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O DESFILE DAS CIGARRAS

No fim de um longo verão em que o calor perturbava qualquer inseto, começou-se a ouvir os longos cantos das cigarras por toda a floresta.

Só quem não podia ouvir aqueles cantos eram os pequenos grilos nos cantos das pequenas folhagens que já não suportavam mais aquele barulho ensurdecedor.

Ficou combinado que o grilo chefe iria entrar em contato com a rainha das grandes formigas, instaladas num velho tronco de uma figueira, para tentar acabar com o problema.

Lá se foi à formiga chefe manter contato com o chefe das cigarras. Chegando ao lugar preferido das mesmas, grandes folhas verdejantes, colocou a situação em que se encontrava a floresta, com diversos insetos re-voltados com a situação do barulho.

A rainha das cigarras, como toda folgada respondeu à formiga: deixe-nos aproveitar este calor para que possamos aperfeiçoar nossos cantos e afastar outros insetos que nos perturbam.

A rainha das formigas voltou de sua viagem e explicou aos grilos que não havia conseguido resolver o problema.

Então os grilos pensaram, pensaram e chegaram a uma conclusão. Vamos convidar as cigarras para um grande desfile, onde elas poderão mostrar toda as suas habilidades como cantadoras.

Lá se foi de novo a rainha das formigas fazer o convite as cigarras e tudo ficou combinado, seria no fim do outono e início do inverno. Estas aceitaram, pois como toda boa cigarra, gostam de se mostrar.

As formigas aproveitavam o verão para estocar seus alimentos, como também os grilos, somente as cigarras continuavam naquela vidinha boa, só cantarolando.

O tempo foi passando e estava chegando o dia do grande desfile. Todos os insetos foram avisados do grande acontecimento e estes aguardavam com ansiedade o ocorrido.
O outono estava quase terminando quando a rainha das formigas foi avisar as cigarras que o desfile já estava marcado para o início do inverno.

Como as cigarras não haviam estocado alimento para esta nova estação, começaram a ficar fracas, mas trato é trato e no dia marcado lá estavam elas.

Um grande palanque foi construído para que os chefes de todos os insetos pudessem admirar o grande desfile. Os demais insetos poderiam observar as cigarras dos galhos das árvores, dos troncos e mesmo no solo.

No dia marcado ouvia-se na floresta um forte canto a se aproximar do lugar marcado para o desfile, mas quanto mais as cigarras se aproximavam do lugar marcado, mais fraco ficava o canto das mesmas.

Era chegado o grande momento e lá estavam as cigarras, como se fossem grandes batalhões em marcha, mas com suas vozes muito fraca. Elas somente desfilaram pois a rainha das cigarras proibiu o canto para não passar vergonha.

Terminado o desfile, que foi muito aplaudido por todos os insetos e muito mais pelos grilos e formigas, estes se retiraram para suas residências e a rainha das cigarras, tentou cobrar das formigas grande quantidade de alimentos em troca do desfile. A rainha das formigas disse que este contrato não estava previsto e nada seria pago. Uma a uma as cigarras foram sendo carregadas pelas formigas enfermeiras para o hospital florestal e somente lá obtiveram alimentos para se reanimarem e procurar novos lugares mais quentes para cantar.

As formigas e os grilos assinaram um contrato com as cigarras onde elas se obrigavam a cantar somente nas horas marcadas estipuladas no pa-pel por elas assinadas.

Por fim as cigarras desfilaram sem platéia de volta para terras mais quentes e só voltariam para aquela floresta com a autorização das formigas e grilos.

Por isto que até hoje quando uma cigarra canta é só fazer um ruído que ela para de cantar, pensando que sejam as formigas ou grilos cobrando o prometido.

E por fim todos conseguiram viver felizes e contentes na floresta que pertence a todos os insetos.
Francisco Albano Boscatto
Enviado por Francisco Albano Boscatto em 05/02/2007
Reeditado em 01/03/2007
Código do texto: T369970


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Sobre o autor
Francisco Albano Boscatto
Flores da Cunha - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (30507 leituras)
22 áudios (17015 audições)
14 e-livros (3601 leituras)
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Francisco Albano Boscatto

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