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A SEITA QUE DÓI MENOS


Antes, durante e após o julgamento e a prisão de Lula (na verdade, tudo começou por ocasião do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff), o Brasil tem visto a manifestação crescente de uma nova seita: os adoradores do PT, encabeçada pela senadora Gleisi — agora Lula ­— Hoffmann, que delegou a si mesma o cargo de sacerdotisa-mor. A coisa é tão séria, que ela e seus compars… digo, aliados, contrataram pessoas para dormirem próximas ao local onde Lula está encarcerado, em Curitiba, enquanto ela mesma se dirigia ao seu confortável apartamento quentinho — se bem que, com a chegada do frio, a maioria dos adoradores já debandou.



É quase comovente, senão patética, a dedicação da senadora Gleisi Lula Hoffmann ao seu guru, digo, amigo, digo… ah, sei lá. Tão dedicada ela é, que nas redes sociais as pessoas já começaram a se perguntar: “Peraí… como foi que a moça não dedicou a mesma atenção ao próprio esposo, o ex-ministro Paulo Bernardo, quando da sua prisão?” Não houve gente acampando na porta da cadeia e nenhuma manifestaçãozinha sequer encabeçada por ela a favor do “pobre” homem.




E agora, para coroar a sua sucessão de micos-leões-dourados, a também dourada senadora resolveu apelar para a rede de TV All Jazeera, a mais importante rede de TV do mundo árabe. Confesso que quando me deparei com o post na rede social, imediatamente achei que se tratava de mais uma notícia fake.


Só que não.


A pergunta que não quer calar é a seguinte: o que ela pretende? Será que a senadora espera que, com todos os problemas que o mundo árabe anda atravessando sem nunca chegar do outro lado da rua, eles vão se mobilizar a fim de defenderem a causa do PT? Será mesmo que ela pensa que alguém de lá vai se deslocar até aqui a fim de soltar o Lula? Ou quem sabe, ela ache que algum terrorista desempregado, que por acaso esteja assistindo à TV entre uma bomba e outra, vai juntar-se ao MST em troca de um sanduíche de mortadela, camiseta, bandeira vermelha e trinta reais?



Bem, pelo menos, a moça deveria ser estudada. Existe alguma coisa de admirável em sua insistência e perseverança ao tentar ressuscitar o que já morreu, fedeu e acabou. Acho que é alguma coisa quase… espiritual. Os olhinhos dela realmente brilham ao falar de Lula, ao pronunciar o nome santo. Foi linda aquela manifestação-jogral que ela fez em frente à delegacia após a prisão, na qual ela falava e o bando, digo, os aliados, repetiam em uníssono o que ela dizia. Quase chorei… de tanto rir.


A gente chega aos cinquenta e poucos anos achando que já viu de tudo, e a vida, essa coisa surpreendente e mágica, nos mostra que ainda não vimos nem a metade. Mas se existe uma coisa que aprendi é que, diante do inevitável, a melhor política é: aceita que dói menos.


Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 19/04/2018
Código do texto: T6313358
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Ana Bailune
Petrópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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