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Episódio 7: Chinês

Da série: Construtivando [nota 1]
(Pituquinha e suas estórias) [nota 2]

Episódio 7: Chinês

Estavam na livraria Pituquinha e sua mãe. Verena escolhia um livro para dar de presente de aniversário a uma amiga.
Ao perceber que a filha estava impaciente com a demora na definição do livro-presente, falou para a pequena:

 — Filhinha, por que você não vai na seção de livros infantis, apontou o corredor — bem próximo — para ela, e escolhe um bem bacana para você?
 — Pode ser um de quadrinho? Disse a agora interessada garotinha.
 — O que você quiser, meu amor.

Lá se foi Pituquinha escolher o seu livro, para desafogo da mãe que necessitava de uma certa calma para definir a sua escolha.

Entretanto, ao passar pela seção de dicionários, que ficava equidistante do seu ponto de partida e do seu destino, deparou-se com livros grossos e pesados.
Curiosa que era, perguntou a um vendedor que estava próximo a ela:

 — Moço, que livrão e esse?
 — São dicionários. Disse o ocupado funcionário, voltando-se em seguida para um cliente e, portanto, ignorando qualquer nova indagação da garotinha.

Ela, naturalmente, esqueceu-se dos livros infantis e retornou para Verena, motivada por instigante incerteza.

 — Mamãe, o que é “dissunáru”?

A esposa do pai, de posse do livro-presente, finalmente escolhido, e acostumada ao dialeto “Pituquinês”, típico da tenra idade, disse para a filha:

 — Você quer dizer dicionário, não é?
 — É isso aí que você falou. Disse-lhe recordando do som da palavra pronunciada pelo vendedor.
 — É um livro que fala do significado das palavras, como “natalidade” que você perguntou ao papai ontem no almoço, lembra?
 — Ah, entendi!
 — E tem todas as palavras do mundo? Continuou o périplo inquisitório.
 — Tem sim, querida. Só que para cada país tem um dicionário diferente.
 — Então tem “dissunáru” da china? Inquiriu mais uma vez a insaciável fonte-de-curiosidade-infantil.
 — Tem sim, respondeu-lhe a genitora com a paciência que só as mães amorosas sabem ter nestas horas.
 — Mamãe, você pode comprar um de chinês para eu dar de presente pro Valtinho?
 — Pro Valtinho? Mas por que ele precisa de dicionário de chinês? Disse Verena interessada na resposta para tão inusitado pedido da filha.
 — É que ele precisa aprender a falar chinês, para poder conversar com o irmãozinho que vai nascer”.

Esclarecendo melhor a questão: Valtinho, coleguinha de classe de Pituquinha, disse para todos na escola, tia Nubinha, inclusive, que o seu papai e a sua mamãe iam dar a ele mais um irmãozinho. Valtinho já tinha 3 irmãos, com ele 4, e agora os pais, senhor e senhora Carvalho, teriam o quinto filho. Quando Pituquinha ouviu da mãe para que servia o dicionário, lembrou-se deste fato e de uma coisa que o seu pai, o Leonídio, lhe falara à mesa de almoço, ontem mesmo, na presença de toda a família, em complemento a uma dúvida vocabular, apresentada pela sempre ávida menina-candidata-a-conhecedora-de-coisas-novas. Se não lhes disse nos episódios anteriores, corrijo-me dizendo-lhes agora: A Pituquinha tinha uma memória prodigiosa para a idade.

 — Mas por que ele precisa falar chinês com o irmãozinho que vai nascer? Perquiria Verena.
 — Você não se lembra, mamãe? É que o papai falou que de cada 5 crianças que nascem no mundo, uma é chinesa. Então, o próximo irmão do Valtinho vai falar chinês.

Notas:
[1] “Construtivando” é um neologismo derivado de Construtivismo: corrente de pensamento que ganhou projeção pela obra de Jean Piaget, a qual valorizava o processo de aquisição do conhecimento por intermédio da interação do homem com o meio, ou seja, pela percepção da realidade, em oposição aos modelos conceituais pré-concebidos.
[2] Pituquinha é uma menininha de 5 anos muito serelepe que adora aprender coisas novas e contar para a sua professora, “tia” Nubinha, e seus amiguinhos. De vez em quando, ela também faz umas perguntas engraçadas para a “pró”, seu pai, sua mãe, seu tio e com quem mais ela puder conversar
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© Leonardo do Eirado Silva Gonçalves
Dezembro/2017
Leonardo Eirado
Enviado por Leonardo Eirado em 05/06/2018
Reeditado em 25/06/2018
Código do texto: T6356199
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Leonardo Eirado
Salvador - Bahia - Brasil, 54 anos
336 textos (4469 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/01/20 19:50)
Leonardo Eirado