A história de um gatinho perdido
 
Olá, sou o gato Tom e acima está a minha foto. Um dia saí para visitar outros andares do prédio em que moro. Minha dinda estava estudando e com a porta aberta, não viu quando eu saí. Desci ao outro andar e depois fui entrar na porta que pensei ser a do nosso apartamento e um humano estranho não me deixou entrar. Trancou-me a cabeça na porta. Aí eu fiquei furioso e tentei arranhar todo mundo. Vieram vários humanos com corda, caixa e toalhas para me prender. Humanos são tão grandes, mas têm medo de um bichinho de quatro quilos.
Em meio à algazarra e desespero, consegui soltar a cabeça e pulei para a janela basculante e saltei do quarto andar. Uma vida, dentre as sete, arriscada. Corri, corri, corri até encontrar um esconderijo em que ninguém me machucasse. Não tinha comida, só a água da chuva e a grama onde eu saía para tomar sol quando não havia ninguém olhando.
Minha dinda, em seu desespero, colocou cartazes em todo o bairro e saía com a criançada a minha procura - alguns deles são humanos ainda não domesticados para o medo. Isso durante vinte dias. Já estavam quase lhe ofertando outro Tom, quando uma amiga lembrou-se de levá-la à igreja de São Francisco. Uma igreja bem limpinha, sem enfeites e muito linda em sua simplicidade, simplicidade que nós ditos irracionais gostamos tanto. Lá elas fizeram o pedido por escrito a São Francisco e as suas orações de gratidão, pois a todo pedido cabe desde já agradecer.
E foi assim que no dia seguinte uma fada madrinha, dessas que recolhem animais da rua e tentam colocá-los em lares adotivos, me viu à entrada de um bueiro cravado num barranco entre duas grades. Chamou minha dinda e lá chegaram as duas e me chamaram. Mas eu continuava com medo e não conhecia a outra. Não desci e como ninguém tinha acesso onde eu estava, continuei por ali mais algumas horas. Depois no final da tarde, oito horas em horário de verão, que ainda é dia, minha dinda veio me chamar e eu desci. Segundo ela, eu fedia muito. Depois de tanto sofrimento, emagreci um quilo e meio, e ainda fui submetido a algo odioso: um banho prolongado. No dia seguinte e durante duas semanas em dias alternados fomos à médica dos animais até que fiquei curado. Gosto muito da minha casinha e agradeço a São Francisco de Assis por este milagre.


4 de outubro - Dia de São Francisco de Assis



meriam lazaro
Enviado por meriam lazaro em 04/10/2008
Reeditado em 02/03/2010
Código do texto: T1211143
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