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POR QUE VOCÊ ESCREVE?
Ou "Quando Nossas Asas São Feitas de Palavars"
(Leandro Severo da Silva)
 
Meu amigo Escritor e Poeta Recantista, LeandroSeverocriou um projeto de ENTREVISTAS com escritores que está começando a conhecer 
e divulga o trabalho na sua página.
Fui uma das entrevistadas e compartilho o resultado para deixar na minha escrivaninha o registro dessa experiência que adorei!
Obrigada, Leandro, pela oportunidade!!!
 

*QUANDO VOCÊ COMEÇOU A ESCREVER?*

R: Comecei a escrever, efetivamente, no início do Ensino Fundamental, quando tive minha primeira poesia publicada no jornal do Grêmio do meu Colégio. Mas sempre me destaquei (o digo com humildade) nas redações escolares, o que motivava comentários incentivadores dos professores. Um grande estímulo.
 
 
*POR QUE VOCÊ ESCREVE?*

R: Escrevo porque não consigo aprisionar sentimentos, emoções, vivências... escrevo porque as palavras, quando bem combinadas num texto, conseguem dizer o que a fala, muitas vezes, não diz. Escrevo porque gosto da fantasia, da mentira poética, das verdades escancaradas – ou disfarçadas. Escrevo porque a “alma fala se o corpo cala” (verso de um poema meu). Escrevo porque liberto “meu eu” mais profundo. Escrevo porque é fascinante o que nossos pensamentos resultam em texto.
 
*O QUE VOCÊ ESCREVE?*

R: Escrevo Poesias, Contos, Crônicas. Dentre esses, as Crônicas e Contos me aprazem mais. Mas tenho escrito mais Poesias, ultimamente.
 
*COMO VOCÊ ESCREVE?*

R: Escrevo a partir de “estalos”. De repente me vem uma frase, que sinto ter a possibilidade de crescer, e, se estou longe do computador, a anoto num papel qualquer para depois trabalhá-la. Se já estou no PC procuro desenvolver a ideia imediatamente. Na maioria das vezes o texto flui bem rápido e depois entra o processo de revisão e cortes, substituição de palavras, busca da melhor rima - no caso de poesias, e etc. Sou bastante exigente comigo mesma e só considero o texto pronto quando gosto muito (muito mesmo!) do que escrevi. Se a ideia não se desenvolve, procuro esquecer a frase, ou a guardo para inserção em algum outro texto, no caso de gostar muito dela. As crônicas podem surgir de formas várias, seja a partir de lembranças, de leitura de noticiários ou comentários em sites (como aconteceu com o texto “Labelle”). E os contos, embora também possam “nascer” com apenas uma primeira frase inicial inspiradora, carregam um pouco de projeções individuais, de anseios, sonhos, uma mescla de sentimentos reais ou de muita fantasia. Tenho um conto que surgiu a partir da leitura de um panfleto colado num poste de rua. Estava no trânsito parado. O panfleto apareceu em vários outros postes no trajeto, como se me dissesse: “preste atenção no que está lendo”! Cheguei em casa e corri para o computador. O texto surgiu rapidamente. Pura invenção e lembranças do que conhecia sobre o assunto.
 
 
*POR QUE VOCÊ ESCREVE O QUE ESCREVE?*

R: Aí está uma pergunta que não sei responder.... Se não fosse tão eclética nos temas que abordo, poderia dar uma resposta precisa. Escrevo tanto (na verdade, ainda não tanto) de tanta coisa, que não me arrisco a ser taxativa. Mas posso dizer que “padrões” não me representam de todo. Gosto de fugir deles e, especialmente nas minhas poesias, procuro ser o mais livre possível de amarras. Prefiro os versos livres. Mas faz parte da minha escolha “passear” por diversos estilos e compreendê-los. Para isso, tenho que escrevê-los também. Porém, posso traduzir o porquê escrevo com versos de uma estrofe de uma poesia minha: “Escrevo quando minh’alma transborda/ Quando me invade essa paz de poesia/ Quando algum sentimento me aborda/ Ou qualquer beleza em mim se irradia...”
 
 
*O QUE VOCÊ PRETENDE ESCREVENDO?*

R: 
Basicamente, compartilhar emoções e sentimentos. Não serviria de nada guardá-los comigo. Gosto de “ser tocada” quando leio textos que me alcançam, que me dizem de sentimentos com os quais me identifico e me comovem. Que chegam a minha alma. E almejo que meus escritos assim também o sejam. Que convidem a reflexões, que digam algo e toquem almas.
 
*SE INSPIRA EM ALGUM(A) AUTOR(A)?*

R: Tenho três escritores que me inspiram: Carlos Heitor Cony (especialmente com o livro “Quase Memória”, com sua mescla entre ser um Romance e um Livro de Memórias); Gabriel Garcia Marques (com “Crônica de uma Morte Anunciada”, que considero o mais incrível livro que já li por conta da sua narrativa em que se descontrói o mistério desde as primeiras páginas – um recurso que ainda não consegui desenvolver) e Carlos Drummond de Andrade, obviamente por causa das incríveis construções poéticas com versos livres.
 
 
*QUAL SEU PIOR TEXTO E POR QUÊ?*

R: Autocrítica em modo on... vamos lá. Difícil dizer dos nossos escritos que não gostamos. Acho que todos ilustram um momento, uma fase. Seria, talvez, como dizer que se prefere um filho em detrimento a outro (não iria gostar nada de saber que não sou a preferida da mamãe – rsrs). Mas é claro que cometemos alguns equívocos em alguns momentos. Pensando desta forma, diria que “pesei a mão” num exagero desmedido (resultando em algo não muito convincente) na poesia “Calem-se”. Pronto, falei!
 
 
*PODERIA DIZER DE CABEÇA QUAL O SEU TOP 5 TEXTOS AUTORAIS*

R: Top 5 – hummmm...
Sem olhar os arquivos para relembrar, diria:
Um Blues para Elsa (conto);
Poética Liberdade (poesia);
É Isto Que me Seduz (soneto);
Hontem com H (crônica);
Não Quero Terra Firme Se Posso Voar (poesia)
 Mas tem outras mais que gosto muito. Por que você não colocou TOP 10? (rsrs)
 
*NA SUA OPINIÃO, QUAL O SEU MELHOR TEXTO E POR QUÊ?*

R: Maldade isso! Gosto de todos os meus textos! (Mas, quem não gosta dos próprios escritos?) Bom, já que é para escolher um, vamos lá. Gosto demais do conto “Um Blues para Elsa”. É uma história criada a partir de memórias de imagens de filmes americanos antigos (minha outra paixão – cinema!), de sofrimentos nascidos a partir da percepção das dores contidas no som de um blues, de tristezas da solidão e da vida boêmia. Eu acho que é uma história pungente. Senti um enorme prazer ao escrevê-la e de ver como resultou tão tristemente bonita. Talvez seja o meu melhor texto por ser o de conteúdo mais profundo e onde concentrei muitas lembranças de conhecimentos apreendidos e também onde coloquei muita poesia para descrever dor e sofrimento.
 
*SE VOCÊ PUDESSE OPTAR EM VIVER SÓ DO QUE ESCREVE, VOCÊ OPTARIA? POR QUÊ? *

R: 
Simmmm! Acho extremamente romântica a ideia “cinematográfica” do escritor recolhido em uma casa retirada dos grandes centros, apenas concentrado em escrever, embora esse estereótipo possa estar, na verdade, restrito ao mundo do cinema. A realidade pode se apresentar extremamente dura para os escritores da vida real. É claro que isso pode ser permitido aos escritores renomados, que tenham um patrocinador a lhes oferecer esse luxo, mas não se aplica a todos. Ainda assim, se pudesse optar, o faria. Assim como optei por ser professora, e de Artes Visuais (vivo mesmo sonhando...)!!! Porque sonhar é preciso. Porque, se faz bem, por que não o sonho? Por que não viver oferecendo sonhos em letras? Porque não serem as palavras um meio de vida? Se eu pudesse optar... ah, seu eu pudesse!
 
*TEM ALGUMA PERGUNTA QUE NÃO FOI FEITA E VOCÊ GOSTARIA QUE ELA FOSSE FEITA SOBRE ESSE TEMA?*

R: Talvez essa: Já que não existe uma faculdade para ser “Escritor” o que você acha que o/a faz um/uma?
Ao que eu responderia: Se você ama ler, provavelmente amará escrever. Mas escrever não o fará escritor se você não colecionar palavras, frases, encantos e sonhos... (assim, meio poesia)
 
*SE VOCÊ PUDESSE DIZER ALGO PARA QUEM QUER ESCREVER, O QUE DIRIA?*

R: 
Eu diria ESCREVA! Sobre qualquer assunto! Apenas escreva! Depois, encontre a inspiração do caminho a seguir. Seja em poesias, crônicas, contos, o que quer que seja! Apenas escreva muito!

Confira a entrevista na escrivaninha do Leandro!


 
Marise Castro e Leandro Severo da Silva
Enviado por Marise Castro em 11/01/2021
Código do texto: T7157510
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Marise Castro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/01/21 14:45)
Marise Castro