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Foi assim que aconteceu, era dezembro, chegava a hora de preparar a árvore de Natal. A tarde estava linda e havia um barulho maravilhoso de chuva no telhado. Bem, na verdade, sem sol, a tarde estava linda, mas um pouco escura, então, Maria Alice viu o vovô Tião acender lâmpadas para iluminar a sala.
Naquela tarde, ainda que tivesse sol e ele brilhasse mais radiante do que sempre brilhou, a pequena Maria Alice não iria brincar no quintal, era dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição - a Senhora mais pura que os anjos e mais perfumada que o lírio da inocência, e dia que a família dela adotara como o dia de enfeitar a árvore de Natal.
Havia um ritual a ser seguido, que passava de geração em geração, e vovô Tião fazia questão de mantê-lo vivo. Dentro dele, a educação eucarística, que se fazia ainda mais presente no tempo do advento. “Há que aproximar a Eucaristia das crianças, e aproximar as crianças da Eucaristia”.
Todos os anos, no dia 08 de dezembro, logo ao amanhecer, a Igreja da Mãe Imaculada ficava repleta de devotos, todos cheios de alegria por estarem na casa de Deus, celebrando o dia da Mãe Dele. Entre os devotos, muitas crianças, entre as muitas crianças, Maria Alice.
Em devoção à padroeira de sua cidade, o vovô não trabalhava no quintal nesses dias, ia à igreja de manhã e à tarde cuidava de enfeitar o pinheirinho.
A arrumação ia acontecendo de forma bonita. Quando chegou o momento de colocar os enfeites na parte mais alta do pinheirinho vovô Tião passou a utilizar uma escada banqueta, e Maria Alice passou a se esticar cada vez mais para conseguir alcançar os enfeites para ele.
A felicidade da menininha era tanta... ela amava tudo ao seu redor naquela tarde e amava com os olhos vidrados. Amava o vovô Tião, amava a árvore de natal, amava as estrelinhas que tinha na mão... eram delas, por esse motivo as segurava com tanto cuidado e carinho.
Aprendeu na escola que poderia decorar sua árvore com estrelinhas de reciclagem usando palitos de picolé. Com certeza, esse aprendizado seria o mais delicioso de sua pequenina vida, de modo que rapidamente convenceu o vô Tião a comprar muitos e muitos picolés sabor chocolate. Tinha que ser sabor chocolate.
Vovô Tião era um amor de vovô, ele comprava os picolés, saboreava-os com a neta, lavava os palitos, secava e guardava.
Mas os méritos das estrelinhas eram todos da neta. Foi ela quem teve a ideia, pintou, coloriu, colou... descolou, voltou a colar, até ficarem em formato de estrelas e foi ela que os enfeitou com fitas.
Enfim, chegou a hora de colocar a estrela maior. Ela era tão linda, tinha bordas arredondadas e Maria Alice a decorou com lantejoulas que há muitos anos atrás tinham enfeitado um dos vestidos de festa da vovó Anita.
Vovô Tião também sabia amar estrelinhas de Natal com olhos vidrados, especialmente aquelas cujo brilho já tinha contemplado. O brilho das lantejoulas da vovó, assegurava aos dois que não tinham sido esquecidos por aquela mulher que tanto amavam.
Maria Alice às vezes dizia: Não fique triste vovô, a vovó morreu “só um pouquinho”.
Os dois estavam tão envolvidos com a decoração da árvore que nem perceberam que a chuva tinha ido embora.
Pequenos pedacinhos de madeira de cores diferentes mas sempre cores vivas, alegres, cheias de vida transformaram aquela decoração num divertido ato de amor.
Lembrando que cabia a ele, o único adulto da casa, manter vivo o espírito natalino dentro de seu coração e do coraçãozinho da neta, vovô Tião pediu pra netinha subir na escada com ele, então, pegou-a no colo e ergueu-a bem alto.
Maria Alice fixou bem a estrela maior, e ainda nos braços do avô, fez a prece que aprendeu com a vovó Anita: “Minha estrelinha, ilumine os olhos meus, traga toda alegria, pra noite do Menino Deus."
Quando foram pro quintal, o contentamento dos dois dobrou de tamanho, um pôr do sol que deixava o céu em um tom de rosa os surpreendia, parecia o amor do Deus Menino se expandindo e tocando cada pessoa da terra.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 07/12/2017
Reeditado em 07/12/2017
Código do texto: T6193010
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Matilde Diesel Borille
União da Vitória - Paraná - Brasil, 59 anos
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Matilde Diesel Borille

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