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ROMANCE CACOFÁTICO



Caro Sr. Caio Pinto




Peço-lhe desculpas pelo meu atrevimento. Não me teria sentado ao lado da bela senhora se soubesse ser ela a sua digníssima mãe. A verdade seja dita, mulher boa como ela eu nunca vi.
Não ponha a culpa nela, já que tinha eu feito sinal para a sua mesa me sentar. Ela tinha um sorriso nos lábios mostrando a fileira de alvos dentes e por cada beijo dela eu pagaria uma fortuna. Conversamos muito e durante a conversa percebi ser sua mãe a mulher que se disputa, nas ruas e nos salões, com espada em uma mão e uma rosa na outra. Digo-lhe que a dama não é uma mala e eu quero muito amá-la e mesmo que o senhor me parta a cara, um beijo hei de depositar na boca dela.
Sua raiva é compreensível, mas não venha pôr com a mão areia nesse romance dizendo que é aventura e que não passa disso. Afastar-me dela, não pense nunca nisso. Saiba que sou bem intencionado e vi um brilho de reciprocidade nos olhos da nobre dama que será (como disse o poeta) a alma minha.
O amor em mim abunda, disso a nobre dama não terá carência. Prometo dar a sua mãe o meu honrado nome, depois de tirar o Pinto que puseram nela entra o Carvalho que é meu.
Agora quero a resposta do pedido que enviei pelo Sr. Davi Adão, o heróico brado de um homem apaixonado pedindo em casamento a gentil senhora. Não quero uma má notícia, quero o seu consentimento, pois vejo-me já amando e sendo amado.

21/09/05.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 21/09/2005
Código do texto: T52558
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão