Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto



De: Silvino Potêncio > Requiem para Um Presidente Cessante...

Esta noite assim eu sonhei!
E foi por toda a noite inteira,
Que o Presidente eu chamei...
Voismecê era um “Asno” de primeira!

O meu pesadelo eu versei,
Ali em plena Avenida,
Por causa que o encontrei...
Por entre uma multidão alarida!

Foi só uma mera coincidência,
Eu lhe ter dado essa resposta,
Aquela que ninguém gosta...
De saber nem ter ciência!

A minha origem eu declinei
Senhor Presidente... Português, eu sou!
Na terra aonde o meu Avô chegou
Ainda antes da Guerra, informei!

Ah ... então Voismecê é emigrante?!
Pensou ele em desafio...
Olhe!... eu também fui Retirante,
Em São Paulo e até no Rio!

Ora bem ... vamos lá ver!
Disse-me ele logo em seguida
De soslaio em voz sumida
Eu só sei ler e escrever...

E para governar a Nação
Nada mais eu precisei por certo,
Nem diploma ou Certidão
Eu tive?! ... nem de longe, nem de perto!

E foi assim a discussão que logo ali começou,
Eu também nunca isso eu tive...
Mesmo assim aqui se vive
Com quem nunca em si votou!...

Tá bãon... tá bãon!... aatão ele disse;
Voismecê deve ter feito alguma prova?!...
Quando a sua cabeça era nova,
P’ra saber escrever esta mesmice!...

E o meu sonho se prolongou,
Ali por toda a noite adentro,
Misturei alhos com coentro...
Naquela fala que ele encetou!

Pois no meio da multidão,
O Maioral desta Nação,
Veio em minha direção,
Para me dizer que não!...

Que ele não era nada disso,
Daquilo que eu pensava...
Ele muito intelegentissimo
P’ro seu Povo discursava!

Este aqui me respondeu...
E me chamou de “inguinorante”
- Falou até que preencheu
O papel da prova adiante!

Quando fiz o politico “vestibular”
E só precisei de uma caneta
Porque a resposta era certa,
Nem precisei de estudar!

Sem luta nem entendimento,
Eu me rendi logo incontinente
E em frente ao Presidente
Eu me curvei um só momento!...

Mesmo assim eu lhe enfrentei
E de publico eu declarei
Que a minha resposta eu dei,
Sincera... era a melhor que eu achei!

E ele também não cedeu,
Da mesma forma que começou,
Assim o meu sonho acabou...
Nesta prosa e verso que agora é seu!...

(In: Poesias Soltas – Janeiro/2011)
Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 16/05/2018
Reeditado em 21/08/2018
Código do texto: T6338292
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Silvino Potêncio
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 69 anos
450 textos (54624 leituras)
1 áudios (164 audições)
1 e-livros (569 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/10/18 21:42)
Silvino Potêncio

Site do Escritor