"AS QUARENTA-E-UMA VITÓRIAS DE HELENA, NO REINO DA VIDA-DURA"

Era dia de festa no Reino da Vida-Dura, feriado nacional, dia de celebrar as “Quarenta-e-Uma Vitórias de Helena”, que não era de Tróia (dizia ela), apesar de grega, e que já domou na unha muito presente-de-grego que a vida lhe trouxe.

Como todo mundo no Reino da Vida-Dura, Helena também não passou imune à dureza, também, com o tempo, ficou mais dura: boca-dura, cara-dura, às vezes cabeça-dura, dura de agradar... dura de grana não era mais, mas ralara duro prá chegar lá, afinal, “hay que endurecer sin perder la ternura” lá no Reino da Vida-Dura tem sotaque anti-Castrista.

Infelizmente, até a ternura, lá no Reino da Vida-Dura, acaba ficando meio dura...

Ser mulher no Reino da Vida-Dura requer muita macheza, seja você Paraíba, corinthiana ou pó-de-arroz... Helena era pó-de-arroz... ninguém é perfeito. Mas era macho. Macho o suficiente prá ser muito mulher.

Tinha, claro, seus medos, coisas que se adquire no Reino da Vida-Dura, medo de se dar, medo de confiar, medo de barata (tem barata a dar com pau em Vida-Dura, e a maioria delas vôa), medo de demonstrar fraquezas, medo de admitir seus medos... Medo de perder? Claro! Bravura não é falta de medo, isso é burrice, bravura é encarar o medo olho-no-olho, com respeito, mas sem abaixar a cabeça. Quarenta-e-uma vitórias, umas no braço, outras no berro (e que berro!), ganhava porque um dia perdêra, e aí decidira não perder de novo, ao menos não sem espernear muito, passivamente? Jamais.

Dava medo também, às vezes...

Nas armas, era de fato boa na pena, na enxada e na espada, estas duas últimas em sentido figurado claro, que Helena era bicho-do-concreto e mulher do terceiro milênio. A pena, às vezes dura, às vezes doce, Mont-Blanc, que bom-trato e bom-gosto afinal não fazem mal, recompensas da vida em Vida-Dura.

Certa vez, diz a lenda, chorou na presença de alguém, mas esse alguém, seja por amor ou o que for, recusa-se a corroborar a história, por isso é lenda.

Diz a lenda também – e isso há quem jure que viu – que, quando queria, dançava, cantava e amava com a maestria das divas. Sabia, como ninguém, levar às alturas, e também à loucura (esta no sentido bom e também no sentido clínico), outra arma de Helena.

Helena, não a de Tróia, a das quarenta-e-uma vitórias, era mulher de beleza rara, pele acobreada e sorriso convidativo. Amiga do sol, Helena era fogo...

A Helena Istiraneopulos,

Feliz Aniversário!

Dalila Langoni
Enviado por Dalila Langoni em 18/04/2008
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