* Devo confessar a vocês que considero difícil criar textos para essa categoria.
Se nós consultamos uma gramática, se lemos livros abordando um assunto gramatical, se aproveitamos os sites que oferecem informações gramaticais, poderemos alcançar um aprendizado que, apesar das diferenças óbvias, fará a gente recordar as aulas que os professores de Português um dia nos ofertaram (supondo, é claro, que já pulamos a fase das salas de aula).
 
Escrever um texto seguindo o mesmo “ritmo” nunca me interessou.
Os recantistas não merecem jamais textos chatos ou simplesmente didáticos.
Pensando assim, sempre evitei escrever como se estivesse dando uma aula.
Nos meus textos gramaticais, procuro ressaltar a informação tradicional com bastante bom humor e descontração.
Conciliar as duas coisas, entretanto, não pode ser algo forçado.
Aliás, escrever nunca pode acontecer de maneira tensa ou preocupada.
 
Isso explica os textos gramaticais de Ilmar não nascerem com freqüência.
Por exemplo, o último texto gramatical que escrevi destacou as onomatopéias (Urtigão e as Onomatopéias).
Já havia pensado nesse texto há um bom tempo, porém foi necessário amadurecer a proposta, aguardar o instante exato, ajustar certos detalhes e, principalmente, “escutar” a aprovação final da inspiração.
Somente após as “etapas” citadas o texto surgiu.
 
Fiz esses esclarecimentos porque leio gentis solicitações pedindo mais textos gramaticais.
Se eu não as atendo imediatamente, eis o motivo, porém prometo continuar me esforçando para que ocorram novas criações nessa categoria.
 
* Sobre este texto gramatical (que não traz nenhum conteúdo gramatical específico), voltarei a fazer uma crítica que já efetuei quando escrevi “Jô Soares Considera Engraçado o Quê?”.

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3663789
 
Conforme vocês podem conferir, o artigo critica a exibição das denominadas “pérolas” que Jô Soares costuma, antes de iniciar as entrevistas, expor, contando com as risadas altas e incansáveis dos que estão vendo o programa ao vivo.
As “pérolas” seriam os “erros ortográficos” que encontramos em diversos lugares, nas paredes, placas, nos cartazes etc.
 
Retomando o tema, quero propor a seguinte indagação:
 
O que causaria esse grande desleixo em relação à nossa querida Ortografia?
 
Os exemplos ressaltados demonstram que não há qualquer preocupação com a revisão das frases.
A pessoa escreve o que quer, da forma que quer, do jeito que pensa que é, e acabou.
 
Obviamente que vocês dirão:
“Ilmar, nossa educação está completamente falida. Ensino público ou gratuito, tanto faz! A coisa está feia demais!”
 
Sim! Ninguém questionará essa triste verdade, porém há algo mais nesse lastimável “mar” no qual me arrisco mergulhar.
 
* Eu aconselho a algumas pessoas que elas, antes de enviar uma mensagem, usem o programa Word.
Peço que coloquem o texto numa página do Word.
Automaticamente o famoso processador de texto sinalizará que determinadas palavras não respeitam os registros contidos nos nossos dicionários.
Depois a pessoa verá a forma indicada da palavra e fará a retificação.
O Word não organizará a frase, não construirá o texto, não arrumará as idéias, no entanto ajudará bastante no campo ortográfico.
 
Surpreendentemente esses amigos me enviam as frases e os textos sem usar o Word.
O que ocorre?
Há a preguiça de seguir o conselho oferecido.
 
Existe, nesse caso, a pouca habilidade ortográfica mais o desinteresse total quanto ao aprendizado ortográfico.
Não conhecer, não saber, não estar informado é natural.
Não desejar conhecer, não querer saber, optar por ficar desinformado considero uma escolha imperdoável.
 
* Jamais defenderei o governo quanto à horrível educação que ele oferece ao povo brasileiro, porém o que mais me entristece é notar que grande parte da população desse gigantesco país não gosta de estudar, não quer estudar, não sente prazer algum em somar conteúdos e crescer intelectualmente.
 
Estamos experimentando mais um feriadão.
O que boa parte das pessoas fará nesse período?
Escutará músicas horríveis caso o barulho ensurdecedor permita escutar algo e tomará cerveja, cerveja e mais cerveja.
 
Quem, nesse período, lerá um livro?
Ler livros ou ler um simples texto nos tempos modernos parece uma atitude alienígena.
 
Lendo o que estou afirmando, alguns imediatamente dirão que o governo não incentiva a compreensão da importância da leitura, do estudo, de sair dessa “algema alienante” que envolve o povão.
Concordo, mas minha crítica não pensou somente no povão.

* Grande parte daqueles que estudam, ouso falar, não gosta de estudar.
A maioria das pessoas que faz faculdade, por exemplo, somente deseja ter o “canudo”.
Mais tarde ela quer ter um emprego o qual pague muito bem, faculte condições de comprar um carrão, ter uma casa segura, cercada por cercas elétricas, vigiada pelo FBI e distante do burburinho.
 
O que fazemos com a profissão não interessa.
Enfim, não há a preocupação com o exercício das profissões aprendidas, ou seja, se seremos bons médicos, bons advogados, bons contadores ou se desempenharemos bem qualquer profissão, isso não é o mais relevante.
O importante é ganhar dinheiro, ter uma vida cheia de mordomias, dar uma sonegada gostosa no imposto de renda e continuar vivendo essa vida repetitiva que os queridos bisavós já almejavam viver.
O ideal mesmo é ser o eterno “robô civilizado”.
 
Ah! Como pude esquecer?
Não pode faltar a cervejinha no final de semana ou, se sobrar tempo, durante um dos dias úteis.
 
Eis o projeto de vida o qual muitos pais vêem os seus filhos desenvolvendo e só lastimam caso o salário final não agrade.
 
* Vale a pena ressaltar, portanto, que a raiz do problema não “privilegia” apenas o povão.
Nada disso!

Boa parte do povão, a imensa massa, não tem acesso ao bolo, mas aqueles que podem provar uma fatia somente querem, salvo as exceções, desfrutar e gozar.

Que se dane o hábito de ler e a nossa condição cultural!
Que se dane favorecer o engrandecimento da nação!
Que se dane a habilidade ortográfica!
 
* Para finalizar, direi a Jô Soares mais uma vez:
 
Não é engraçado, Jô!
Quando você apresenta as “pérolas ortográficas”, não há nada justificando risadas!
Que tal chorar ou refletir um pouquinho sobre essa situação tão melancólica?
 
Rir e achar engraçado...

Dessa vez não dá!
 
Um abraço!
Ilmar
Enviado por Ilmar em 28/03/2013
Reeditado em 29/03/2013
Código do texto: T4211475
Classificação de conteúdo: seguro