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Entrevista com o Poeta Nômade

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 . . .             Entrevista com o poeta Nômade, de Teresina, PIauí.

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ENTREVISTA  com  o  Poeta  Nômade,  de  Teresina,  PIauí,  Mestre em Letras (Língua e Literatura), Poeta e Prosador e usuário do RdL:

01- A pergunta inicial, básica, clássica: A literatura em você, quando surgiu? Por que e como começou a se interessar por literatura e poesia? Tem lembranças de quando surgiu a “sensibilidade estética à palavra” em você? Qual o seu primeiro contato com a literatura?

- RESPOSTA: Lembro que minha avó materna pedia para eu ler cordéis para ela. O mesmo acontecia com meu avô paterno, que era cego. Raramente nos visitava e, para minha surpresa, decorava e recitava histórias completas dos cordéis que eu lia para ele. Esse certamente foi o primeiro contato com literatura, poesia, lida por mim, porque antes disso eu pedia para meu irmão mais velho textos narrativos que conseguíamos num projeto de incentivo à literatura que existia num antigo Centro Social Urbano que ainda hoje existe no bairro onde passei toda minha infância, Buenos Aires. Lá tínhamos centenas de obras que podíamos pegar emprestado, como não sabia ler embarcava nas leituras de meu irmão, John. Curiosamente o meu interesse pela poesia surgiu não pela poesia em si, mas pela análise de poesia que eu acompanhava no antigo Telecurso segundo grau, exibido na TV, antes do café da manhã. Então ficava inquieto com a análise dos sonetos. Achava que era a coisa mais complexa e interessante em termos de produção poética. Métricas, rimas, temas todos ali retirados de um pequeno texto. Talvez ali a curiosidade de aprender a analisar e a produzir poesias tenha se instalado de vez na minha vida.


02- Qual é a função da literatura e, mais especificamente, da poesia? Poesia e literatura servem para quê? O que se busca na poesia? Qual é O principal desejo de poeta/poetisa? É a eternidade?

- RESPOSTA:  A literatura serve de refúgio quando o mundo está insuportável e serve para avivar as cores quando o mundo está habitável. A literatura tem várias funções, mas está sempre na corda bamba entre a realidade e a ficção. Porque o universo nela criador se espelha no real, aceitando a realidade ou negando, de qualquer forma, há o concreto da existência ao redor do escritor quando ele brinca de ser Deus, criando realidades. Por sermos criação não experimentaremos a sensação da criação a partir do nada, mas em tentarmos já nos queremos eternos por fugir à normalidade dos seres comuns, que não constroem mundos com as palavras. No fundo, queremos continuar após a nossa morte, nas letras e nas lembranças de quem for ficando por aqui.


03- Como tem sido a experiência de trabalhar/batalhar pela poesia e pelas letras num sítio de internete como o RdL? Os/as leitores/as têm interesse por literatura de qualidade e, especificamente, por poesia?


- RESPOSTA:
É experiência de ter sempre à mão um suporte para escrever. Nem sempre as ideias demoram em nossas cabeças e a possibilidade de pensar e registrar através das várias possibilidades de conexões disponíveis hoje em dia, como celulares e tabletes entre outros é algo que facilita a produção de textos, mesmo que seja para futuras correções. Ajuda muito o retorno quase automático que temos do público leitor presente no RdL, principalmente por se tratar de um público especializado ou no mínimo interessado em poesia e outros tipos de texto. A diversidade de estilos e a enorme quantidade de poetas no RdL gera, de certa forma, um ambiente que estimula e que gera uma série de possibilidades de diálogos e, por que não dizer?, de modos de fazer poesia, uma vez que a leitura e os comentários das poesias lidas servem de inspiração para a produção de novos textos. Há sempre uma troca, mais ou menos explícita.

 
04- Para você, o que é e o que não é literatura ou o que é e o que não é poesia? Poesia é algo para se levar a sério – pode transformar as pessoas e o mundo – ou é só, para você, uma “recreação do 'espírito'”?


- RESPOSTA:  Tomando como exemplo a escultura, podemos dizer que uma barra de ferro não é uma escultura, a menos que um artista a coloque numa situação conceitual em que todos sejam levados a olhá-la como escultura, uma exposição de arte, por exemplo. O normal é o escultor dobrar, amassar, cortar, lixar e fazer as mais diversas alterações para que a barra de ferro torne-se arte. Nos dois casos a barra de ferro deixou de ser uma simples barra de ferro. Ou por o artista intervir no ambiente ou por ele agir diretamente na matéria para torná-la obra de arte. Se tomarmos isso como verdadeiro, podemos chamar de arte aquilo que resulta do esforço do artista para que a matéria seja vista de forma diferente ou para transformá-la em algo diferente e apreciável. Se houver esse esforço já podemos chamar de arte. O resultado e a noção de valor já é outra coisa. Poesia é quando, em vez da barra de ferro, usamos a palavra.
Para quem produz poesia ela sempre é levada a sério, mesmo que alguns digam o contrário, pois é fruto de um esforço pessoal ou coletivo para criar algo novo a partir do que já existe. Para quem ler apenas esporadicamente pode ser apenas deleite, mas o hábito da leitura, por mais lúdico que pareça, muda o modo dos leitores enxergarem o mundo, o que é um passo inicial para lutarem por mudanças.

05- Quanto ao processo de construção de seus poemas/textos, você rascunha esboços? Como se dá o seu processo criativo? Como é que predominantemente o seu processo criativo ocorre? O escrever é natural, sob inspiração, aleatório e espontâneo ou sob a decisão de escrever algo sobre algum tema? Existem certos dias, ou ocasiões especiais, em que você trabalha/escreve  melhor do que em outros? Ou a poesia é exclusivamente labor e transpiração? Drummond ( = inspiração ) ou João Cabral ( =  labor )?

- RESPOSTA:  Ando sempre com algumas ideias na cabeça esperando uns versos que as exponha de forma adequada. Assim, embora a escrita do poema seja um trabalho relativamente rápido, às vezes sem rascunho, a busca pela forma certa é algo constante e até mesmo aleatório. De repente uma imagem me traz a palavra certa para uma das ideias que carrego. Um diálogo, uma leitura de outro poeta, uma fala que ouço mesmo sem participar dela podem gerar um verso inicial que dispara a construção das estrofes e poemas. Às vezes o oposto pode acontecer e eu chegar a uma ideia a partir de uma palavra ou expressão. Meu processo é carregar sempre comigo algo que gere poesia ou andar atento para quando eu for encontrado por algo que gere poesia eu tire partido do encontro, ou melhor, tire poesia. Posso dizer que a produção de textos é um exercício constante, com resultados inconstantes, porque é sempre aleatório o encontro da ideia com a palavra que utilizo para produzir algo.


06- Em geral, você é mais otimista ou pessimista em relação à vida? Como você definiria sua poesia/escrita? Você é um poeta mais dionisíaco ou mais apolíneo?

- RESPOSTA:  Sou obra de antíteses. Um pessimista esperançoso. Um brincalhão sério. Que produz textos mostrando os erros humanos não para eternizá-los, mas para instigar a mudança. Sou aquele que diz que o amor é uma tentativa em vão do ser humano. Mas deixo claro que a busca é que nos move e não os resultados.


07- Que poetas/autores você lê? Tem preferências por alguns locais, nacionais ou internacionais? Cite 10 autores indispensáveis em todos os tempos ou estilos de época para a compreensão, percepção e degustação do fenômeno literário no seu estado, no Brasil e no mundo. Quais os autores que mais o influenciaram? Cite alguns poetas e/ou escritores pelos quais você tem admiração.

- RESPOSTA:
- Nascidos ou que conviveram no meu estado (mesmo que tenham produzido fora do Piauí) – Torquato Neto, Da Costa e Silva, Mário Faustino, Paulo Machado, Cláudio Carvalho.
- Brasileiros – Manoel de Barros, Carlos Drummond, Paulo Leminsk, Augusto dos Anjos.
- Fora do Brasil – Camões, Fernando Pessoa, Meng Chiao.

08- Hoje em dia, com as facilidades do mundo moderno, cheio de mil e sempre mais uma opções (ou “opções”), ainda há espaço para a poesia, diante da variedade de coisas, muitas delas de qualidade duvidosa, oferecidas diariamente para as pessoas? Qual é o sentido de escrever poesia hoje, numa sociedade regida pela mídia e pelo mercado? Dá para acreditar em alguma coisa hoje? Alguma utopia?

- RESPOSTA: É preciso fazer poesia sempre para que haja um aperfeiçoamento pessoal de quem a produz, independente da existência do leitor ideal. O gosto pela poesia não é algo esperado para a maioria dos brasileiros. O pragmatismo da leitura em nosso país impede a apreciação da poesia pela quase totalidade da população, mas há sempre um leitor “torto” que buscará a poesia por motivos diversos e esse precisa de que haja uma divulgação dos bons escritores “antigos” e uma renovação constante de material de “boa” qualidade.


09- Existe algum poema, frase ou pensamento que sempre o acompanhou ou acompanha por toda a vida? Qual ou quais?

- RESPOSTA: Viver deveria ser menos complicado.


10- Como tem sido o interesse por suas obras já publicadas, se já as tem? Os leitores têm procurado muito por elas? Quem são as pessoas que a procuram? Vale a pena lutar pela cultura e literatura, especialmente a poesia?

- RESPOSTA: Tudo que produzi foi sem intenção ou sem o esforço para que se tornasse algo comercial, considerando a possibilidade de uma lucratividade da ação. Tiragens reduzidas que foram doadas ou vendidas aos amigos e alunos. Vale a pena insistir como modo de evolução pessoal na produção poética. Certamente a intenção de maiores tiragens bem como a maior divulgação do meu trabalho virá com a maturidade.


11- Qual(is) você considera que seja(m) o(s) seu(s) melhor(es) poema(s)? Cite um trecho dele(s).

- RESPOSTA:
          para elas
                         eu sou
                                   afro
                                         dizia
                                               a cor.

Pela simplicidade e pelas possibilidades de leitura.  Existem outros poemas recentes mais bem elaborados, mas talvez esse tenha sido um dos primeiros poemas no qual reconheci um certo trabalho criativo condizente com a ideia a ser transmitida pelas palavras.


12- O que você acha da utilização da internete e de outros meios ditos modernos para a divulgação de obras e autores? O livro corre algum perigo de extinção?

- RESPOSTA:  A humanidade não abandona aquilo que a encantou em determinado momento. O livro fez isso! Haverá certamente a mudança da visão sobre o livro, pode passar a ser “coisa” de museu, mas não deixará de existir. Sempre contará com alguém ou grupo que fará uso dele, assim como ocorre com o ábaco, com a ampulheta, com o vinil etc.


13- Você tem participação em concursos literários ? Como a poesia marca seu dia a dia e sua vida? E quais as dificuldades enfrentadas por um escritor poeta para publicar sua(s) obra(s)?

- RESPOSTA: Participei de alguns concursos literários há mais de dez anos. Ainda no ensino médio, a seleção de um conto para uma coletânea no antigo CEFET, hoje IFPI, serviu de estímulo para decidir pela graduação em Letras Português. Lógico, com auxílio das palavras elogiosas do professor da disciplina. Na graduação, na UFPI, a escolha de um conto em um concurso realizado pelo Departamento de Letras também ajudou na minha busca por aperfeiçoamento. Talvez o mais significativo em termos de participação em concurso tenha sido o prêmio que recebi num concurso realizado pela Academia Piauiense de Letras. Significativo por ser uma obra, e não textos isolados, e por essa obra ser poética, uma vez que nos concursos anteriores obtive boas colocações com contos, sendo que o grosso de minha produção é em versos. A dificuldade para o poeta, para o escritor brasileiro em geral é a da ausência de valorização da atividade intelectual e artística escrita em nosso país. É difícil vender um produto para um público restrito e a indústria cultural não intenciona gastar com a ampliação do público sem a certeza de um retorno. Assim é mais cômodo vender clássicos e estrangeiros já consagrados do que apostar em novos escritores.


14- Parece que as pessoas, comumente, não veem da melhor forma possível o “novo” nas artes em geral. Por que isso acontece? Qual a sua opinião sobre a inovação na poesia e nas artes? Há perigos na busca constante por inovação? Você acha que esta tendência se acentuou nos últimos anos?

- RESPOSTA: Hoje existe uma integração mais forte entre literatura e outras formas de arte. O cinema, por exemplo, lança luz sobre novas e velhas narrativas de livros. Isso gera uma corrida às livrarias por pessoas que não conhecem tais escritores, novos ou velhos escritores. Somos uma civilização midiática. O que é “bom” é o que a mídia põe em evidência, porque se torna uma obra conhecida. O perigo está na possibilidade de escolhas não criteriosas, mesmo correndo tal risco a inovação deve ocorrer sempre.


15- Qual o tipo de público que mais aprecia as suas obras? Há interesse das novas gerações pela literatura e cultura, especialmente pela poesia?

- RESPOSTA:  Público adulto. No geral professores de Língua Portuguesa. Através de redes sociais e de sites especializados como o RdL são os leitores que têm acesso ao que escrevo. Sobre as novas gerações posso dizer que, pela interação diária com a tecnologia e pela busca de expressão através de fragmentos de escrita que sejam capazes de traduzir sentimentos de momento, é cada vez maior o publico jovem que está dando “usos” diversificados para a cultura e para a literatura no seu dia a dia.


16- Qual é o seu olhar sobre a arte (contemporânea)? Como você vê a situação atual da literatura no seu estado? E no Brasil? Existe apoio de algum tipo ou mesmo incentivo para a produção cultural, literária e, especialmente, de poesia?

- RESPOSTA:  Concursos literários estão se multiplicando, outras formas de arte ajudam na divulgação da literatura, a publicação virtual possibilita um custo “zero” para iniciantes. O Brasil, institucionalmente e “mercadologicamente”, ao longo da sua história, demonstrou desinteresse pela produção literária. Atualmente a invasão de obras narrativas estrangeiras acompanhando o cinema, por exemplo, e a não reação da indústria cultural brasileira demonstram que esse apoio, quando ocorre, é incipiente. Quanto à poesia, a coisa é pior, nem os de fora conseguem grande abrangência entre os leitores não especializados.


17- Que conselhos você daria para quem está iniciando na área da literatura e de poesia?

- RESPOSTA:  É um momento repleto de possibilidades. Os novos devem construir seus mapas diante dos vários caminhos possíveis.

- Agora, jogo rápido para as perguntas/respostas seguintes:

18- O que te faz feliz?
RESPOSTA: Meus filhos e as pessoas com quem divido minha poesia.

19- Um momento que definiu sua vida?
RESPOSTA: Casamento / separação

20- Qual a sua maior qualidade?
RESPOSTA: Ser observador.

21- E seu maior defeito?
RESPOSTA:  Agir por impulso em determinadas situações.

22- Quem te inspira?
RESPOSTA: A linguagem.

23- Melhor conselho que já deu?
RESPOSTA: Estude.

24- Do que você tem orgulho?
RESPOSTA: Ser pai.

25- Tipo de gente que você tem dificuldade de conviver?
RESPOSTA: Quem valoriza somente o ter.

26- Qual a melhor década? E por quê?
RESPOSTA: Esta, porque tenho uma memória péssima.

27- O melhor dos anos 80?
RESPOSTA: A música

28- E o melhor dos anos 90?
RESPOSTA: A música

29- Um sonho?
RESPOSTA: Educação de qualidade para a maioria dos brasileiros.

30- Qual a característica mais importante em uma mulher?
RESPOSTA: Criatividade. As poucas que me tiveram e a que me tem expressaram tal característica por meio da pintura, do teatro, da música, do canto, da dança e, principalmente, da poesia.

31- E em um homem?
RESPOSTA: Sinceridade.

32- O que mais aprecia em seus amigos?
RESPOSTA: A paciência. O fato de continuarem a serem meus amigos, apesar de minhas ausências.

33- O que seria a maior das tragédias?
RESPOSTA: Não ser enterrado pelos meus filhos.


34- Maior conquista como profissional?
RESPOSTA: Saber que confiam plenamente no meu trabalho.

35- Ideia de felicidade:
RESPOSTA: Alterar para melhor a vida das pessoas ao meu redor.

36- Maior conquista até agora?
RESPOSTA: “Am(o)zades.”

37- Qual o defeito mais fácil de perdoar?
RESPOSTA: A preguiça.

38- E a maior das qualidades?
RESPOSTA: Paciência.

39- O que é sagrado para você?
RESPOSTA: A família (não necessariamente o casamento)

40- Quais são seus 10 filmes preferidos?
RESPOSTA: Não lembro

41- Indique 5 (ou mais) livros de que você gostou bastante.
RESPOSTA: A elegância do Ouriço, de Muriel Barbery; Poemas tardios, de Meng Chiao; Eu, de Augusto dos Anjos; Toda poesia, de Paulo Leminski; O amante, de Marguerite Duras.

42- O que lhe tira do sério?
RESPOSTA: Pessoas que só valorizam o ter.

43- O que não entra em sua casa?
RESPOSTA: Pessoas que não foram convidadas.

44- Segredo para o sucesso profissional?
RESPOSTA: Empolgação

45- Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo?
RESPOSTA: Um músico.

46- Que superpoder gostaria de ter?
RESPOSTA: Leitura de mentes

47- Indique um (ou uns - 5 – ou mais)  livros que você leu recentemente e gostou muito e 3 que você gostaria de ler ou ainda pretende ler.
RESPOSTA: Poucas leituras recentes. Indicaria as da questão 7.


48- O que acha do pensamento de Salamah Mussa, de que "Não é a beleza o objetivo da literatura e sim a humanidade"?

RESPOSTA:  Se a humanidade a que se refere não for atemporal, concordo, pois a beleza e a humanidade são criações humanas... o tempo e o espaço agem diretamente sobre elas. A literatura é um retrato de um momento da humanidade. Nos permite ver como éramos, como mudamos e como somos.

49- O que diz sobre a expressão de Paul Valéry, “O objetivo profundo do artista é dar mais do que aquilo que tem”?

RESPOSTA:  Concordo. Só há evolução quando se busca extrapolar os próprios limites.

50- Concorda (ou não), numa perspectiva geral, visto que o autor (o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre) também foi literato (engajado), que “A existência precede a essência”? Qual (ou quais) o(s) seu(s) "mote"(s)/pensamento(s) preferido(s)? E o que pensa sobre literatura (especialmente poesia) engajada?

RESPOSTA: Se a literatura for capaz de possibilitar ao leitor a capacidade de compreensão da linguagem nas linhas e nas entrelinhas, a ponto de fazê-lo uma pessoa mais sensível diante da realidade, será difícil enganá-lo. A enganação é a estratégia argumentativa de quem vende o “sonho” do capitalismo.

51- Qual(is) você considera que seja(m) a(s) sua(s) maior(es) qualidade(s) como escritor/poeta?

RESPOSTA: O meu esforço constante para captar os “sotaques” dos poetas que leio. Isso me faz perceber que há diferentes formas de escrever e tento sempre escrever de forma diferente.

52- Para finalizar, expresse algo que deseja tornar público e que ainda não tenha sido mencionado anteriormente ou que você queira destacar. Palavra aberta, à vontade.

RESPOSTA: Só devemos fazer planos para sempre se considerarmos que o nosso sempre é o vivido no presente. Somos feitos de mudanças, já dizia Camões e muitos outros poetas que o sucederam. Aceitar que mudaremos o planejado para nossas vidas não nos faz fracos ou indecisos, nos faz humanos.




Grato pela entrevista (e parabéns, também, além da excelência das respostas, pelo aniversário na data de hoje, 11dez19).


Cláudio Carvalho Fernandes e Nômade
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 11/12/2019
Reeditado em 11/12/2019
Código do texto: T6816084
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cláudio Carvalho Fernandes
Teresina - Piauí - Brasil, 55 anos
188 textos (4174 leituras)
20 áudios (855 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/01/20 08:53)
Cláudio Carvalho Fernandes