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O PÉ E A MÃO

Conversavam, certa vez, um pé e uma mão. O pé dizia aborrecido:
- Não aguento tanto trabalho. Estou cansado demais. Por que eu tenho de fazer todo esse trabalho? Queria ser como você, Mão, que fica aí em cima protegida.
- Ora amigo Pé, cada um de nós foi criado para fazer determinadas tarefas. Eu não me queixo das minhas. O seu trabalho é muito importante, eu diria que é sublime. Carregar um corpo para lá e para cá não é tarefa para qualquer um.
- Minha amiga, você acha sublime ter plantado sobre si um peso enorme? Em certos momentos eu fico inchado, dói-me o calcanhar e a minha mãezinha, Perna, também sofre muito. Cortar as unhas é um suplício porque não me cortam só as unhas também tiram nacos dos meus dedos. Pisar em caca de cachorro, chutar bola, ser pisado por outros pés durante uma dança, escorregar em casca de banana, buá, buá,buá, quero ser mão e não pé.
O Pé começou a chorar copiosamente. A Mão já não sabia mais o que fazer para acabar com aquela choradeira. Foi então que ela se abaixou e fez um carinho no Pé alisando seus dedos, fazendo massagem na sola e ele foi se acalmando devagar. Sentindo que o amigo estava mais calmo a Mão lhe disse:
- Agora que sua tristeza acabou eu vou lhe dizer uma coisa: já imaginou a alegria que proporciona a um pai e a uma mãe quando você conduz a filha deles ao altar? E a honra de conduzir a Sagrada Família ao Egito? Levar um bombeiro para apagar um incêndio?  Crianças à escola para serem alfabetizadas? Homens e mulheres aos seus trabalhos honestos? Um professor à sala de aula? Lembra o dia que pisou na lua? Não sente alegria quando pisa a areia morna da praia e mergulha na água do mar? Então amigo! Veja quanta coisa boa você faz, fez e fará. Não há motivo para ficar desolado. Não se pode fazer só coisa boa, as não muito boas também precisam ser feitas, concorda comigo?
Agradecendo a paciência da Mão, história terminou com o Pé pedindo a ela mais uns minutinhos de massagem. Por isso crianças cuidem bem dos seus pés para que eles não reclamem.

04/12/17

(histórias que contava para o meu neto).
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 04/12/2017
Código do texto: T6190248
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão