dos tesouros! O saber ninguém remove.

11- Se escreve mais frequentemente poemas, qual(is) você considera que seja(m) o(s) seu(s) melhor(es) poema(s)? Cite um trecho dele(s).
PJ: Não consigo escolher um!

12- O que você acha da utilização da internete e de outros meios ditos modernos para a divulgação de obras e autores? O livro corre algum perigo de extinção?
PJ: A internet é um veículo, um facilitador da informação, comunicação, eu adoro um livro físico, tocar, sentir o cheiro. Minha filhota Luísa também espera ansiosa cada livro que ela compra em sites de livrarias, muitos antes do lançamento. Não creio na extinção dos livros físicos!

13- Se considera a literatura e a sensibilidade estética/humanista como algo importante, como a poesia marca seu dia-a-dia e sua vida? E quais as dificuldades hoje para se encontrar a poesia das coisas e seres no cotidiano? Lidar de forma massiva com o ser humano não endurece progressivamente a sensibilidade?
PJ: Dia-a-dia difícil há tempos. Só a alma sensível resiste.

14- Parece que as pessoas, comumente, não veem da melhor forma possível o “novo” nas artes em geral. Por que isso acontece? Qual a sua opinião sobre a inovação na poesia e nas artes? Há perigos na busca constante por inovação? Você acha que essa tendência se acentuou nos últimos anos?
PJ: Creio que sempre haverá quem se assuste ou ignore o novo! Não sei explicar o porquê isso acontece, imagino que possa ser justificado pelo repertório de cada indivíduo. Particularmente penso que a inovação nas artes é inerente, faz parte da evolução de ser humano, do olhar curioso... Com a velocidade das evoluções tecnológicas, tudo fica célere.

15- Minimizando os perigos e vicissitudes do tipificar, qual o tipo de leitor/a que mais aprecia as suas criações literárias? Como seria o/a leitor/a exemplar para você? Há interesse das novas gerações pela literatura e cultura, especialmente pela poesia ?
PJ: Creio que meus leitores têm idades, gêneros, origens e formações das mais diversas.

16- Qual é o seu olhar sobre a arte (contemporânea)? Como você vê a situação atual da literatura no seu estado (região)? E no Brasil?
PJ: Sou privilegiada, a Grande S Paulo sempre teve instituições acessíveis e incentivadoras para processos criativos; apesar de nunca participar, vejo editais e convites para vários concursos e oficinas literárias em Casas de cultura renomadas e fábricas de cultura periféricas.

17- Que conselhos você daria para quem está iniciando na área da literatura e de poesia?
PJ: Leia muito, compartilhe suas obras, tire-as da gaveta! Deixe-as respirar!

- Agora, estilo revistinha de amenidades, pensamento rápido e conciso para as perguntas/respostas seguintes:

18- “O que lhe faz feliz?”
PJ: Sentir o amor!

19- “Um momento que definiu sua vida?”
PJ: O nascimento da Luísa Campião em 22/07/2001.

20- Qual a sua maior qualidade?
PJ: Ser amorosa.

21- E seu maior defeito?
PJ: Ser teimosa.

22- “Quem lhe inspira?”
PJ: Meu pai.

23- Melhor conselho que já deu?
PJ: Volte a estudar. Melhore suas competências.

24- Do que você tem orgulho?
PJ: De ser autosuficiente.

25- “Tipo de gente que você tem dificuldade de conviver?”
PJ: Gente leeeeeeeenta.

26- Qual a melhor década?
PJ: Ah!!! Creio piamente que aquela que não vivi. 1960.

27- O melhor dos anos 80?
PJ: Série de livros Vaga Lume.

28- E o melhor dos anos 90?
PJ: Salsa Caixa 2, uma big banda extinta.

29- “Um sonho?”
PJ: Publicar o livro do Facuri.

30- Qual a característica mais importante em uma mulher?
PJ: Lealdade.

31- E em um homem?
PJ: Lealdade.

32- O que mais aprecia em seus amigos?
PJ: Lealdade.

33- “O que seria a maior das tragédias?”
PJ: Enterrar um filho.

34- Maior conquista como profissional?
PJ: Durante 2 anos, recordista de vendas na Valeo 2005-2006.

35- Ideia de felicidade:
PJ: Amar e ser amada.

36- “O que lhe tira do sério?”
PJ: Gente preguiçosa.

37- “O que não entra em sua casa?”
PJ: Sei lá, rss.

38- Segredo para o sucesso profissional?
PJ: Dedicação.

39- “Quem você gostaria de ser se não fosse você mesma?"
PJ: Kkk, nunca desejei ser outra pessoa.

40- “Que superpoder gostaria de ter?”
PJ: Onipresença.

41- Qual o defeito mais fácil de perdoar?
PJ: Gula.

42- E a qualidade mais admirável?
PJ: Lealdade.

43- O que é sagrado para você?
PJ: Amor.

44- O que acha do pensamento de Salamah Mussa, de que "Não é a beleza o objetivo da literatura e sim a humanidade"?
PJ: Muito bom! A sensibilidade, o pensar, o emocionar, não precisa ser belo.

45- O que diz sobre a expressão de Paul Valéry, “O objetivo profundo do artista é dar mais do que aquilo que tem”?
PJ: Pensando...

46- Concorda (ou não), numa perspectiva geral, visto que o autor (o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre) também foi literato (engajado), que “A existência precede a essência”? Qual (ou quais) o(s) seu(s) "mote"(s)/pensamento(s) preferido(s)? E o que pensa sobre literatura (especialmente poesia) engajada?
PJ: Só poetas incríveis são engajados!

47- Qual(is) você considera que seja(m) a(s) sua(s) maior(es) qualidade(s) como escritora/poetisa?
PJ: A franqueza, a transparência do meu sentir.

48- Para finalizar, expresse algo que deseja tornar público e que ainda não tenha sido mencionado anteriormente ou que você queira destacar. Palavra aberta, à vontade.
PJ: Caríssimo amigo das letras Cláudio Fernandes, gratidão por sua amizade, seu incentivo até aqui!
Espero não o decepcionar com minha simplicidade.
Abração fraterno a você e aos caríssimos leitores.


Agradecemos a generosidade e boa vontade da prezada colega Patrícia Justino em nos conceder esta entrevista e formulamos votos de muito bom sucesso.



Cláudio Carvalho Fernandes e Patrícia Justino
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 19/08/2019
Reeditado em 19/08/2019
Código do texto: T6723680
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cláudio Carvalho Fernandes
Teresina - Piauí - Brasil, 55 anos
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Cláudio Carvalho Fernandes