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EU E MINHA SORTE – Tentando Ouvir Música no Banho.


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Dois momentos importantes pra mim desde que cheguei em Lençóis: A hora em que me deito e como uvas enquanto assisto seriados... e também “O” banho ao som de João Gilberto, antes de dormir. Entendam, eu tomo um monte de banho por dia. Motivo pelo qual minha conta de luz sempre vir alta (pra uma pessoa) mesmo eu quase não ligando a geladeira e vivendo praticamente no escuro, como o primo brasileiro do Drácula (todo mundo no planeta tem pelo menos UM primo brasileiro distante... Mas isso fica pra outro texto).

As vezes quando quero assistir seriados, preciso deletar o Spotify do meu – INCRÍVEL – aparelho celular cheio de memória. Meu celular é daqueles que o assaltante, quando o vê... fica com PENA de você e acaba ajudando com o dinheiro do transporte - mesmo que sua casa seja em frente ao local do assalto e você tentando explicar isso a ele… - “vai, filho, vai…”, ele fica repetindo. “Ano que vêm melhora, fé em Deus, tamo junto”, então sobe na motoca com o seu comparsa explicando a “situação” e os dois ficam te acompanhando com os olhos até o ponto de ônibus mais próximo, acenando e fazendo sinais de positividade e força. Enfim. Meu aparelho cai e não quebra. E FAZ LIGAÇÃO. Isso é que importa.

Então eu pus o REI João Gilberto pra tocar no Youtube. Na segunda música eu já estava tão “em Alfa” que a água gelada às 3 da manhã estava sendo irrelevante, meu espírito estava aquecido… ATÉ QUE MÚSICA INTERROMPEU. Fiquei tenso, aguardando, segurando o sabonete. Um silêncio se fez. “Oxente?! A bateria já estava em 40%???”, pensei desolado. Meu “SUPER” celular muitas vezes desliga com menos de 40% de bateria, ainda mais quando está “sobrecarregado” (haha...). Até que entrou uma canção que dizia mais ou menos assim: “… ela tá podendo… ela tá cotada, tá melhor que Black Friday”, algo do tipo. Num ritmo típico de “Não-sei-quê-lá Universitário” de alguma dupla feminina, Nayracêta & Maraxâna ou algo assim.

Tenho certeza que se eu tivesse um pouquinho… um POUQUINHO SÓ de dinheiro a mais em minha conta no banco, eu teria atirado o celular no chão e pisado em seguida, de puro nervosismo e frustração que fiquei. Ainda mais que a música continuou tocando e eu não podia mudar porque estava todo ensaboado. Além do mais, com minha sorte…

Eu pisaria no celular e acabaria escorregando no banheiro. Quebraria meu cóccix ou até mesmo a bacia, ficaria que nem a minha gata ELSA, que quebrou a bacia semana passada. Mas é claro; eu não teria a milagrosa recuperação dos gatos, teria? NÃÃÃO… !! Acabaria mesmo é sendo levado ao magnífico, apoteótico, futurista, humanista, hyper-tecnológico: HOSPITAL DE LENÇÓIS. Onde me dariam uma dipirona e me largariam lá, como uma Girafa velha numa vala... repensando minha vida e todas as minhas ex-namoradas... Chorando como um idiota e querendo um caderninho pra escrever (um poema de despedida).

Sem conseguir avisar amigos e parentes, pois: MEU CELULAR ESTARIA QUEBRADO e PISADO, no chão do banheiro de minha casa. Isso sem contar, que, na hora do socorro: os vizinhos não teriam consideração pelo fato de eu ESTAR NU no banheiro! Há! Eles me carregariam pelado pela cidade, como um chimpanzé desacordado sendo transferido do circo pro zoologico. Ah… Henrique Britto, Henriquinho… Transformando pensamentos ínfimos em neuroses e pesadelos desde 1998… RUM. Que horas são? 04:05 da manhã! AMÉÉÉM… eu EXISTÔÔO….Ahhrrrg!!… ah tá.
… Pus nesse instante uma fita k7 do Chiclete com Banana e agora tô tããão felizz… Esqueçam tudo que eu falei gente, tô super calmo agora… calminho… Ciau. “ZZZzzz...”.

Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 07/11/2019
Código do texto: T6789396
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Henrique Britto
Salvador - Bahia - Brasil, 35 anos
861 textos (11468 leituras)
3 e-livros (21 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/11/19 16:51)
Henrique Britto