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Como combater a morte

           Já são vários anos que escuto as pessoas dizerem aos moribundos desse mundo para combaterem a morte. São pessoas agonizantes, com câncer ou até unha encravada que entram em desespero, pois sabem que vão morrer. Mas o povo sempre fala para essas pessoas para combaterem a morte, para lutar contra, bem pensando no assunto é bem viável. Vejam:
            Dia dois de dezembro, em uma rua qualquer, de uma cidade qualquer, estava ele e a mulher a caminhar. Eis que chega um ladrão aponta uma arma para o marido e fala: "mãos ao alto". O assaltado não contente com o caso ataca o infeliz assaltante e este último dá dois tiros no esposo que cai no chão. A mulher chorando de agonia diz para o marido: "não vá, fique lute contra". Mas enquanto ela diz isso sua alma está caminho junto a uma figura negra com uma foice na mão e de capa longa.
            O grito da esposa finalmente o atinge e ele pensa: "por que não?". Deixa o ser negro se afastar um pouco mais. Então ele pega a lata de lixo da rua e acerta a sombra no que lhe parecia a cabeça e avança no seu pescoço. A criatura, horrorizada com o ataque brutal de seu guiado, o acerta com o cabo da foice na barriga para que a solte. Ela então aponta a lâmina para o cidadão e diz em um tom assombroso que parecia vir de todo lugar: "não reaja". O homem encabulado diz: "não posso ir, tenho mulher e ela precisa de mim". Ele pega um pedaço de cano que estava jogado no chão e o empunha contra o ser. O marido avança contra a foice e em seqüências de ataques e defesas os dois se deparam em empate. O homem, então, joga o cano contra a coisa e corre para cima dela. Alcançando a foice antes que ela pudesse se recuperar do ataque anterior. Então a briga pela arma foi árdua mas o esposo ganha arranca da mão dela e a corta no meio.
              Tendo vencido a batalha lhe é garantido vida nova e apesar das duas balas entupindo suas artérias o homem viveu feliz para sempre ao lado de sua querida mulher. Ou até que ele tivesse que lutar de novo contra a boa e velha morte.
BOI (Luciano Alencar)
Enviado por BOI (Luciano Alencar) em 07/11/2005
Reeditado em 01/04/2006
Código do texto: T68564
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
BOI (Luciano Alencar)
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 33 anos
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BOI (Luciano Alencar)