‘A GUEIXA IMORTAL’

Viveu intensamente, durante quase três séculos, no reino de São Filipe, sem nunca envelhecer, apesar da idade longeva. Ainda teve tempo se tornar uma gueixa e, pouco depois, rainha venerada por autóctones e estrangeiros. Antes de ser coroada, após a morte de sua mãe, a rainha Akeniza, lutou sempre com uma fúria inesgotável e pôde vencer a maioria das batalhas épicas contra milhares de piratas chineses que integravam caravanas originárias da Asia à procura do ouro vermelho – a acácia rubra, que era o símbolo sagrado do estado filipino e, por isso, protegido por uma legião de soldados, treinados por gladiadores gregos, numa selva em que habitavam minitauros e dinossauros.

Portanto, Zeliana, era filha de Zeus. A única africana com tal privilégio nascida, com sangue e sabedoria herdados da antiga Grécia, nesse próspero e muito cobiçado reino africano. Praia Morena era a sua capital, e uma das que mais prosperavam à época. Ali foram travadas fortes batalhas que tinham, por trás, o interesse descomunal de capturar toneladas e toneladas do então famoso ouro vermelho – a acácia rubra. Por essa razão, Zeliana enfrentou desafios e lutas épicas que ocorreram há muitos milhares de anos no então reino de São Filipe, invadido, vezes sem conta, por caravanas de piratas originários do sul da Europa e da China, que andavam atrás da rara flor, encomendada por mestres de perfumes de todo o mundo, pressionados por célebres réis de então. Uma chuva ácida extinguiu as flores que até então eram utilizadas. Daí o interesse dos ‘conquistadores’ por São Filipe, o que provocou uma escalada de conflitos que quase levaram ao seu desaparecimento, à época.

Akeniza, sua mãe e primeira rainha, governou São Filipe, em meio a muitas guerras. Mas engravidou-se misteriosamente. Fazia apenas dois anos depois da morte em combate do rei Ndakava. E numa noite, como qualquer outra, o reino foi tomado por eventos estranhos. O portão principal foi arrombado por um forte vento e relâmpagos que quase ceifaram vidas não fosse a rapidez com que as pessoas correram para se abrigar-se em suas casas construídas numa montanha muito alta, que poderia ser vista a partir da Europa, às noites. Quando a lua acendesse. Era, afinal, o sinal da inesperada visita de Zeus, deus grego. Enfeitiçado pela beleza das ‘caotas e morenas’, damas da corte do estado filipino, a divindade helénica empunhou sua espada sagrada, e lá viajou para São Filipe. Ao chegar aí, as ondas, que guardavam a região, ficaram agitadas. Porém, Zeus, estendendo sua espada, acalmou o mar bravio. Naquele momento, havia imenso medo entre as pessoas, que ao ouvirem o arrebentar das ondas na capital do reino temiam pelas suas vidas. Então, Zeus passou por entre os guardas do Palácio Real, sem que tenha sido notado. Afinal era um dos deuses! E calmamente dirigiu-se ao quarto onde Akeniza, uma rainha com um corpo endeusada, dormia. A divindade gostou do cheiro de acácias que decoravam o espaço e ficou ainda mais entusiasmado. Aproximando-se à socapa à cama, beijou a rainha e conheceu-a. Pouco depois, Zeliana, filha de Zeus, nascia favorecida duma inteligência sobrenatural. A partir dali, Zeus nunca mais deixou de olhar para o reino de São Filipe, protegendo-lhe dos invasores europeus, porque sua filha ali cresceria e se tornaria a guardiã principal do estado, travando lutas e guerras nunca dantes vistas.

Meio humana e meio deusa, Zeliana foi capturada, quando ainda criança, e levada para a China medieval, num navio que partiu do Porto do Cavaco. No único caminho de acesso ao reino - um estreito canal marítimo junto a um tenebroso Oceano, piratas fantasmas saqueavam e pilhavam bens destinados a São Filipe, reinado, mais tarde, por Benguela, um valente guerreiro, que viera a morrer numa sangrenta batalha contra comerciantes franceses que capturavam acácias para levá-las a fábrica de Paris, onde saiam as melhores fragâncias da época.

Zeliana aprendeu táctica em artes marciais na China, um Império poderoso aonde havia sido levada, por um traficante de acácias que a capturou. Posto no reino da ‘Dragão’, foi adoptada por um casal chinês que não tinha filho e se encantara com a sua inteligência e beleza. Parecia uma deusa – Dizia Aniong, famoso mestre que a treinava todos os dias, enquanto no Reino de São Filipe, as guerras com os franceses estavam longe de terminar. E a única esperança estava, agora, depositada, nessa filha do Benguela, que, como se soube, estava viva e decidida a voltar para libertar sua terra do domínio dos senhores dos perfumes. Certo dia, Zeliana, escondeu-se no porão de um navio que partiu do Porto de Beijing e rumou para África. Dentro era tão escuro e fazia frio, mas ela mantinha-se calma, apesar do medo que a afligia. Principalmente, quando as ondas abalroavam no navio, sacudindo-o violentamente.

A viagem demorou anos. Foi terrível. Durante a travessia ao Atlântico, o barco foi atacado por piratas, mas a tripulação teve sorte e, por pouco, não houve náufragos. Finalmente, chegava ao destino, o Porto de Santo António, o maior naquela altura. Um chinês, que cuidava da manutenção do motor do navio, ao descer para o convés, encontrou Zeliana, quase sem vida. Muito fraca e desidratada. Solidário, este a ajudou no imediato, mantendo-a em local seguro e secreto. Tudo fez para alimentá-la. Ninguém a poderia descobrir, pois seria morta. Passados alguns dias, Zeliana recuperou-se e, com a ajuda novamente do amigo de ocasião, ela escapou, determinada a mudar o rumo do Reino de São Filipe.

Mais tarde….

Passado algum tempo, a rainha Akeniza morreu. Zaliana tinha apenas 200 poetas voluntárias. Independente disso, venceu todas as guerras contra milhares de comerciantes e soldados invasores que tentaram a todo custo conquistar o reino, para o que contou o poder recebido do pai.

A gueixa sucedeu a mãe no trono e casou-se com o rei Eifelix II, de Paris, em 1617, com quem, antes havia, assinado um tratado de paz, o que enfureceu os conselheiros da corte, porque consideravam tal acto uma traição e dali sucederam-se tragédias que enfraqueceram o reino de São Filipe, até que, passados 395, Zeus decidiu chamar sua filha para viver no séquito dos deuses, algures pelo infinito….

Nkazevy
Enviado por Nkazevy em 13/08/2013
Reeditado em 15/04/2015
Código do texto: T4433088
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